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Teremos ou não? Especialista avalia possibilidade de Olimpíadas acontecerem e destaca: "Existem pessoas que vivem um ciclo de quatro anos em função dos Jogos"

Maior evento esportivo do mundo está sob os holofotes pelo risco de contaminação do coronavírus, mas carrega por trás vidas que dependem que ele aconteça

Redação Publicado em 08/03/2021, às 12h56

Anéis Olímpicos instalados em Tóquio para a realização dos Jogos - GettyImages
Anéis Olímpicos instalados em Tóquio para a realização dos Jogos - GettyImages

Desde que se soube da gravidade e transmissividade do coronavírus em locais com aglomerações de pessoas, o primeiro grande evento mundial que sofreu com isso foi as Olimpíadas de Tóquio, que seria realizadas em 2020.

O Jogos seriam o lugar ideal para que o vírus se espalhasse e atingisse cada vez mais as populações do mundo, e por isso, o maior evento esportivo teve que ser adiado por um ano, para que pudesse ser realizado de forma mais segura.

A partir dessa data de adiamento, tivemos diversos momentos acontecendo por fora.

Para o COI (Comitê Olímpico Internacional) pesou todo o investimento em infraestrutura e marketing, para os atletas pesou anos se preparando para aquele momento e para o público, ficar pela primeira vez sem acompanhar as modalidades ao vivo ou na TV.

Chegamos em 2021 e estamos há um pouco mais de quatro meses da data de início das Olimpíadas. No entanto, a crise do coronavírus não diminuiu de forma significativa e é aí que entra o questionamento: Os Jogos Olímpicos devem acontecer?

Para responder as diversas perguntas que rondam esse tema, o SportBuzz conversou com o especialista Pedro Oliveira, cofundador da OutField Consulting, que mostrou que um adiamento ou potencial cancelamento da edição deste ano vai muito além do financeiro.

Ao nos depararmos com o anúncio de que as Olimpíadas têm chance de acontecer, é simples imaginar, pelo lado humano e da saúde que seria um evento inviável nesse momento. Porém, existem fatores, pessoas e carreiras por trás disso, assim como explica Pedro.

"A gente não sabe exatamente como é isso, mas existem pessoas que vivem um ciclo de quatro anos em função dos Jogos e as vezes vira uma carreira inteira em função dos jogos e no momento em que você não têm os Jogos, você está tirando daquele profissional o grande momento da carreira dele, o momento pelo qual ele se preparou por muito tempo", disse antes de completar.

"Ano passado, quando os jogos foram adiados por um ano, estava ouvindo alguns atletas aí de altíssimo nível e alguns mais velhos falando que 'putz, talvez eu não tenha mais um ano para esperar. Esse era meu último jogo, minha última Olimpíada e eu não sei se em 2021 eu vou ter mais tempo para me preparar para mais um ano de foco, de preparação, de disciplina e etc. então pode ser que eu nem participe da minha última Olimpíada como eu tinha planejado'. O Federer, por exemplo, possivelmente o maior tenista da história, o cara que pensava em ir para a última Olimpíada dele agora ninguém sabe se ele vai ou não vai", contou.

Ao pensar nas modalidades, as grandes e com mais visibilidade como futebol ginástica artística e natação, por exemplo, ainda conseguem algum espaço na mídia para debater essas questões e conseguirem alternativas para o momento em que ficaram paradas sem treino.

No entanto, Pedro ressalta que é importante lembrarmos também das modalidades que não têm tanta visibilidade assim, e que contam com atletas que vivem apenas disso e em função dos Jogos Olímpicos.

"Se você pensar nas modalidades que têm menos visibilidade, têm atletas que se preparam muito para os jogos então eu acho que tem até esse lado do Comitê Olímpico Internacional de algo muito estrutural, de como funciona o mundo olímpico, o movimento olímpico como eles falam porque têm carreiras que são construídas em cima dos jogos, têm vidas que são construídas em cima dos jogos, então quando você tira isso de alguém que se preparou para isso por muito tempo, têm um risco grande também aí nesse processo", aponta.

Por outro lado, mesmo que as grandes emissoras e patrocinadores tenham capital o suficiente para se manterem mesmo com as possíveis dívidas, ainda assim existem famílias por trás desse evento, que esperam anos para terem um palco tão grande como as Olimpíadas para expor seu produto.

"Eu acho que é super importante, antes de tudo, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e todas as federações associadas a eles terem essa visão de que é um momento atípico", começa dizendo.

"Eu sinto que a grande necessidade de realizar os jogos, a primeira prioridade é sim por questões econômicas, (...) tem várias outras empresas de nível global, da antiga economia, da nova economia, (...) então tem muito recurso que essas empresas colocam aí ao longo de quatro anos para se associar as Olimpíadas e para que no grande momento dos Jogos, eles tenham essa plataforma para trabalhar em cima disso e aí não são só parceiros do COI, têm parceiros dos Comitês Olímpicos locais também, então o Comitê Olímpico Brasileiro têm os patrocinadores dele, o Comitê Americano têm os patrocinadores dele, então é toda uma cadeia que investe muito, trabalha nisso por muito tempo e tem nos Jogos o grande momento de auge", explica.

Na opinião de Pedro, chegou-se no momento em que as Olimpíadas terão que acontecer de um jeito ou de outro, por conta de todos os fatores que foram citados, mas ele ressalta que é uma questão complexa por estarem lidando com vidas.

"Então eu estou fazendo essa contextualização porque têm muito interesse por trás e eu sinto que chegou-se no momento em que os Jogos vão ter que acontecer de um jeito ou de outro. Por isso eu abri a minha resposta falando que é muito importante que caso eles decidam de fato seguir, e eu acredito hoje, como quem acompanha isso, eu imagino que vão seguir por conta de todos esses interesses econômicos, eles tenham todas as precauções todas bem colocadas ali para mitigar riscos (...) Claro que de novo, é super complexo porque a gente está lidando com vidas do outro lado", opinou.

Falando mais profundamente da questão financeira, o COI já teve um grande prejuízo apenas com o adiamento dos jogos, que forçaram com que ações de marketing, camisetas, canecas e banners, por exemplo, fosse deixados de lado.

Isso porque o Comitê foi obrigado a mudar a logo das Olimpíadas, que passou de 2020 para 2021.

Somente com esse adiamento de um ano, Pedro já avalia que houve uma perda milionária, e que caso os jogos fossem cancelados, o cálculo dos prejuízos seria praticamente impossível de se fazer.

"Têm números ali que foram estimados no ano passado quando os jogos foram cancelados, mas estima-se que só no adiamento dos jogos já foram perdidos alguma coisa entre 3 a 5 milhões de dólares e se você cancelar os jogos inteiramente, acho que é inimaginável a perda financeira que você vai ter em cima disso", analisou.

Um dos pontos positivos a favor do COI apresentados por ele é o fato de diversos outros esportes e eventos esportivos terem retornado antes das Olimpíadas, e já ter dado um parâmetro de como lidar com a questão da prevenção e medidas de segurança.

"Então já vão ter exemplos aí dos campeonatos de futebol estão fazendo, o que o esporte americano está fazendo, com a NBA, com a NFL, então tem gente que tá trabalhando com a capacidade reduzida, tem gente que está trabalhando com arenas fechadas, tem gente que testa na entrada da arena, então têm vários protocolos diferentes, então acho que vai ser uma demanda intensa e grande para que eles entendam como aplicar isso no dia a dia dos Jogos", apontou.

Apesar de todos os protocolos que são implementados ao redor do mundo para diminuir o risco de contágio, ainda existem atletas que se contaminam com o novo coronavírus e precisam ser cortados das atividades.

Hoje em dia, ainda com o surgimento da nova variante do vírus, a entrada de brasileiros, por exemplo, está sendo barrada em alguns países como forma de prevenção.

No Japão, um país que é totalmente precavido de questões sanitárias, possibilitar a entrada de uma cepa mais transmissível é algo praticamente descartado. Diante disso, Pedro avalia que como medida de segurança, é possível que alguns atletas não possam embarcar rumo ao Japão.

"Imagino que parte das medidas para mitigar esse risco sejam restrições de entrada no país, da mesma forma que a gente tem restrições de participação em torneios. Então no próprio campeonato brasileiro aconteceu isso, agora no Corinthians, um exemplo do campeonato paulista, na NBA, na NFL isso aconteceu também, então existem as restrições para que os atletas se cuidem, mas a gente sabe que nem sempre você vai conseguir se blindar 100% por mais responsável que você esteja sendo, então eu vejo como uma grande possibilidade que isso aconteça sim", disse.


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