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Exclusivo: Na etapa final do Mundial de Surfe, Tatiana Weston-Webb relembra Tóquio 2020: “Experiência incrível”

Em entrevista ao SportBuzz, brasileira destacou a pressão nos Jogos Olímpicos, projetou sua carreira e falou do amor pelo surfe

Gabriela Santos, Lilian Coelho Publicado em 07/09/2021, às 11h00

Exclusivo: Na etapa final do Mundial de Surfe, Tatiana Weston-Webb relembra Tóquio 2020 - GettyImages
Exclusivo: Na etapa final do Mundial de Surfe, Tatiana Weston-Webb relembra Tóquio 2020 - GettyImages

Representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Tatiana Weston-Webb vai disputar a etapa final do Mundial de Surfe a partir da próxima quinta-feira, 9. Vice-líder do campeonato, a brasileira de 25 anos está na briga pelo título inédito do surfe feminino.

Para falar sobre a etapa decisiva do Mundial, o SportBuzz preparou uma série especial de matérias exclusivas com quatro dos principais surfistas brasileiros no circuito de surfe. Segunda entrevistada, Tatiana comentou sobre sua participação na Tóquio 2020.

“Foi uma experiência incrível participar das Olimpíadas. Nunca vou esquecer e um dia eu vou contar para os meus filhos que eu participei de uma Olimpíada. Esse é um título bem especial, de ser uma atleta olímpica”, disse com exclusividade ao SportBuzz.

Uma das principais surfistas no campeonato feminino, Weston-Webb caiu nas oitavas de final nos Jogos Olímpicos. A brasileira acabou eliminada pela japonesa Amuro Tsuzuki. Ela contou que criou boas expectativas para Tóquio por estar em segundo lugar no ranking do circuito, mas enfrentou as condições ruins do mar. Mesmo não conquistando pódio, a gaúcha destacou o orgulho por ser atleta olímpica.

“Eu acho que eu tive mais pressão porque tinha uma chance bem grande. Entre as meninas que estavam na competição, eu estava em segundo no ranking e acho que criei muitas expectativas. Chegou o momento que eu encontrei Amuro Tsuzuki na bateria e as condições do mar estavam muito ruins. Eu lutava tanto para pegar uma onda, mas não deu certo”, disse.

“Às vezes Deus não está querendo te dar a onda por alguma coisa, sabe? Não aconteceu para mim, mas eu estou super orgulhosa mesmo assim. Às vezes, quando você está lutando com natureza nem sempre favorece para o seu lado. A gente tem que entender isso. Surfe é o nosso esporte, mas tem tudo a ver com a natureza. A onda vindo para você, às vezes, é sorte”, avaliou.

 
 
 
 
 
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Questionada se escolheria outra praia para disputar uma medalha olímpica, Weston-Webb ressaltou que poderia ser qualquer uma, desde que todos os competidores tivessem chances iguais.

“Eu poderia escolher qualquer praia, só que tem que ter oportunidade para todo mundo. Por exemplo, um dia depois das finais no Japão as ondas estavam muito boas e eles não esperavam essas ondas boas, sabe? Aconteceu (a competição) com ondas mais ou menos. Queria qualquer lugar, mas queria que tivesse chance para todo mundo”, declarou.

A partir desta quinta-feira, 9, ela disputará o ‘WSL Finals’ em Trestles, nos Estados Unidos. A brasileira briga pelo título com Carissa Moore, Sally Fitzgibbons, Stephanie Gilmore e Johhane Defay.

Nascida no Rio Grande do Sul, Tatiana Weston-Webb foi para o Havaí com apenas dois meses. Nos Jogos Olímpicos, escolheu representar o Brasil. 

OUTRAS RESPOSTAS

Quando começou a competir, seus pais pressionavam já que eles também foram surfistas?

“Meus pais nunca colocaram muita pressão para eu virar surfista profissional. Eles sempre falavam: ‘faça o que você quiser’. Mas quando eu falei para eles que eu queria me tornar uma profissional, começaram a colocar mais pressão porque eles estavam bancando, né? Meus pais falaram: ‘a gente está pagando por tudo, se você realmente quer virar surfista profissional, queremos que treine bastante, que fique focada e leve essa coisa a sério. Daí comecei a levar mais a sério e, quando eu fiz 18 anos, eu me classifiquei para o Tour.”

*Tatiana é filha da ex-bodyboarder brasileira Tanira Guimarães e do surfista inglês Doug Weston-Webb.

Quando caiu a ficha de quer era boa surfando?

“Olha, nunca foi uma coisa que eu pensei muito cedo, não. Eu acho que teve um evento que eu ganhei, na Califórnia, que foi no mesmo ano que a Carissa (Moore) ganhou o primeiro dela. Eu pensei: ‘Acabei de ganhar um título e ela (Carissa) já ganhou o evento que eu acabei de vencer. Talvez eu possa estar no lugar dela um dia’. Então, eu estou aqui lutando contra ela pelo título agora, o que é bem bacana.”

 
 
 
 
 
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Como é ser uma atleta profissional mulher e competir pelo surfe?

“Crescendo no Kawaii tive bastante apoio para surfar. Isso foi sempre, porque é um estilo de vida que todo mundo cresce com isso, surfando. Foi sempre aquela coisa de todo mundo ir surfar depois da escola, uma coisa bem normal. Mas quando eu comecei competir eu vi o lado mais machista, porque sempre falavam que as meninas não surfavam igual aos homens. Acontece direto, mas eu acho que hoje em dia o surfe feminino está evoluindo tanto que os homens não têm como falar isso mais. A gente tá chegando bem perto deles, estamos recebendo a mesma premiação no nosso Tour, o que está fazendo toda a diferença. Antes, para ser uma surfista feminina era bem difícil para viver com o dinheiro que ganhava, mas hoje em dia dá para viver uma vida bem bacana. Isso é lindo de ver a evolução do esporte.”

Pensou em escolher entre representar o Brasil ou EUA nas Olimpíadas?

“Com certeza. Eu me perguntava se me sentia mais americana do que brasileira, mas não tinha dúvida que eu era muito mais brasileira do que americana. Era uma escola bem fácil para mim.”

Quem é seu ídolo no surfe?

“Eu admiro muito a Bethany Hamilton pelo que aconteceu com ela. Ela foi atacada por um tubarão, mas ela tá vivendo uma vida muito especial, influenciando muitas pessoas pelo lado bom e ela é uma ótima pessoa, ótima mãe. Para mim, quando eu a vejo, tem essa energia que ela pode fazer tudo o que ela quer e isso me inspira bastante.”

Com avalia a evolução do surfe?

“O surfe está evoluindo, sim, mas eu acho que tem bastante espaço ainda evoluir mais. Por exemplo, não tem muito campeonato de amadores no Brasil. Se as crianças tivessem mais chances de competir cedinho, nos eventos que valem bastante, eu acho que daria muito mais chance para elas melhorarem e aí e chegar no topo. Isso está faltando um pouquinho no Brasil, mas nos Estados Unidos tem uma base bem boa de competição dos patrocinadores. Os brasileiros têm que lutar ainda mais para chegar no top. É mais ou menos a mesma coisa com as crianças no Havaí, porque não é como na Califórnia, onde é que tem todos os patrocínios.  Lá no Havaí é bem difícil de achar patrocínios também, e viajar para a Califórnia é super caro. Tem sempre um lado que você tem que lutar. A minha sorte foi que quando eu estava crescendo e competindo, eu tive meus pais que apoiaram muito a minha carreira. Sem eles eu não ia estar aqui, hoje.”

O que o surfe ensina para você?

“O surfe me ensina a viver no momento, porque cada onda e cada experiência no mar é diferente. Para mim, isso é lindo. Eu gosto muito de ficar sozinha com a natureza, só aproveitando o momento. Tem um significado para todo mundo, acho que tem que ter. É o que torna o surfe especial.”

Quais serão os próximos passos na carreira?

“Continuar melhorando no meu surfe. Eu tenho certeza de que a evolução tem muito espaço ainda para continuar fazendo isso, surfando no Tour. Espero que Jessé se classifique de novo pra gente competir juntos, isso seria muito bacana para mim. Enfim, eu só estou aproveitando o momento e eu sou super grata a cada oportunidade que eu tenho. Eu sei que sou super abençoada.”

Confira a entrevista completa:


 

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