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A história dos Jogos Olímpicos: Los Angeles 1932

Para entrar no clima de Tokyo, conheça um pouco da história de edições passadas das Olimpíadas

Eduardo Colli Publicado em 19/07/2021, às 08h50

Anéis olímpicos - Getty Images
Anéis olímpicos - Getty Images

1932 – X Jogos Olímpicos – Los Angeles – Estados Unidos

Abertura: 30.jul.1932 – Encerramento: 14.ago.1932

Abertura Oficial: Vice-Presidente Charles Curtis

Juramento dos Atletas: George Calnan

Países Participantes: 37

Total de Atletas: 1332 Homens: 1206 – Mulheres: 126

Brasil (Atletas): 67 - Homens: 66 – Mulheres: 1

Esportes: 18 - Eventos: 117

Quadro geral de medalhas, os 5 primeiros colocados e o Brasil

Quando em 1921, o Barão de Coubertin articulou para que os Jogos fossem em Paris, ele garantiu que a edição de 1932 seria realizada na cidade norte-americana de Los Angeles.

Mesmo com a grave crise econômica vivida nos Estados Unidos, devido à quebra da Bolsa de Nova York em 1929, durante nove anos Los Angeles se preparou para os seus primeiros Jogos aos moldes de uma superprodução de Hollywood.

O governo californiano concedeu uma verba de 1 milhão de dólares e mais 1 milhão e meio foi conseguido através das subscrições de bônus.

Com todo este dinheiro, o Estádio Coliseu, construído em 1923, foi ampliado para receber 105.000 pessoas, um parque aquático para 10.000 espectadores foi inaugurado e o estádio de rúgbi de Pasadena, com capacidade para 85.000 pessoas, foi convertido em velódromo.

Contudo, a obra mais espetacular, no estilo colonial espanhol, foi a Vila Olímpica para alojar as delegações, com 550 pequenas casas pintadas de branco e rosa, contando ainda com grandes jardins, restaurantes, agência bancária e dos Correios, biblioteca e salas de descanso. As 127 mulheres inscritas nos Jogos foram alojadas em um hotel.

Fato absurdo ocorreu com a delegação brasileira que sem dinheiro para enviar a maior parte da delegação, amontoou 69 atletas no navio Itaquicê com 50.000 sacas de café, tendo cada atleta uma cota a vender, para participar dos Jogos.

O resultado financeiro das vendas de café nos portos foi bastante ruim, pois os atletas eram melhores esportistas do que vendedores.

Então os chefes da delegação foram obrigados a escolher apenas aqueles que, técnica e fisicamente, tinham melhor preparo e mais chances de levar medalha em suas disciplinas. Apenas 45 atletas desembarcaram no Porto de São Pedro, a 19 quilômetros de Los Angeles, onde atracou o Itaquecê para o desembarque da delegação.

Os outros 24 atletas ficaram no navio. Graças aos bolsos de suas famílias, mais 21 esportistas, que viajaram por conta própria, juntaram-se aos 45 eleitos em Los Angeles, completando a equipe que finalmente participou dos Jogos.

O desfile de Abertura ocorreu no dia 30 de julho, e contou com apenas 37 países – devido à distância de Los Angeles e à crise econômica neste momento mundial - e 1.332 atletas, menos da metade de quatro anos atrás.

No programa de eventos esportivos, houve o retorno do boxe e a exclusão do futebol.

Outras novidades foram, a inclusão do pódio com os três lugares em desnível, o hasteamento das bandeiras com a execução do hino do vencedor, durante a cerimônia de premiação, e a utilização do sistema de “photo-finish” para elucidar os possíveis empates nas provas de atletismo.

Pela primeira vez, os Jogos duraram 2 semanas e no dia 14 de agosto, após a disputa do Grande Prêmio das Nações de hipismo, a cerimônia de encerramento ocorreu com muitas bandeiras e o público gritando o slogan havaiano “Aloa”, em sinal de adeus.

 

A medalha de 1932 

Medalha olímpica de 1932 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Medalha idêntica à medalha de 1928, exceto pela inscrição: "Xth OLYMPIAD LOS ANGELES 1932" (´X Olimpíadas LOS ANGELES 1932´).

Maiores medalhistas

 

Atleta País Esporte Total Ouro Prata Bronze
Romeo Neri Itália Ginástica 3 3 0 0
             
Helene Madison  Estados Unidos Natação 3 3 0 0
             

Destaques

Eddie Tolan, vitória pelo dorso

Eddie Tolan 1932 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Depois do fracasso nas provas de velocidade em Amsterdã, os norte-americanos foram à forra e venceram cinco das seis provas, com destaque para o pequeno Thomas “Eddie” Tolan, de 1,65 de altura que, nos 100m rasos, venceu o compatriota Ralph Metcalfe, de 1,83 metro, estabelecendo ambos a marca de 10,3 segundos, novo recorde mundial, e deflagrando uma polêmica para saber qual dos dois era o vencedor.

Apesar de alguns juízes optarem pela vitória de Metcalfe, ao ser analisado o photo-finish decidiu-se pelo corredor com o dorso à frente: Tolan.

Ele venceu também os 200m e participou do quarteto formado exclusivamente por atletas brancos (talvez por racismo), ganhando sua terceira medalha de ouro no revezamento 4 x 100 metros.

 

A primeira superatleta: Mildred “Babe” Didrikson

A americana Mildred Didrikson, descendente de noruegueses e apelidada de “Babe”, meses antes dos Jogos Olímpicos, em campeonato no seu país, participou de oito provas e ganhou cinco.

Em Los Angeles, em duas horas e meia, com mais tempo entre as provas, ganhou os 80metros com barreiras e o lançamento do Dardo, ficando em segundo no salto em altura porque seu melhor salto foi anulado por ter passado primeiro a cabeça e depois as pernas; do contrário teria igualado à marca da primeira colocada.

Seis meses depois Babe seria declarada profissional por ceder seu nome a uma campanha de vendas.

Passando a jogar Golfe, ganhou dezessete torneios internacionais entre 1934 e 1950, sendo várias vezes a primeira no ranking mundial. Eleita “A Melhor Atleta da Primeira Metade do Século XX”, Babe morreu de câncer aos 42 anos.

 

Tarzan, Buck Rogers e Flash Gordon: Buster Crabbe

Buester Crabbe 1932 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Apesar do japonês Takashi Yokoyama ter dominado os 400 livres desde as eliminatórias, a final foi marcada por um emocionante duelo entre o francês Jean Taris, recordista e campeão mundial, e o americano Buster Crabbe.

Na metade da prova Taris liderava com dois corpos de vantagem quando, na marca dos 300 metros, a vantagem caiu para um corpo. Faltando 25 metros para o término da prova Crabbe o igualou, vencendo por apenas 1 centésimo de segundo.

Relembrando a vitória anos depois, Crabbe declararia: “foi o centésimo de segundo que mudou a minha vida e fez com que os produtores de Hollywood descobrissem o meu talento artístico”!

Ele se tornou famoso ao atuar também como Tarzan, Buck Rogers e Flash Gordon, morrendo no dia 23 de abril de 1983, aos 75 anos. 

 

Três atletas e dois ouros: Irlanda

A equipe da Irlanda do Norte, formada por apenas três atletas, saiu de Los Angeles com duas medalhas de ouro.

Patrick O’Callaghan - Créditos / Wikimedia Commons

 

A primeira do médico Patrick O’Callaghan, que se sagrou bicampeão no Arremesso do Martelo com novo recorde mundial; e a segunda de Morton Tisdall nos 400m

com barreiras com o tempo de 51,8 segundos, que deveria ser um recorde olímpico e mundial, mas como Tisdall derrubou a última barreira, foi considerada a marca obtida pelo segundo colocado, do norte-americano Glenn Hardin, como estabelecia o regulamento da época.

 

A primeira dúvida de sexo: Stanislawa Walasiewicz

Stanislawa Walasiewicz - Créditos / Wikimedia Commons

 

A maior controvérsia das Olimpíadas foi a primeira dúvida sobre o sexo da polonesa Stanislawa Walasiewicz, residente nos Estados Unidos, mas competindo por sua pátria de nascimento.

Com traços masculinos e poucas formas femininas, ganhou com facilidade os 100 metros.

Após os Jogos ela naturalizou-se americana e ganhou 28 títulos nacionais em diversas provas durante quase 20 anos (100, 200, 80 com barreiras, salto em distância e lançamento do disco). Na biopsia após sua morte ficou comprovado que na verdade Stanislawa era um homem.

 

Uma Medalha por Comida: George Roth

O norte-americano George Roth (ouro no Club Swinging), que chegou a ficar 15 dias sem comer durante a grande recessão de 1929, por estar desempregado, passou a treinar para os Jogos na Vila Olímpica, a troco de comida para sua mulher e sua filha. Para ter sorte na competição, ele apresentou-se com uma botinha de sua filha dentro da sua sapatilha.

 

O Ironman brasileiro

É muito interessante o relato do espírito olímpico de Adalberto Cardoso, inscrito pela equipe do Brasil para a prova de 10.000m rasos. Disposto a participar de qualquer maneira, ele percorreu a distância de quase 400 km entre São Francisco, onde o barco brasileiro ficou finalmente aportado, e Los Angeles a pé, correndo e de carona... Levou um dia, chegando dez minutos antes da prova!!!

A história imediatamente se tornou pública e Adalberto Cardoso, mesmo terminando a prova em último lugar, foi aplaudido pela plateia— que, como ele, entendeu o ideal do Olimpismo que tinha inspirado o Barão Pierre de Coubertin: O importante é competir”, como bem o diz o site oficial do COB.

No dia seguinte, os jornais o batizaram de Iron Man, o Homem de Ferro.


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