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Futebol » TRAGÉDIA DO NINHO

"Isso não é a cara do Flamengo", diz Júnior sobre demora nas indenizações da tragédia do Ninho do Urubu

Tragédia no centro de treinamento do rubro-negro completou um ano no dia 8 de fevereiro

Gabriela Santos Publicado em 10/02/2020, às 15h09

"Isso não é a cara do Flamengo", diz Júnior sobre indenizações da tragédia do Ninho do Urubu
"Isso não é a cara do Flamengo", diz Júnior sobre indenizações da tragédia do Ninho do Urubu - Reprodução/ SporTV

A tragédia no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, completou um ano no último sábado, 8 de fevereiro. Durante o programa Redação SporTV, do canal por assinatura da Globo, Júnior fez uma analisa da conduta do Rubro-Negro diante do incêndio que matou 10 jogadores das categorias de base.

O campeão da Libertadores e tetracampeão brasileiro com o Flamengo se mostrou indignado e repreendeu a demora no pagamento das indenizações às famílias das vítimas.

“Quando você vê as grandes contratações que foram feitas, o Flamengo está lidando com o problema de uma forma que parece uma grande negociação. E não é uma grande negociação, não existe valor. O processo natural é o quê? Os filhos enterrarem os pais. Os pais enterrarem os filhos é uma coisa que você não pode desejar nem para o seu pior inimigo. Muitos desses garotos eram também uma forma que as famílias tinham para poder ter uma vida melhor, de dar uma condição melhor para todo mundo”, declarou Júnior.

Na sequência, o ex-jogador relembrou a morte de Geraldo, em 1976, que morreu após complicações uma cirurgia de amígdala. No caso, Júnior atestou que esse tipo de comportamento “não é a cara do Flamengo”.

“Eu nunca tinha falado sobre isso, é a primeira vez. Eu acho isso uma coisa tão grave, eu que vivi minha vida toda ali dentro. Eu participei de um acidente também que foi a perda do Geraldo em 1976. O cara que seria jogador de seleção brasileira. Houve um acidente, ele morreu de choque anafilático em uma operação de amígdala. Mas o clube naquele momento conseguiu resolver junto à família do Geraldo para que ficassem assistidos. Não na parte econômica, mas na parte sentimental, humana. E eu acho um absurdo que até hoje isso (a indenização às famílias das vítimas da tragédia do Ninho) não tenha sido resolvido). É muita falta de sensibilidade”, disse Júnior, que hoje é comentarista do Grupo Globo.

"E vou falar uma coisa: isso não é a cara dos grandes dirigentes do Flamengo. Os grandes dirigentes do Flamengo sempre tiveram um lado humano muito grande. Eu vi e presenciei durante toda minha carreira, que foi de 1973 a 1993", acrescentou ele.

A tragédia no Ninho do Urubu

No dia 8 de fevereiro, um incêndio no Ninho do Urubu culminou na morte de 10 jogadores da base do Flamengo. O incêndio atingiu o setor mais velho do CT, que servia de alojamento para as categorias de base e abrigava jogadores de 14 a 17 anos de idade. As vítimas estavam dormindo no momento do incêndio, o que teria contribuído para o pior da tragédia. 

As 10 vítimas do incêndio foram: os goleiros Christian Esmério, 15 anos, e Bernardo Pisetta, 14 anos; dos zagueiros Pablo Henrique da Silva, 15 anos, e Arthur Viníciusde Barros Silva Freitas, 14 anos; do lateral-direito Samuel Thomas de Souza Rosa, 15 anos; dos volantes Jorge Eduardo dos Santos, 15 anos, e Rykelmo de Souza Viana, 16 anos; do meio-campista Gedson Santos, 14 anos; e dos atacantes Vitor Isaías, 15 anos, e Athila Paixão, 14 anos.

Dirigentes do Flamengo faltam à Alerj, e CPI ordena condução coercitiva

Em novembro do ano passado, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi criada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para apurar o incêndio no Ninho do Urubu. Nesta sexta-feira, personagens envolvidos na tragédia do centro de treinamento foram convocados e dirigentes da atual e da anterior gestão do Flamengo não compareceram. O clube rubro-negro informou que enviou apenas representantes, o diretor jurídico Antonio Cesar Dias Panza e o advogado William de Oliveira.

Após a ausência, o presidente da CPI ordenou o despacho do pedido de condução coercitiva para Rodolfo Landim (presidente do Flamengo), Rodrigo Dunshee (vice jurídico do clube) e Marcos Braz (vice de futebol). Segundo informado pela assessoria da presidência da Comissão, o pedido deve ser protocolado antes de valer. Portanto, a condução só poderá acontecer em uma próxima sessão, ainda sem data definida.

Mãe de Christian Esmério fala da saudade do filho

A ESPN fez um especial com entrevistas com os pais de algumas das vítimas falando um pouco de como estão lidando com a tragédia que tirou a vida de seus filhos. Relembrando a carreira de Christian Esmério, sua mãe Andreia disse que ainda não encontrou recursos ou saídas para lidar com a dor da perda do herdeiro. Por mais que a saudade seja algo recorrente desde a tragédia, a ferida de não ter mais um filho perto em seu ponto se vista ‘se renova’ a cada dia que passa.

“A saudade parece que está tendo há muito tempo, mas, a dor é como se a ferida tivesse sido aberta hoje. É uma sensação difícil de explicar, ele era craque de verdade! Um adolescente com responsabilidades de adulto”, disse ela.

“A espera ainda não acabou, eu ainda espero a sexta-feira como se ele fosse chegar, subir as escadas gritando que chegou. Eu fico esperando ele jogar a bolsa para sair e falar com a tia, com os tios, essa espera ainda não passou”, finalizou.

Pai de Bernardo Pisetta desabafa sobre dificuldades psicológicas

No mesmo especial produzido pela ESPN, Darlei Pisetta, pai do goleiro Bernardo Pisetta, fez seu desabafo. Ele disse que ficou extremamente honrado pela quantidade de homenagens que o filho recebeu, mas também falou sobre lidar com o trauma. 

“Não é nada fácil, passamos por diversas fases. Na primeira fase, a ficha não caiu, nos quatro primeiros meses... Aí depois a ficha começa a cair, as coisas entram na realidade, a gente começa a sentir a falta, a saudade”, desabafou ele.

“Teve um momento que nós precisamos buscar ajuda psicológica, tivemos ajuda da psicóloga do Flamengo. Não estávamos conseguindo tocar, recorremos aos medicamentos e estamos fazendo uso até hoje para tentar segurar a onda”, finalizou.

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