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Lucão faz balanço da carreira no vôlei e avalia momento da seleção: "Ninguém tem vaga garantida"

Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, Lucão relembrou os primeiros títulos no mundo do vôlei

Guilherme Assumpção Publicado em 09/11/2021, às 15h04 - Atualizado às 15h53

Lucão é um dos atletas mais vitoriosos da história do vôlei - GettyImages
Lucão é um dos atletas mais vitoriosos da história do vôlei - GettyImages

Nascido no Rio Grande do Sul, Lucão quase não ingressou no mundo do vôlei durante seus primeiros passos no esporte. Porém, o atleta teve que superar o fim de uma equipe de basquete para se adaptar a uma nova possibilidade para o futuro.

Assim, Lucão ganhou a chance de dar seus primeiros saltos para descer as pancadas numa bola de vôlei. Com os momentos iniciais no novo esporte, o gaúcho passou a se destacar e encontrou na modalidade uma nova chance para o futuro dentro das quadras.

Apesar do destaque inicial, Lucão mal imaginava que aqueles saltos dentro da quadra poderiam colocá-lo na lista dos jogadores mais vitoriosos da história do voleibol. Com grandes ataques, o central do Vôlei Renata/Campinas se tornou um dos grandes nomes do esporte brasileiro.

Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, Lucão relembrou o início da carreira e fez um balanço completo sobre os inúmeros títulos conquistados nas quadras de vôlei mundo afora, além de analisar o atual momento do Brasil e comentar a disputa das Olimpíadas de 2020. Confira!

INÍCIO DA CARREIRA!

Como citado anteriormente, Lucão deu os primeiros passos no esporte nas quadras de basquete. No entanto, a equipe perdeu o patrocínio e ‘obrigou’ que os atletas buscassem outro rumo dentro do colégio.

Assim, Lucão teve que se virar para encontrar uma nova possibilidade, já que precisava se encaixar em um novo esporte para manter a bolsa de estudos. E foi aí que o vôlei apareceu como uma salvação na vida do multicampeão.

Lucão é um dos atletas mais vitoriosos da história do vôlei (Crédito: GettyImages)

 

Minha entrada no voleibol foi meio sem querer. Eu jogava basquete até meus 15 anos e recebi uma bolsa de estudos numa escola para estar jogando basquete. Só que já no começo, o basquete perdeu o patrocínio e para eu continuar com a bolsa de estudos fui obrigado a fazer um outro esporte para poder bancar minha bolsa”, contou o central da Seleção Brasileira.

E no momento lá no meu colégio tinha ou atletismo ou voleibol, que já era mais estruturado e já tinha uma certa qualidade tanto no masculino como no feminino. E o treinador na época me convidou para fazer os dois esportes. Continuei fazendo vôlei e o atletismo. Mas como eu comecei a jogar bem, comecei a ter um certo respaldo do voleibol, eu optei por ficar depois só no vôlei”, relembrou Lucão.

PRIMEIROS TÍTULOS!

Com o início da carreira no voleibol, Lucão deu seus primeiros passos como atleta na Ulbra, que foi defendida pelo jogador por três temporadas. Contudo, o destaque mesmo veio com a camisa do Cimed/Florianópolis.

Por lá, Lucão conquistou três títulos da Superliga (2007-2008, 2008-2009 e 2009-2010). Já ao lado do parceiro Bruninho na equipe, o central foi questionado pela reportagem sobre o que aquele time tinha de diferente para ter obtido tanto sucesso com jogadores tão jovens.

Eu acredito que a equipe da Cimed em si foi vitoriosa desde o primeiro ano. Eles conseguiram montar um esquema muito bacana de jogadores experientes com uma garotada que estava em ascensão no voleibol nacional, que estavam começando a surgir ou outros que já estavam em ascensão. Tanto que ganharam no primeiro ano de projeto. Foram vice-campeões brasileiros e depois a gente teve o tricampeonato”, relembrou.

 
 
 
 
 
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Daquele vice-campeonato brasileiro para os outros três anos, a equipe teve uma mudança muito grande principalmente na área do plantel do time titular. Ali eles inverteram aquela ideia de um time mais experiente dentro de quadra, já era um time que estava acostumado a decisões. Nesse outro ano, eles optaram por ter uma mescla maior de jogadores que estavam surgindo e jogadores que tinham feito boas temporadas em times menores e que não tinham tanta expressão, mas que era uma aposta de crescimento”, explicou Lucão.

E acabou que isso deu certo porque todos ali tinham o mesmo pensamento, todos tinham a mesma ideia de crescimento, de poder chegar no auge da sua carreira, de chegar numa Seleção Brasileira. Então toda essa forma de pensar muito parecida fez com que o time tivesse uma liga muito boa. E acabamos criando uma amizade muito grande entre o grupo todo. Então acho que isso acabou fazendo com que a gente tivesse uma unidade muito forte durante esses três anos”, completou.

RJX!

Após o grande destaque com a camisa do Florianópolis, Lucão teve uma passagem pelo Vôlei Futuro antes de chegar ao projeto do RJX no ano de 2011. Por lá, o central conquistou mais um título da Superliga e citou a mesma qualidade da equipe sulista para lembrar de mais um troféu.

No RJX, eu acho que nesse segundo ano [2012] acabou acontecendo muito parecido. Vieram alguns daqueles atores que estavam na Cimed naqueles títulos, só que num momento totalmente diferente, num momento onde todo mundo já tinha uma responsabilidade a mais, com os jogadores já concretizados. A grande maioria já tinha participado da Olimpíada de 2012”, contou Lucas.

Então a gente ali já éramos praticamente atletas formados, só que com a mesma ideia de unidade. Então é aquilo que eu falei. Não adianta você ter o melhor time do mundo, montar um melhor time se as pessoas em si não se dão bem e não tem o mesmo foco ou o mesmo objetivo. Isso eles conseguiram fazer muito bem no RJX nesse segundo ano”, acrescentou.

 
 
 
 
 
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DESAFIO NA ITÁLIA!

Depois de mais um título conquistado na carreira [RJX – 2012-2013], Lucão partiu para o Sesi e optou por se aventurar em solo italiano após duas temporadas na equipe paulista. Por lá, o jogador conquistou mais três títulos para sua galeria de troféus.

No entanto, Lucas vestiu a camisa do Modena com outro objetivo. De olho nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, o central decidiu se arriscar numa liga mais forte para chegar com tudo e buscar o tão sonhado ouro com a Seleção Brasileira de vôlei.

No Modena, Lucão [à direita] conquistou mais três títulos no mundo do vôlei (Crédito: GettyImages)

 

Eu escolhi ir para a Itália porque estava meio desanimado com o que tinha acontecido em 2012 [derrota nas Olimpíadas], achava que eu tinha que jogar uma temporada anterior às Olimpíadas num campeonato mais forte para chegar num nível melhor e conseguir representar bem o Brasil. Então foi essa a minha escolha de ter ido para a Itália”, revelou.

Eu tinha fechado dois anos, mas acabou que depois eles perderam o patrocinador principal e eu tive que vir embora. E é engraçado que lá na Itália acabou acontecendo novamente isso que tinha acontecido nos outros times. Uma unidade de grupo muito boa, uma mistura ali de jogadores que já tinham um respaldo. Eu, o Bruno, o próprio Ngapeth na época. Já eram jogadores que tinham uma certa moral no mundo do voleibol, com outros jogadores que estavam surgindo”, completou o jogador.

Então acabou casando muito bem e foi mais um ano que eles conseguiram montar um time que encaixou e se deu muito bem durante toda a temporada. E foi uma experiência fantástica. Em termos de crescimento é bom demais poder jogar fora, numa liga muito forte onde você tem que estar jogando o tempo inteiro bem”, detalhou Lucão.

 
 
 
 
 
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SELEÇÃO BRASILEIRA!

Após ir para a Itália de olho nas Olimpíadas, Lucão voltou ao Brasil e conquistou a tão sonhada medalha de ouro dentro de casa no ano de 2016. Depois do feito histórico, o central e seus companheiros foram em busca de mais uma dourada em solo japonês em agosto de 2021.

Contudo, o resultado final não foi como o esperado. Apesar de uma boa campanha, a Seleção Brasileira se complicou na disputa da semifinal contra a Rússia e depois acabou sendo superada pela Argentina na disputa do terceiro lugar.

 
 
 
 
 
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Questionado pela reportagem do SportBuzz sobre o que pode ter acontecido entre a disputa da Liga das Nações, que terminou com o título do Brasil, e das Olimpíadas, Lucão citou o equilíbrio entre as seleções. Segundo ele, a situação já era algo esperado por todos.

Sinceramente, eu acho que nada. Se a gente for pegar o reflexo dos últimos anos, o Brasil sempre esteve em primeiro, segundo, ou terceiro, buscando os títulos e o resto tendo uma variação muito grande. Mas a gente já sabia que esse campeonato [Olimpíadas] poderia ser decidido entre cinco, seis ou até sete equipes e foi o que a gente conseguiu ver”, disse Lucão.

Os Estados Unidos, por exemplo, foram uma equipe que desde a primeira partida era considerada a grande favorita pelo voleibol que apresentou e depois nem classificou. A própria Polônia que vinha jogando muito bem caiu fora nas quartas. A França perdendo para a Argentina e depois sendo campeã olímpica. É um equilíbrio muito grande que a gente tem no voleibol mundial hoje”, falou.

Com Lucão na quadra de vôlei, Brasil terminou as Olimpíadas no quarto lugar (Crédito: GettyImages)

 

DISPUTA DO TERCEIRO LUGAR!

Já sobre a disputa pela medalha de bronze, Lucão reconheceu que o Brasil teve dificuldades para se recuperar da derrota na semifinal diante da Rússia e tentar subir ao pódio. Na visão do experiente jogador, o país sempre demonstrou esse entrave no voleibol masculino.

Seria um equilíbrio muito grande, um momento onde a equipe que tivesse um fator psicológico mais forte, de aguentar perder e depois voltar. Coisa que a gente não conseguiu fazer muito bem. A gente não sustentou aquela derrota na semifinal onde tínhamos um set ganho praticamente e acho que aquilo ali baixou um pouquinho a nossa resiliência e a gente não soube disputar o terceiro e quarto”, disparou.

Coisa que o Brasil em si no voleibol masculino principalmente não consegue fazer. Se bobear a única parte que temos mais derrotas do que vitórias é em disputas de terceiro e quarto. A gente não chegar numa final machuca muito e não vou dizer que a gente larga, mas a dor não passa e é uma coisa que temos que aprender. Aprender que qualquer medalha é importante num voleibol tão equilibrado como está”, pediu Lucão.
 
 
 
 
 
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FUTURO DA SELEÇÃO!

De olho no próximo ciclo olímpico, Lucão reconheceu que algumas mudanças podem acontecer na equipe do Brasil, mas descartou a possibilidade de haver uma renovação muito grande. Para ele, o momento pode ser de afirmação para jogadores com menos tempo de seleção.

Eu acho que para esse novo ciclo a renovação não seja tão grande assim. Claro que talvez jogadores que eram reservas, que não eram tão principais na equipe, eles comecem a ter um valor maior. Só que se a gente for pegar, Leal já disse que quer disputar de novo, Lucarelli tenho certeza que vai. Então, a base da equipe acredito que não mude muito. Claro que ninguém tem vaga garantida, ninguém tem nada garantido dentro da seleção onde a gente tem jogadores de alto nível”, iniciou. 

Lucão já deixou claro que segue à disposição da seleção de vôlei (Crédito: GettyImages)

 

Agora, a gente pegou um Douglas [Souza] indo para fora, indo jogar um campeonato mais forte, que eu acho que em termos de crescimento técnico para ele vai ser fantástico. A gente tem o Adriano surgindo, que tem uma chance de disputar. No próprio meio de rede, a gente tem com certeza uma briga nesse ciclo que vai ser mais pesada ainda porque tem jogadores que estão chegando e tem jogadores que ali dentro já tinham uma moral muito grande”, disse Lucão.

Então é ver como a gente se apresenta agora nesse próximo ano, tem Mundial, é um ano importante. A gente não teve essa quebra entre Olimpíada e Mundial, que são dois campeonatos muito pesados. Então é ver como a gente vai responder voltando agora para esse ciclo novo”, finalizou.

TÍTULO MAIS IMPORTANTE – CLUBES!

- Em clube com certeza foi a primeira Superliga que a gente teve com a Cimed lá no Rio de Janeiro. Foi uma vitória bem suada assim, bem complicada e já num primeiro ano onde eu estava conseguindo jogar mais. Então ali foi bem especial para mim.

TÍTULO MAIS IMPORTANTE – SELEÇÃO!

- É que a Olimpíada é um sonho de qualquer atleta. Eu acho que geralmente o que marca é o primeiro título que eu tive com a Seleção Brasileira. Em Belgrado, em 2009, com a Liga Mundial. Foi o meu primeiro ano como titular. Uma pressão muito grande lá dentro. Tinha mais de 20 mil pessoas e a gente sendo xingado, galera jogando isqueiros, moedas e o jogo foi uma briga gigantesca. Então aquele campeonato ficou muito marcado para mim pelo tipo de final que aconteceu. Pela guerra que foi.


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