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Investigação aponta que resultado das lutas de boxe nas Olimpíadas do Rio e em Londres foram manipulados

Apuração conseguiu provas de que o ex-presidente da Aiba participou da manipulação dos resultados do boxe

Redação Publicado em 01/10/2021, às 07h22

Luva oficial do boxe nas Olimpíadas - GettyImages
Luva oficial do boxe nas Olimpíadas - GettyImages

Estão lembrados das lutas de boxe disputadas nas Olimpíadas do Rio, em 2016, e em Londres, 2012? Pois bem, de acordo com a investigação conduzida pelo canadense Richard McLaren, a pedido da Associação Internacional de Boxe (Aiba), os resultados teriam sido manipulados.

As disputas que aconteceram na Rio 2016 tiveram sinais claros de manipulação segundo a investigação, e o site "Globo Esporte", enquanto em Londres, 2012, teria apenas alguns indícios de que a fraude poderia ter acontecido. O esquema teria a atuação de juízes e árbitros.

Richard McLaren informou em seu relatório que havia uma "cultura de medo, intimidação e obediência" entre todo o sistema envolvendo os árbitros. O investigador e sua equipe não divulgaram um número exato, mas falaram em 11 combates manipulados só na Rio 2016.

O esquema de manipulação funcionava da seguinte forma: as autoridades da própria Aiba organizavam árbitros e juízes para que eles corrompessem as lutas. Eles eram selecionados para fazer parte do sistema, e cooptados nas seletivas olímpicas.

"Essa estrutura informal permitia cumplicidade e anuência dos árbitros e juízes, que eram designados para garantir resultados previamente acordados em combates específicos", explicou McLaren.

Sem dar nomes de quem era o organizador do esquema, McLaren contou que os juízes e árbitros era informados sobre quem deveria vencer determinado combate algumas horas antes da luta começar. O relatório do esquema tem um total de 149 páginas.

Um dos exemplos seria uma propina de cerca de R$ 1,3 milhão, que foi oferecido aos árbitros e juízes para que um atleta da Mongólia superasse o adversário da França na semifinal. A denúncia desse esquema foi feita por uma testemunha que viu a chantagem acontecendo.

No entanto, a publicação ainda destaca que uma das maiores controvérsias da Rio 2016 foi o caso envolvendo o irlandês Michael Conlan, que nas quartas de final do peso-galo, até 56 kg, ele dominou a luta contra Vladimir Nikitin, mas ainda assim, viu a arbitragem dar a vitória ao russo.

Curiosamente, o vencedor não conseguiu voltar ao ringue para disputar as semifinais por conta dos ferimentos causados pelo adversário. Naquela oportunidade, o irlandês chegou a chamar os dirigentes da AIBA de trapaceiros.

Londres 2012

A investigação feita por McLaren também expôs o envolvimento direto de um ex-presidente da Aiba, C.K. Wu, na manipulação de resultados antes e depois das Olimpíadas de Londres, 2012.

Ele teria direcionado um diretor executivo da entidade para garantir que os lutadores turcos participassem do evento. O motivo era porque o país tinha organizado uma temporada pré-olímpica de grande porte e com muitos recursos financeiros.

Além disso, C.K. Wu também teria dado uma ordem para que os lutadores do Azerbaijão não conquistassem medalhas de ouro no boxe em 2012. Na época, a emissora "BBC" fez um documentário mostrando que uma empresa havia feito um empréstimo grande à Aiba.

O dirigente comandou a Aiba e foi membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) até o ano de 2020. Depois disso, a associação passou a ser comandada pelo russo Umar Kremlev, que foi quem pediu a investigação.

"A Aiba contratou o professor McLaren porque não temos nada a esconder. Também receberemos aconselhamento jurídico em relação a quais ações são possíveis contra aqueles que participaram de qualquer manipulação", disse Kremlev.

Como fica agora?

Desde 2020, a AIBA está suspensa pelo Comitê Olímpico Internacional pelo envolvimento em crimes de corrupção. Entre 2017 e 2019, os presidentes da entidade na época, Wu Ching-Kuo, de Taiwan, e seu vice, Gafur Rakhimov, do Uzbequistão, tiveram que renunciar.

Essa atitude só foi tomada porque eles foram pressionados pelas investigações e pelo COI, que incluía a suspeita de envolvimento com o tráfico de heroína, no caso do dirigente uzbeque.

Porém, está investigação faz parte do plano de recuperar a imagem do IABA. Em 2017, dizendo que havia concentração do poder de decisão e de influência indesejável, a entidade expulsou os árbitros considerados mais qualificados do quadro.

Apesar disso, afirmou que nenhum deles se envolveu nos resultados. Já em 2021, depois das denúncias de corrupção e irregularidades financeiras, a federação também perdeu o direito de organizar a modalidade nos Jogos de Tóquio.

Com as suspeitas graves tomando forma, existe um medo grande na AIBA de que o boxe acabe sendo excluído do programa olímpico, já a partir das Olimpíadas de Paris 2024. A tendência é que a entidade contribua na investigação do suposto esquema na Rio 2016, e a mudança de cenário sob a nova gestão ajude na retomada da relação junto ao COI.


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