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Tom Brady se despede oficialmente do Patriots e emociona torcedores: "Tenho coisas a provar a mim mesmo"

O novo quarterback do Tampa Bay Buccaneers surpreendeu os fãs ao escrever uma carta aberta; leia na íntegra!

Mariana Millan Publicado em 07/04/2020, às 14h35

Tom Brady
Tom Brady - GettyImages

Nesta segunda-feira, 6, Tom Brady usou a plataforma Players Tribune, escrita apenas por jogadores, para se despedir oficialmente do time New England Patriots, do qual foi quarterback por 20 anos. 

Em uma enorme carta, intitulada “The Only Way Is Through” (O único caminho é atravessar”), o atleta descreveu sua trajetória no time e emocionou os fãs e torcedores. Veja abaixo!

Maior campeão da história da NFL, Tom Brady agora é oficialmente quarterback do Tampa Bay Buccaneers. De acordo com Ian Rapoport, da NFL Network, o contrato de Brady é de 30 milhões de dólares (cerca de R$ 150 milhões) por uma temporada.

Confira, na íntegra, a carta de Tom Brady:

"O que significa mudar e desafiar a si mesmo de novo e de novo? Seja há um mês, no ano passado, cinco ou 10 anos atrás, o fato é que toda pessoa - e todo atleta - enfrenta mudanças. Todo mundo precisa de desafios. Sejam eles físicos, mentais ou emocionais, são parte das vidas de todos. Eu não sou exceção.

Há 20 anos, eu fui a escolha do sexto round do Draft vindo da Universidade de Michigan sem ter certeza de se iria ser draftado. Quando a chamada enfim veio, eu peguei todas as minhas coisas e me mudei para o outro lado do país. Eu não sabia por quanto tempo jogaria pelo New England Patriots ou mesmo se teria a chance de jogar por eles (eu era o quarto quarterback no gráfico de profundidade no meu primeiro ano). Eu não tinha ideia de que passaria os próximos 20 anos no New England ou que começaria uma família lá.

A mesma coisa aconteceu em 2008 também. Eu não poderia ter previsto o que aconteceria quando, no segundo quarto da partida de abertura da temporada contra o Kansas City, rompi o ligamento cruzado anterior e o ligamento cruzado médio e passei os meses seguintes fazendo cirurgia e reabilitação no meu caminho para uma recuperação completa.

Mudanças e desafios são parte da vida. Eles são parte das vidas dos atletas. Eles devem acontecer. Eles precisam acontecer às vezes. Essas mudanças podem ser emocionais também. Desde que tenho ciência, minha carreira, e o futebol americano em geral, foi uma parte extremamente importante e gratificante da minha vida. Mas, tão importante quanto, e às vezes mais gratificante, foram os momentos que passei com minha mulher e meus filhos, e a alegria que senti ao ver minhas crianças crescerem. No meu caso, isso significa sempre verificar comigo mesmo e com eles para garantir que minhas prioridades estejam no lugar certo - e se não estiverem, fazer ajustes.

Não há um manual de receitas, contudo. Encontrar um balança entre as coisas e as pessoas que você ama, e alocar o tempo para ambos, é como cada um de nós amadurece. Benny e Vivian, meus dois caçulas, têm agora 10 e sete anos. Eles não são mais bebês. Isso significa que, ser um pai - e estar lá nos jogos de futebol ou hóquei, e estar presente para eles - significa muito para mim. Encontrar o balanço é um processo contínuo. Está sempre mudando também. Esses dias, por exemplo, meu garoto mais velho, Jack, se juntou a mim algumas vezes para treinar ou arremessar a bola!

Há 20 anos, cheguei em New England vindo de uma costa diferente, de uma parte diferente do país e de uma cultura diferente. Hoje, estou em transição para outro capítulo da minha vida e carreira. Isso envolve juntar todas as coisas que aprendi na minha vida e me mudar para uma diferente costa, uma diferente parte do país e uma cultura diferente. Se isso parece familiar, há uma boa razão. É porque é como tudo começou. Minha jornada nos últimos 20 anos em New England foi incrível. Foi uma longa estrada, e eu não mudaria nada.

Quando os Patriots me draftaram em 2000, eu tinha 22. Eu me lembro de estar sentado na casa dos meus pais em San Mateo, na Califórnia, ficando cada vez menos confiante de que meu telefone tocaria. Mas, mais tarde no Draft, ele tocou. A propósito, no sexto round não é como se o técnico Belichick estivesse do outro lado da linha - eu acho que era seu assistente, Berj: "Só queríamos te dizer que você foi escolhido pelo New England Patriots", disse Berj.

Um misto de excitação e confusão. Fora os quatro anos na universidade em Michigan, eu passei toda minha vida em San Mateo. Eu honestamente não tinha a menor ideia de onde o New England estava. New England era mesmo um lugar? Quando o Draft acabou, eu voei para o Leste, pousando não em Boston, mas em Providence, e dirigindo até o antigo Estádio Foxboro. Era meio de abril. Naquelas primeiras semanas, eu me lembro de tentar orientar a mim mesmo em um lugar que eu não fazia ideia que seria minha casa pelas próximas duas décadas.

Eu não conhecia a Costa Leste. Demorou um pouco para me encontrar, isso pra não mencionar meu senso de direção. O fato é que, não importa onde você viva na Califórnia, o Oceano Pacífico está sempre a um tiro certeiro no oeste. É quase impossível se perder.

Mas, na Costa Leste, tudo é reverso. O Atlântico está ao leste, e o oeste significa quase todo o resto. É o básico para os habitantes de New England, mas demorou um pouco para eu me acostumar. Uma vez que eu consegui, foi meio que de imediato que me dei conta da beleza e do quão única é a região de New England, seja em Martha's Vineyard ou em Nantucket, ou visitando Cape Cod ou nos Berkshires ou no Maine.

Foi a primeira vez que experimentei todas as estações também. Neve e o tempo frio eu conhecia - os invernos de Michigan podem ser mais rigorosos que os de New England, mas eu nunca estive lá no verão. Em New England, eu tive a experiência completa da primavera (longa, lamacenta), verão (bonito, um pouco úmido) e outono (minha época favorita do ano, pois coincide com a temporada de futebol). Eu evoluí para associar árvores nuas e o frescor no ar com o Halloween, e a família em casa para refeições e reuniões nos feriados. Eu passei a amar todas as estações - boa, ruim, quente, fria, com folhas, chuvosa, ensolarada, com neve ou com lama.

Eu também experimentei New England como marido e pai. Jack nasceu na Califórnia, mas passou muito tempo comigo aqui, e Benny e Vivi nasceram em Boston. Ver Benny e Vivi crescerem como cidadãos de New England foi uma incrível experiência. Eles sempre vão pensar em si próprios como cidadãos de New England. De uma forma especial, eu vou também.

Mas, mais que uma lugar físico, são as relações que construí em New England o que mais me fará sentir saudades. Claro que começa com toda a organização do New England Patriots, e Robert Kraft (dono do time) e toda a família Kraft. E continua passando por todos com quem joguei nos meus 20 anos como um Patriot. Colegas e técnicos, do passado e do presente. Velhos amigos, novos amigos, os vizinhos que brincavam de "doces ou travessuras" todos os anos. Mas, principalmente, os fãs.

Se tem uma coisa que posso dizer com certeza é que o cidadão de New England sabe que é ser um fã. Eles são realmente apaixonados pelos esportes. Talvez porque, comparada a Nova York, Chicago ou Los Angeles, Boston pareça menos uma cidade grande do que uma cidade pequena. Mesmo se você não conhece todo mundo em Boston, parece que conhece. Os fãs se sentem parte do time, e meus colegas e eu sentimos o mesmo deles.

O apoio e amor dos fãs de New England sempre foram incondicionais. Muitos momentos maravilhosos chamam a atenção para mim - os campos de treinamento lotados, as paradas da vitória, as dezenas de milhares de torcedores que vinham nos ver no aeroporto cada vez que embarcávamos no avião para o Super Bowl. Vencendo ou perdendo, o número de pessoas que vinha nos receber quando voltávamos para casa era o mesmo. No Estádio, cabem cerca de 70 mil pessoas, e eu nunca deixei de jogar num estádio com ingressos esgotados em toda minha carreira como um Patriot. O quão sortudo eu sou?

"Tomm-eeee! Tomm-eee!". Eu ouvia isso ecoando das arquibancadas e significava muito para mim. O apoio, muitas vezes, foi mais profundo que isso. Recentemente, uma amiga me disse que a irmã dela estava planejando dar o nome de seu primeiro filho, um menino, de Brady. Ela me contou isso, ela disse, então eu me dei conta do impacto que jogar para o New England tinha na vida de tantas pessoas. Ouvindo isso, me senti tão impactado com a ideia de que quando algumas pessoas pensam em mim, é com um calor no coração ou no espírito. Eu não consigo pensar num legado melhor.

Sobre a minha mesa no escritório na minha casa em Brookline tem um poster de Joe Montana (ídolo do futebol americano), meu herói de infância. Está ao lado das fotos dos meus filhos, vestidos com casacos dos Patriots, torcendo por mim pessoalmente no Estádio ou em casa em frente à nossa grande TV. As crianças sempre guardam espaço para seus heróis, e poucas coisas me dão tanta honra que saber que eu faço esse papel para o filho ou filha de alguém.

Eu fui abençoado de crescer em uma família incrível, com amor, pais que me apoiaram e irmãos. Eu deixei San Mateo e voei 3 mil milhas para o outro canto do país, eventualmente criando minha própria família fora de Boston. Agora estou mudando para outro capítulo, outra experiência.

Quando você joga por um time durante 20 anos, a mudança é excitante. É também desafiadora. Guardando tudo que você acumulou nos anos, é natural perguntar: onde eu vou colocar isso tudo no meu novo espaço?

Quando você embrulha tudo, se dá conta de que algumas coisas cabem perfeitamente, outras não mais. Ou você as deixa para trás com o que não mais cabe ou faz um esforço extra para que caibam.

Os desafios e mudanças que estou enfrentando agora são físicos, mentais e emocionais - e o único caminho é em frente. Estou pegando todas as coisas que aprendi ao longo do tempo até agora como atleta e levando para um novo capítulo, enquanto continuo minha jornada como marido e pai com minha família. A coisa mais importante? Aproveitar cada momento. Porque passa tão rápido.

Para mim, jogar futebol não vai durar mais 10 anos. No tempo que resta, a questão é, como eu posso maximizar o que faço, colocar tudo nisso, fazer o melhor possível? Nesse ponto da minha carreira, a única pessoa para quem preciso provar algo sou eu mesmo. Fisicamente, sou capaz de fazer o mesmo trabalho que sempre fiz. Agora preciso ver o que mais consigo fazer. Eu quero ver o quanto eu posso ser bom. Eu quero ouvir outras pessoas falarem: "Vai, cara. Isso é o que queremos. Isso é o que precisamos! Isso é o que esperamos!". Lá no fundo eu sei o que posso fazer. Eu sei o que posso trazer. Agora quero ver na prática.

Meu treinamento e condicionamento não mudou nos últimos anos. Pode ser o intervalo da temporada agora, mas, para mim, parece que já começou. É como ficar preparado para correr uma corrida. Você não pensa na prova ou na linha de chegada. Você está ficando pronto, amarrando seus tênis, se aquecendo, se mantendo ativo, encontrando seu ritmo.

Quando é a hora de começar a corrida, você põe um pé na frente do outro. O resto é com você. Tudo vai acontecer no ritmo que precisa. Você não pode saber como será até lá. Então por que não aproveitar e curtir a jornada?

A vida está sempre mudando e, não importa qual decisão você tome, qual direção você escolha, há uma oportunidade. Escolher deixar New England e o único time que joguei por 20 anos para jogar por um novo time é uma grande oportunidade, uma grande mudança e um grande desafio.

As pessoas me perguntam às vezes o que me motiva. A resposta é simples. Eu amo o esporte. Amo fazer o que faço. Eu quero fazer isso até que não queira mais. Jogar futebol não é algo que você faz sozinho no jardim. Futebol americano é um esporte coletivo, e ter a chance de colaborar com meus colegas é a grande razão pela qual pus o jogo em primeiro lugar.

Tive tantos amigos e colegas ao longo dos anos. Eu sempre fui o cara que não mudava. Como eu disse antes, jogar por um time durante 20 anos foi uma grande e maravilhosa experiência. Mas fazer a mesma coisa por anos e anos tem seus próprios desafios. Um ritmo familiar pode ser reconfortante e incrível. Mas pode fazer também você perder de vista outros ritmos, novos, que te lembrem que não acabou ainda. Um não é necessariamente melhor que o outro - são diferentes, e isso é tudo. Jogar pelo Tampa Bay Buccaneers é uma mudança, um desafio, uma oportunidade para liderar e colaborar, e também para ser visto e ser ouvido. E eu sei que meu tempo lá será incrível de sua própria maneira bem como o que veio antes.

Vai ser diferente - isso vai de acordo com o território. Técnicos diferentes. Jogadores diferentes. Programas diferentes. Agora eu não tenho nenhuma ideia de como chegar ao Estádio Raymond James, ou onde são as salas de reunião, ou onde cada um se senta. Vai ser uma curva de aprendizado, da mesma forma que foi me dar conta de que o Oceano Atlântico é sempre ao leste. Eu estou empolgado. Mais que isso, estou motivado. Quero entregar ao meu novo time, meus novos técnicos e meus novos colegas. Não quero decepcionar ninguém. Eu vou dar tudo que tenho.

As boas-vindas e o calor que recebi dos jogadores e técnicos em Tampa Bay foram gratificantes. Da minha parte, eu amei conhecer um novo grupo de jovens jogadores. Eles me receberam como se eu já fizesse parte deles. Eles querem ouvir o que tenho a dizer. Estou excitado de ser completamente abraçado e pelo que posso trazer aos Bucs. Em troca, eu estou pronto para abraçar um time que confia completamente no que eu faço - e no que eu trago - e que está ansioso para compartilhar essa jornada comigo.

Isso é uma outra grande coisa que acontece quando você se torna mais velho - você quer ver o sucesso de outros jogadores. Muitos veteranos foram mentores para mim como um Patriot. Eles estavam lá por mim quando assinei um segundo contrato. Eles estavam lá nas vitórias do Super Bowl, quando me casei. Eles me viram crescer, evoluir e começar uma família. Juntamente com a oportunidade de ganhar campeonatos, o suporte dos meus colegas mais velhos foi uma parte maravilhosa de jogar como um time. Fazer o que puder para que os jovens possam evoluir como pessoas e jogadores significa muito para mim. Eu aprendi muito durante meus 20 anos em New England - e quero trazer essas coisas para meu novo time.

Agora eu tenho coisas a provar a mim mesmo. A única maneira é seguir adiante. Se eu não o fizer, nunca saberei o que poderia ter conseguido. Querer fazer algo diferente do que já fiz ou do que faço. Se eu estivesse na base de uma montanha e dissesse para mim mesmo que poderia chegar ao topo dela, mas não fizesse nada por isso, qual seria o ponto de tudo?

Eu estou tentando fazer coisas que nunca fiz no meu esporte. É divertido para mim, porque consigo fazê-las. Quando um time de dá uma oportunidade de fazer essas coisas, bem... se não com eles, com quem? Em algum momento, você precisa se atirar ao que está fazendo. Você tem que dizer: 1vamos lá, vamos ver o que podemos fazer'. Eu quero mostrar a todos o que posso fazer".

 
 
 
 
 
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