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Mais Esportes / BASQUETE!

Ex-jogador cria time gay de basquete; conheça o Royalz BKT

Coletivo foi fundado em 2022 e promove espaço livre de homofobia

Redação Publicado em 28/08/2023, às 19h24

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O coletivo não tem espaço para o preconceito e a homofobia - foto: Livia Camillo/Superesportes
O coletivo não tem espaço para o preconceito e a homofobia - foto: Livia Camillo/Superesportes

Sem espaço para opressão e homofobia, o coletivo Royalz BKT foi fundado em 2022, com o objetivo de promover um espaço de acolhimento, Como diz Robert, de 28 anos, um dos integrantes do time: “Aqui a gente pode dar um close sem medo de sofrer homofobia”.

Todas as sextas-feiras, a partir das 20h, na capital paulista, o grupo se reúne, esteja frio ou calor, no Parque da Aclimação, para jogar basquete. E a única divisão feita é enfre um grupo de veteranos e outro de iniciantes. Aberto para quem estiver disposto a entrar sem preconceito, o Royalz BKT é mais do que um lugar apenas para aprender os lances do esporte.

Em entrevista ao site Superesportes, o fundador do coletivo, Jefferson Campos, de 32 anos, declarou: "Quando eu vejo a quadra cheia é muito gratificante. Eu não imaginava que ia ter esse tipo de representatividade, esse tipo de apoio e nem toda essa visibilidade. Nós estamos acostumados a ficar dentro do armário, esconder a nossa identidade", desabafou o ex-jogador profissional.

O Brasil lidera o ranking de países que mais mata pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ e o ambiente esportivo, muitas vezes, afasta aqueles com aptidão para os esportes pela falta de segurança - ou, então, inibe-as de ser quem realmente são. 

"Aos 14, 15 anos, eu já tinha plena consciência da minha sexualidade. E aí, vim ao longo da minha carreira, tanto na amadora quanto profissional, vendo amigos meus tendo que deixar as quadras por conta da sexualidade. Alguns resolveram estudar e, depois que saíram das equipes, assumiram a homossexualidade. Então, eu sabia que no basquete isso não seria bem aceito. No esporte de forma geral é assim, e o basquete é machista e homofóbico pra caramba", conta Jeff.

Desse modo, o Royalz BKT surge como o oposto disso, criando um lugar onde as pessoas podem ser quem são e praticar o esporte com segurança. Tendo integrado equipes de diversos times de ponta do país e competido em países da Europa, o treinador sempre acabou se deparando com a orientação sexual como um dilema. Foi então que surgiu a ideia de um time com uma equipe composta apenas por gays.

Contudo, isso só aconteceu após sua aposentadoria, que se deu por conta de uma grave lesão. Com o trauma, veio a liberdade. "O passo de me assumir publicamente foi muito grande. Saí do armário em um dia dos namorados. Postei uma foto com o Júnior (noivo de Jeff) e foi aí que as pessoas realmente souberam que eu sou gay. Fiquei preso no armário durante toda a minha carreira, então sair foi libertador", relembra.

"Com isso, ganhei uma visibilidade legal, porque joguei 14 anos profissionalmente e acaba chamando a atenção, né? Então, usei essa visibilidade para algo positivo: divulgar o Royalz. Nós começamos no dia 9 de setembro (de 2022) e, desde então, só crescemos", encerrou.
*com colaboração de Savanna Machado