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Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga – parte III

Conheça os maiores campeões dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga

Eduardo Colli Publicado em 15/06/2021, às 16h15

Acrópolis, em Atenas, Grécia - Getty Images
Acrópolis, em Atenas, Grécia - Getty Images

Os maiores campeões dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga

Teágenes de Tasos (lutador de pancrácio)

Aos nove anos de idade, Teágenes arrancou do pedestal a estátua de um deus na Praça de Tasos, colocou-a nos ombros e levou-a para casa. Acusado de sacrilégio, ele colocou a estátua de volta. A força do garoto impressionou seus compatriotas. Rapidamente, a fama de suas façanhas se difundiu por toda a Grécia.

Foi campeão olímpico na 75ª olimpíada (480 a.C.) pela primeira vez no pugilismo e do pancrácio quatro anos depois.

Multicampeão nos outros Jogos: três vezes nos Píticos em Delfos, nove vezes nos Nemeus disputados em Nemeia e dez nos Ístmicos em Istmo de Corinto.

Figura lendária, suas façanhas foram transmitidas de boca a boca em toda Grécia.

Leônidas de Rodes (corredor)

Corredor versátil que aliava a velocidade para correr provas de velocidade, com a força para a prova de resistência, em vários níveis de intensidade, Leônidas conseguiu realizar um feito jamais igualado. Em cada uma das quatro olimpíadas sucessivas da 154ª a 157ª olimpíada (de 164 a 152 a.C.), ele venceu três provas de corrida: “stádion”, “diaulos” e o “hoplítes drómos”.

O total de doze vitórias olímpicas de Leônidas foi superado somente 2168 anos depois, quando o maior nadador Olímpico da história, Michael Phelps, nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, conquistou sua décima terceira medalha de ouro individual.


Mílon de Crotona (lutador)

Nascido em Crotona na Magna Grécia, dotado de uma força descomunal, foi campeão juvenil nos 60º Jogos, em 540 a.C. Como adulto venceu seis vezes de 532 a 512. Campeão por seis vezes também em Delfos, nove em Neméia e dez em Corinto.

Durante 24 anos foi considerado o “homem mais forte da Grécia” e o “mais colossal que jamais existiu”. Sua alimentação diária consistia em 12 quilos de carne, 6,5 quilos de pão e 3 litros de vinho.

Seu treinamento era baseado em longas caminhadas carregando um pequeno bezerro nos ombros, que crescia durante os quatro anos entre os Jogos e Mílon gradativamente aumentando sua força.

Após uma das suas vitórias olímpicas, com muita facilidade ergueu e colocou nos ombros um novilho de quatro anos, deu uma volta na pista do estádio e depois cortou o animal em pedaços, assou-o e comeu-o sozinho.

Curiosidade: Nike, a deusa da vitória e a mensageira dos Deuses.

Na mitologia grega, a vitória era quase sempre representada sob a forma de uma personagem feminina alada, chamada de Nike, que significa “vitória” em grego.

Mensageira dos deuses, Nike voava em direção ao atleta escolhido, levando a recompensa divina em forma de uma coroa ou de uma fita.

 

 

Homenagem da cidade grega de Rodes aos campeões Damageto, Diágoras e Acusilaos.

Diágoras de Rodes (pugilista)

Chamado de “euthymákhes” ou lutador direto, por nunca se esquivar para os lados, abaixar-se ou evitar o oponente, estilo orgulhava seus admiradores, Diágoras além de corajoso era também muito hábil.

Campeão olímpico do pugilismo na 79ª. edição (464 a.c.), era um homem de corpo gigantesco com 2,20m.

Atleta nobre, modesto e digno, recebeu grandes honrarias e glórias. Sua enorme estátua foi erguida na Áltis, ao lado da estátua de seu pai Damageto, também campeão olímpico do pugilismo, e das estátuas dos seus filhos Acusilaos e Dorieu e dos seus netos, Êucles e Pisírodo, todos campeões olímpicos e de outros jogos gregos.

 

Polidamas de Escotusa (lutador de pancrácio)

Sua fama não foi obtida apenas pela vitória olímpica na 93ª edição (408 a.C.), foram seus feitos e proezas que o tornaram uma lenda além da Grécia.

Em uma ocasião, segundo Pausânias, o desarmado Polidamas matou um leão que ameaçava sua cidade. Em outro momento, agarrou e lutou contra um touro.

Após ouvir essas façanhas, o imperador persa Dario Oquos além de convidá-lo a visitar seu país, o desafiou. Ele deveria lutar sozinho contra três dos melhores soldados persas. Usando apenas uma clava, Polidamas matou os três, que estavam armados de lanças e espadas.

Outros corredores famosos:

Hermógenes de Xanto, apelidado de “hippos” ou cavalo, venceu o “stádion”, “diaulos” e o “hoplítes drómos” disputada em 81 d.C. na 215ª olimpíada. Na edição seguinte, foi campeão do “diaulos” e do “hoplítes drómos”. Voltou a vencer as três provas: “stádion”, “diaulos” e o “hoplítes drómos”, quatro anos depois.

Polites de Céramos em pouco espaço de tempo, durante a 212ª olimpíada em 69 d.C. venceu o “stádion”, o “diaulos” e o “dólikhos”.

Outros grandes lutadores:

Hipóstenes de Esparta: seis vezes vencedor da 37ª a 43ª edições (exceto na 38ª) dos Jogos Olímpicos.

Hetemocle de Esparta (filho de Hipóstenes): pentacampeão olímpico da 44ª a 48ª olimpíadas.

As recompensas dos campeões

No esplendor dos Jogos, o único prêmio era o ramo de folhas de oliveira. Segundo Heródoto, esse fato surpreendeu até Xerxes I, rei dos persas, que exclamou: “Pelos deuses, Mardônius, quem são afinal esses homens contra os quais nos conduzem ao combate? São insensíveis ao interesse e só lutam pela glória?”.

Entretanto, havia outros prêmios. Os grandes campeões eram imortalizados em versos líricos pelos mais famosos poetas e em grandes estátuas no Altis.

Na 47ª olimpíada, Sólon um legislador de Atenas, decretou a doação de 500 dracmas aos vencedores, uma recompensa valiosa. Outras cidades doavam casa, terras e títulos de nobreza.

Em Esparta, a maior homenagem que o campeão olímpico recebia o direito de combater ao lado do rei.

Além disto, os campeões eram respeitados em todo o território grego, tanto que Píndaro escreveu: “quem vencer em Olímpia gozará, pelo resto da vida, de uma calmaria doce como o mel”.

Curiosidade: O suborno transforma os Jogos.

Com o passar do tempo, o idealismo do olimpismo cedeu espaço para a busca do lucro, com a disseminação da corrupção e o uso de substâncias estimulantes. Os atletas olímpicos não eram mais o protótipo do equilíbrio e da perfeição.

Em 388 a.C., o pugilista Eupolos subornou três adversário e se sagrou campeão. Os quatros atletas foram multados e com o dinheiro das multas foram erguidas seis estátuas de Zeus em bronze, chamadas “zanes” e colocadas no Altis. Na primeira, a inscrição: “Não é com dinheiro, e sim com pernas rápidas e um corpo robusto que se alcança a vitória de Olímpia”.

Em 332 a.C., Cálipo de Atenas comprou seus adversários e sua cidade foi multada. Com eles não aceitaram pagar a multa, todos os atenienses foram expulsos dos Jogos.

O fim dos Jogos da Antiguidade

Em 338 a.C., comandados por Filipe II, a Macedônia conquistou a Grécia e os macedônios adquiriram o direito de participar dos Jogos, até então esse privilégio não era concedidos a estrangeiros.

Com Alexandre Magno ou “Alexandre o Grande”, alem de derrotar os persas, por onde passavam, os macedônios derrotaram os persas e por onde passavam, espalhavam o pensamento grego, fenômeno que recebeu o nome de helenismo e representou a decadência dos Jogos.

Em 146 a.C., a Grécia passou a ser uma província romana e os Jogos Olímpicos foram transformados em um mero evento, onde os mais abastados obtinham prestígio social ou satisfaziam seu ego.

Para financiar a sua guerra contra Mitrídates VI do Ponto, o general romano Sula saqueou o Olímpia.

Em 390 d.C., após exterminar dez mil gregos na Tessalônica, o imperador romano Teodósio I foi acometido de uma grave enfermidade e recorreu a Dom Ambrósio (bispo de Milão) pedindo-lhe saúde e tranquilidade.

Após converter-se ao cristianismo e ficar bom, o imperador aceitou todos os desejos do bispo, entre os quais, o de abolir todas as festas consideradas pagãs e, em 393 d.C., os Jogos Olímpicos foram extintos.

Crédito: Domínio Público, via Wikimedia Commons

 

Busto de Teodósio I, em Coca, localidade da província espanhola de Segóvia.

Filúmenos de Filadélfia na Ásia Menor que venceu na luta e um príncipe armênio, Barasdates ou Artabascos ganhador no pugilismo na 287ª edição em 369 d.C., foram os últimos campeões olímpicos da Grécia Antiga.

Curiosidade: O Imperador romano Nero foi campeão olímpico

Após ter alterado o período da 221ª. olimpíada, para coincidir com uma viagem à Grécia, o Imperador romano Nero conduzindo um carro puxado por dez cavalos, mesmo caindo várias vezes e de não ter cruzado a linha de chegada, ele venceu a prova.

Existem duas versões sobre a sua vitória. Uma que ele decretou que não haveria outro concorrente e a segunda, que os outros competidores desistiram quando souberam que o imperador irá participar da prova.

 

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