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Filme de ação sobre rodas, ‘Tração’ aborda universo das competições e humaniza pilotos de motovelocidade

Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, o diretor André Luís conta sobre a narrativa do longa brasileiro

Gabriela Santos Publicado em 21/12/2020, às 15h14 - Atualizado às 15h16

Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, diretor André Luís conta sobre a narrativa do longa-metragem
Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, diretor André Luís conta sobre a narrativa do longa-metragem - Leticia Palhão

O ator, diretor e produtor André Luís Camargo viveu a década de 1990 como piloto de motocross. Hoje, o ex-competidor da modalidade de motovelocidade dedica sua carreira no audiovisual e trabalha na produção do longa-metragem “Tração”.

O filme de ação sobre rodas é o primeiro no Brasil que não deixa as motos como plano de fundo. A narrativa, que traz drama, um pouco de suspense e alguns alívios cômicos, conta com personagens vividos por Marcos Pasquim, Nelson Freitas, Paola Rodrigues, Maurício Meirelles, André Ramiro, Bruna Altieri, Fiuk e o próprio André, que interpreta Nivaldo.

Em “Tração”, o diretor e ex-piloto une duas paixões: o motociclismo e o cinema. Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, André Luís falou um pouco sobre a superprodução, prevista para estrear no fim de 2021. Para ele, sua experiência como competidor de motocross dá segurança para produzir o primeiro longa brasileiro neste estilo.

“Tem uma premissa no cinema que é: faça filmes sobre aquilo que você conhece. Então, nesse sentido, eu tenho muita segurança de contar essa história e levar para o cinema, justamente por ter sido piloto. Vivi a década toda de 1990 correndo praticamente todos os finais de semana”, disse.

“Como eu conheço e vivi muito bem esse universo, e sou eternamente apaixonado por motocicletas e também pelo cinema, eu vi em determinado ponto da minha carreira que era hora de contar um pouco dessa história e unir essas duas paixões: o cinema e o motociclismo. Mais precisamente o motocross, categoria que eu competia”, acrescentou.

O núcleo principal de “Tração” é formado por competidores apresentados no ambiente de motocross. Max (André Ramiro), Ajax (Marcos Pasquim), Manoel (Maurício Meirelles), Isadora (Bruna Altieri), Jéssica (Paola Rodrigues) e Nivaldo (André Luis Camargo) são abordados pelo DiMello (Nelson Freitas), que os convida para uma grande competição. Depois, acabam caindo numa cilada e precisam realizar um favor para este personagem egocêntrico.

Segundo André, o roteiro é surpreendente por trazer algumas reviravoltas interessantes no meio da história, com garantia de adrenalina, ação, suspense e muito alívio cômico.

O roteiro também tem como um dos principais objetivos humanizar os pilotos de motovelocidade, com a representação de alguns ídolos. André comentou que começou a andar de moto não só por conta do esporte que era televisionado, mas justamente pelas referências que tinha, como Rogério Nogueira, Eduardo Saçaki, Jeff Stanton, Rodney Smith e Gene Fireball.

“Sempre tem um herói que você busca e se espelha para estar envolvido no processo. Eu comecei a andar de moto justamente por isso. 'Tração' tem o objetivo de apresentar o esporte para essa nova geração e ‘remostrar’ para aqueles que já conhecem. Tem a inserção de pilotos reais no filme, para tentar humanizar e mostrar o que esses heróis da arena dos circuitos fazem, o dia a dia deles, o quanto precisam de preparação física. Isso tem no texto com os personagens. O que muita gente ainda não sabe é que o motocross demanda um preparo físico muito grande”, contou o diretor.

André Luís, ator, diretor e produtor de "Tração"  (Crédito: Leticia Palhão)

 

“É muito difícil aguentar uma corrida. É um trabalho corporal para aguentar 90 kg/ 100 kg, que exige força de braço e perna muito forte no aspecto físico. É humanizar e trazer alguns ídolos, sejam fictícios ou reais. Este é um dos objetivos do filme”, continuou.

Quando questionado sobre o discurso apresentado no longa, André afirmou que os personagens são marcados pela amizade. Ele ainda reforçou que os laços de amizade às vezes se sobressaem sobre os familiares, narrativa que será desenvolvida na continuação da produção. O diretor revelou que o segundo filme já começou a ser escrito. 

Além disso, a produção também traz alguns pontos de discursos sociais e exalta o empoderamento feminino.

“Envolvendo os pilotos existe um discurso muito marcado de amizade e de família. Inclusive, até mostrando que às vezes os laços de amizade são mais fortes que os familiares. Esse aspecto tem no filme e que será desenvolvido no “Tração 2”, que já começou a ser escrito”, contou André.

“A motocicleta até hoje tem um certo preconceito de que é um meio de transporte único e exclusivamente masculino. Não é. As pessoas não sabem que tem muita mulher competindo e andando de moto. Como cineasta, sempre quero passar algum tipo de mensagem positiva e de provocação para que o público pense ou reflita sobre o assunto”, completou.

O motociclismo tem um público cativo e a empolgação com o longa não seria diferente. Por fim, André Luís revelou que o feedback do projeto foi muito positivo e, inclusive, os atores decidiram fazer aulas de moto por conta de seus personagens no filme.

“Até mesmo a equipe se empolgou muito com o projeto. O Pasquim é motoqueiro desde os nove anos. O Nelson Freitas também anda de moto há muito tempo. O André Ramiro não andava, mas fez aula para aprender. A Bruna e a Paola também começaram a fazer aula por conta do filme. É um universo que empolga muito. Quem conhece a moto ou anda de moto sabe o quanto é contagiante”, completou.

Os bastidores da produção do longa metragem são compartilhados em uma conta própria no Instagram. 

 
 
 
 
 
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Outras respostas

O que espera do filme, primeira produção brasileira de ação sobre duas rodas?

“Do ponto de vista de produtor executivo eu estou bem seguro. Eu vejo o feedback que vem tendo com a nossa participação em algumas corridas para filmar e são muitas mensagens.”

“Como diretor, eu espero uma trajetória bem bacana não só de sucesso, mas de reconhecimento mesmo da qualidade e do trabalho que a gente está tendo. Tem sido um desafio enorme filmar durante uma pandemia. Eu parabenizo todos da equipe, o elenco... São todos muito corajosos de saírem de casa, lógico que seguindo todos os procedimentos de segurança. Esse tipo de reconhecimento da qualidade do que a gente está fazendo é o que eu mais espero. E que o público goste muito e abra brecha para Tração 2 e 3, para que de fato se torne uma franquia, como Velozes e Furiosos.”

Como foi a escolha do elenco para o longa?

“Quando eu li o roteiro pela primeira vez, eu já tinha alguns personagens em mente. Curiosamente, embora eu tenha alguns biotipos que eu imagine, o Nelson Freitas não faz nada cômico no filme. Ele é um personagem mais dramático. Já o Maurício Meirelles, que também é um comediante, faz sim muitos alívios cômicos. O personagem dele é mais engraçado. Então eu já tinha alguns perfis em mente e fui trabalhando, muitos dos atores já trabalharam comigo, como a Paola Rodrigues e o André Ramiro.”

“Unir essa galera foi muito bacana. Na nossa primeira leitura, no início do ano, eu fiquei impressionado porque cada um trouxe justamente o que eu já tinha imaginado. Eu acho que é muito intuitivo esse trabalho de diretor. Eu acho que você sente. Quando conversa com o ator, já sabe se ele vai trazer para você aquele personagem ou não. Independente dele estar lendo um texto ou fazendo um teste. Esse feeling é muito importante para um diretor.”


 

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