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A história dos Jogos Olímpicos: Antuérpia 1920

Para entrar no clima de Tokyo, conheça um pouco da história de edições passadas das Olimpíadas

Eduardo Colli Publicado em 14/07/2021, às 08h13

Anéis olímpicos - Getty Images
Anéis olímpicos - Getty Images

1920 - VII Jogos Olímpicos –Antuérpia – Bélgica

Abertura: 20.abr.1920 – Encerramento: 12.set.1920

Abertura Oficial: Rei Alberto I

Juramento dos Atletas: Victor Boin

Países Participantes: 29

Total de Atletas: 2626 Homens: 2561 – Mulheres: 65

Brasil (Atletas): 21 - Homens: 21 Mulheres: -

Esportes: 25 - Eventos: 154

 

Quadro geral de medalhas, os 5 primeiros colocados e o Brasil

 

Em 10 de abril de 1915, o Comitê Olímpico Internacional por decisão do Barão de Coubertin foi estabelecido definitivamente na cidade suíça de Lausanne.

No ano seguinte, os Jogos foram cancelados devido a I Guerra Mundial.

Encerrado o conflito, o Barão trabalhou intensamente e em 1919, a cidade belga de Antuérpia foi escolhida para sediar as Olimpíadas.

Como a expulsão de qualquer país era contra os princípios do COI, para ceder à pressão pela não participação dos países derrotados na I Guerra Mundial, habilmente o Barão aconselhou e o Comitê Organizador não convidou: Alemanha, Áustria, Bulgária, Hungria, Turquia, Romênia e Polônia. Também ficou de fora a Rússia, dividida pela guerra civil.

Pela primeira vez, Austrália e Nova Zelândia participaram com equipes separadas.

Sem dinheiro, em meio às ruínas da guerra, Antuérpia construiu às pressas o Estádio Olímpico com pista de 400 metros para o Atletismo e arquibancadas de madeira com capacidade para apenas 30.000 espectadores. Todas as instalações eram simples e funcionais.

Estádio Olímpico de Antuérpia - Créditos / Wikimedia Commons

Após uma missa em homenagem aos milhões de mortos da I Guerra Mundial, celebrada na catedral da Antuérpia, presidida pelo rei Alberto I, a cerimônia oficial de abertura foi realizada no dia 14 de agosto e apresentou como grandes novidades à estreia da bandeira olímpica e o juramento dos atletas pronunciado pelo jogador de polo aquático belga, Victor Boin.

O hóquei no gelo – que posteriormente se tornou o mais popular esporte das Olimpíadas de Inverno –, foi a novidade do programa.

O Brasil representado por 21 homens, debutou nos Jogos e voltou para a casa com três medalhas, uma de cada posição no pódio, todas obtidas nas provas do Tiro Esportivo e terminou na décima quinta posição no quadro de medalhas, sua melhor colocação até hoje.

No dia 12 de setembro, ao final das provas de Hipismo, as Olimpíadas de Antuérpia foram encerradas sem cerimônia de encerramento.

Mesmo não celebrada a Olimpíada de 1916, a contagem continuou por determinação do Barão.

A medalha de 1920

Medalha Olímpica de 1920  - Créditos / Wikimedia Commons

Frente: um homem alto, atleta nu, segura com a mão esquerda a folha de palma e a coroa de louros, símbolos da vitória. Atrás dele, figura do “Renommée” tocando o trompete. Ao fundo, um friso com motivo grego com a inscrição "VII Olympiade" (´VII Olimpíadas) embaixo.

Verso: o monumento Antuérpia, relembrando a lenda do soldado Silvius Brabo que matou o gigante Druon Antigoon, que aterrorizava o Rio Scheldt, jogando a mão do gigante no rio. Ao fundo, a catedral e o porto de Antuérpia. Na metade superior, a inscrição "ANVERS MCMXX” (‘Antuérpia 1920´).

Conta à lenda que na Antiguidade, este gigante cruel cobrava pedágio de todos os navios no rio Scheldt. Caso o capitão se recusasse pagar, o gigante cortava uma mão. Druon espalhava o terror entre os marinheiros por muitos anos. Um dia, o corajoso soldado romano Silvius Brabo o matou. Como vingança por suas vítimas, ele cortou a mão do gigante e a jogou no rio. Essa é a origem do nome da cidade: "Antwerp" que significa "mão lançada".

 

Maiores medalhistas

  Atleta País Esporte Total Ouro Prata Bronze
Masculino Willis Lee Estados Unidos Tiro Esportivo 7 5 1 1
               
Feminino Ethelda Bleibtrey Estados Unidos Natação 3 3 0 0

 

Destaques

As primeiras medalhas brasileiras, uma de cada cor

Participando pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, a delegação brasileira voltou para casa com uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze, todas conquistadas nas provas de Tiro.

Nascido em Belém do Pará em 1884, o então tenente Guilherme Paraense tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro olímpica após vencer a prova Pistola de Tiro Rápido, na qual totalizou 274 pontos. Guilherme, que era uma pessoa reservada e não se sentia à vontade para falar sobre suas conquistas e sua importância para o esporte em nosso país, morreu em 1968 como coronel do exército.

O bronze veio na Pistola Livre por Equipes, com Afranio da Costa, Guilherme Paraense, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade. A equipe vencedora foi a dos Estados Unidos, da qual fez parte o doutor James H. Snock, professor de Veterinária na Universidade de Ohio, que em junho de 1929 violentou e matou a golpes de machado sua amante Theora Hix e oito meses depois morreria na cadeira elétrica.

Na Pistola Livre, usando uma arma Colt 22 emprestada pela equipe americana, e munição do terceiro colocado, o americano Alfred Lane, o advogado brasileiro Afrânio da Costa foi o segundo colocado. Homem conceituado na sociedade carioca, Afrânio tornou-se juiz de direito e posteriormente ministro do Supremo Tribunal Federal.

Paavo Nurmi

Paavo Nurmi em 1920 - Créditos / Wikimedia Commons

 

O maior destaque dos Jogos foi o finlandês Paavo Nurmi, que aos 23 anos, 1,72 metros de altura, de temperamento tímido e solitário, não fumava ou bebia, foi influenciado para o Atletismo pelo ídolo Hannes Kolehmainen, após perder os 5.000 metros para o francês Joseph Guillemot, foi a forra nos 10.000 metros no qual no “sprint” final ganhou com 2 segundos de vantagem.

Nos 10.000 metros cross por equipes, com a desistência de Joseph, Paavo bateu no final da prova o sueco Backman por apenas 6 segundos e levou a equipe da Finlândia ao ouro.

A divina Suzanne Lenglen

Suzanne Lenglen em 1920 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Na juventude, Suzanne sofria com a asma crônica e por isso, seu pai a colocou para praticar o tênis e logo, ela demonstrou seu talento que a levou a muitos títulos: 16 em Roland-Garros, 15 em Wimbledon e a medalha de ouro em simples e em duplas mistas ao lado de Max Decugis. Apelidada de “Divine” foi a primeira grande estrela internacional do tênis feminino.

Ethelda Bleibtrey nadou sem as meias e foi presa .....

Ethelda Bleibtrey em 1920 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Ethelda Marguerite Bleibtrey começou a nadar para se recuperar da poliomielite, que contraiu em 1917.

Em 1919, ela tirou as meias em uma piscina onde era proibido expor "as extremidades femininas inferiores para o banho público" e foi presa.

Em 1919, ela foi presa por "nadar nua" - ela tirou as meias em uma piscina onde era proibido expor "as extremidades femininas inferiores para o banho público". O apoio público, as meias como um elemento convencional em trajes de banho femininos foram abandonadas.

Recordista mundial de vários enventos, Ethelda ganhou três medalhas de ouro: 100 e 300m livres e no revezamento 4 x 100m livres

O único campeão de Verão e Inverno, Edward P. Eagan

Edward P. Eagan em 1920 - Créditos / Wikimedia Commons

 

O meio-pesado americano Edward Eagan é o único atleta de todos os tempos a conseguir a medalha de ouro nos Jogos de Verão de Antuérpia e nos Jogos de Inverno de Lake Placid, em 1932, onde ganhou no Trenó de Velocidade para quatro ocupantes.

Performance de vitórias do americano Edward P. Eagan nos Jogos Olímpicos de Verão em Antuérpia - 1920, e nos Jogos Olímpicos de Inverno em Garmisch-Partenkirchen - 1936:

BOXE: 1920 - Meio-Pesado

BOBSLED (Trenó de Velocidade para 4 ocupantes): 1936 - Edward P. Eagan, Jay O’Brien, Clifford Gray e Billy Fiske - 7:53.68 (tempo). 

 

Philip J. Noel-Baker, da medalha de prata ao Prêmio Nobel da Paz

O britânico Albert Hill que já havia vencido os 800 metros, triunfou novamente nos 1.500 metros, na qual bateu seu compatriota Philip J. Noel Baker por 6 segundos, que em 1959 foi condecorado com o prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o desarmamento.

 

O pai do Surf Duke Paoa Kahanamoku

Duke Paoa Kahanamoku - Créditos / Wikimedia Commons

 

Duke Kahinu Makoe Hulikohoa Kahanamoku nasceu em 28 de agosto de 1890, no palácio da Princesa Ruth em Honolulu e recebeu o nome de Duke em homenagem a visita do filho da Rainha Vitória, o Duque de Edimburgo ao Havaí. Em Estocolmo, Kahanamoku impressionou os espectadores ao nadar o estilo “crawl” (com a técnica que usada até hoje) e por sua força tornou-se um dos mais populares atletas dos Jogos.

Devido a um desentendimento de horário, os americanos não compareceram nas semifinais, mas através de uma prova extra, classificaram-se para a final dos 100 livres, onde Kahanamoku venceu com mais de 1 segundo de vantagem sobre Cecil Healy da Austrália.

 

O inventor da esgrima moderna

A atuação de Nedo Nadi foi espetacular em Antuérpia, onde ganhou as provas individuais do Florete e do Sabre e, nas competições por equipes, liderou a Itália na conquista do Florete, Espada e Sabre.

Passeio de cinco medalhas de ouro em seis provas disputadas, simplesmente um feito sem igual neste esporte.

Performance de 6 vitórias do italiano Nedo Nadi nos Jogos Olímpicos de 1912 até 1920:

Ano           Prova                      Vitórias           Derrotas

1912   Florete Individual          7                          0

1920   Florete Individual        10                         1

1920   Florete por Equipes     4                           0

1920   Espada por Equipes     5                           0

1920   Sabre Individual*         11                         0

1920   Sabre por Equipes        7                           0


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