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Café da manhã nas alturas: paraquedistas vivem aventura a bordo de um balão a 6 mil pés

Videomaker e paraquedista Daniel Cajal relata como foi desde o preparo à execução da aventura com amigos

Jessica Chalegra Publicado em 01/12/2022, às 17h31 - Atualizado às 18h30

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Café da manhã aconteceu no Céu - Divulgação
Café da manhã aconteceu no Céu - Divulgação

Você já imaginou como seria tomar o café da manhã, a seis mil pés de altura, durante o nascer do sol? Essa foi a proposta do projeto “Café da manhã nas alturas”, idealizado pelo paraquedista e videomaker Daniel Cajal, junto com três amigos que, assim como ele, têm o paraquedismo como paixão e profissão. Em uma mesa içada a um balão de 25 metros, eles viveram essa aventura e registraram tudo.

A ideia surgiu despretensiosamente, há um ano. Cajal conta que, em uma roda de amigos paraquedistas, sugeriu que tomassem café da manhã nas nuvens, como um piquenique. A sugestão logo foi acatada, então começaram a pensar como ela seria executada. Para tornar o projeto realidade, foram seis meses de pré-produção, e vários profissionais envolvidos. Eles chegariam à altura deseja usando um balão, mas algumas questões importantes, como a segurança, deveriam ser pensadas com atenção.

“Existe a questão técnica, e ela envolve peso que o balão suportaria, vento, condição climática, pressão atmosférica, entre outras várias outras coisas que precisariam ser levadas em consideração. Tudo isso para ter o máximo de segurança. Usamos um balão grande, que suportaria 12 pessoas e cerca de 950 quilos. Então, tivemos que calcular desde o peso da mesa ao dos atletas e da produção, para não ter peso a mais ou a menos”, contou.

A estrutura da mesa foi feita por um engenheiro e, para amarrá-la ao balão, a equipe usou uma linha de paraquedismo reforçada em cada ponta, que suportaria 1400 quilos. Cajal conta que foi criado ainda um plano de desconexão da mesa. O projeto de segurança visada duas questões: se tudo ocorresse como combinado, ela chegaria ao chão e seria desconectada – ao final, foi o que aconteceu; o segundo plano seria para o caso de ter que ser ejetada antes do tempo, e com segurança.

“Com tinha essa possibilidade, fizemos em área remota, cercada de plantações, onde não tinha pessoas morando ou área que pudesse, de repente, prejudicar alguém caso a mesa precisasse ser ejetada. Tudo foi pensado conforme a segurança”, pontuou.

Confira no vídeo abaixo:

Foram quatro paraquedistas envolvidos no projeto: Daniel Cajal, Nicole Deverling, Eduardo Ceratti e Paulo Zen. Além deles, a equipe contava com cinegrafista, assistente, piloto de drone e operador de balão. No solo estavam mais quatro pessoas para o resgate do balão. Cajal explica que essa última parte é importante, porque o balão se controla pelas camadas de vento, então, não é possível saber exatamente onde ele irá pousar. Por isso, existe uma equipe de solo para segui-lo, além de um profissional de segurança para o suporte técnico.

“Tudo foi cronometrado. Tínhamos uma média de tempo que teríamos para descer ao sexto do balão, e para isso usamos um balanço, que é um método de rapel, que adaptamos para essa ação. Pensamos também no tempo de gravação e para pousar. O voo de balão não é demorado, e tem aproximadamente uma hora. Dentro desse tempo tínhamos que fazer tudo acontecer. Foi muito ensaiado, para fazer com a maior clareza possível e, na hora, nada ficar por improviso”, comentou.

“Ficamos aproximadamente 15 minutos em cima da mesa até a hora de saltar. Calculamos o tempo que ficaríamos com a câmera na mão, e o que gastaríamos para montar a mesa – nela havia um suporte onde estavam todos os itens usados para o café da manhã. Saímos de casa às 2h30min da manhã para deixar tudo pronto, com segurança. Levantamos voo umas 5h40min. A ação toda durou aproximadamente uma hora. 7 horas da manhã já estávamos recolhendo tudo, o balão já tinha pousado e todos estavam em segurança”, relembrou Cajal.

Com 20 anos de videomaker e histórico de projetos como esse, Cajal conta que todos os amigos que saltaram eram paraquedistas profissionais, e cada um teve uma parte essencial no projeto. Ele reforça serem atletas que fazem coisas fora da bolha, porém, seguindo uma série de critérios para manter o nível de segurança e tornar a ideia viável.

“Não é algo que pode ser feito sem conhecimento ou experiência; tem que respeitar a progressão. Todo mundo foi peça fundamental e importante pro sucesso desse projeto. Conseguimos fazer 100% do que foi planejado, e isso mostra muito o profissionalismo e capacidade da equipe ao executar o que foi pensado antes, sem muita margem para interpretações ou coisas que fugiram da ideia. Pesamos em plano A, B, e C para tudo. Tudo na segurança, então isso foi uma coisa bem legal do projeto”, concluiu.