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Charles do Bronx sobre possível defesa de cinturão contra McGregor: “Estarei pronto em qualquer lugar do mundo”

Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, campeão dos leves do UFC analisou luta contra Michael Chandler e abriu o jogo sobre a defesa do título

Gabriela Santos Publicado em 25/05/2021, às 07h00 - Atualizado às 07h00

Charles do Bronx, campeão dos leves do UFC - Tainara Amaral
Charles do Bronx, campeão dos leves do UFC - Tainara Amaral
Charles do Bronx vive seu momento de rei no esporte. Depois de quase 11 anos no UFC, o paulista conquistou o primeiro cinturão peso-leve da carreira depois de nocautear Michael Chandler aos 19s do segundo round na luta principal do UFC 262, em Houston, nos EUA, no último dia 15 de maio. 
 
No primeiro round, o americano dominou a luta e quase conseguiu nocautear Charles, mas o brasileiro soube se defender com a guarda fechada e evitou os golpes fortes do adversário. Na volta para o segundo round, o paulista foi certeiro e encaixou uma esquerda antes de uma sequência de golpes que resultaram na vitória
 
Maior finalizador da história do Ultimate, Charles finalmente conquistou o título mundial. Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, o atual campeão dos leves admitiu ter sido uma luta difícil, mas não mudaria sua estratégia por ter mandado “um recado para a divisão”.
 
“Tinha que ser dessa forma. Eu mandei um recado para a divisão e mostrei que podem bater, mas eu não sou mais uma criança dentro do UFC. Hoje eu sou um homem, sou um leão no meio dos leões. A luta tinha que ser como foi desenhada. Precisava sofrer essas punições no primeiro round para poder mostrar que as pessoas podem bater. Sabem que Michael Chandler é um cara duríssimo e que realmente pega muito forte de mão, mas graças a Deus eu fui lá e fiz o ‘trampo’ acontecer e saí com nocaute”, disse Charles. 
 
 
 
 
 
 
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Aproveitando seu destaque, o paulista nascido no Guarujá ainda não pensa no próximo adversário na defesa do título: “Na realidade, eu estou curtindo. Estou aproveitando o momento de entrevistas e de pessoas querendo tirar foto. Segunda-feira (24 de maio) eu já volto aos treinos, mas estou vivendo o momento”, disse. 
 
O possível oponente do campeão dos leves saíra da luta entre Dustin Poirier e Conor McGregor, em julho, na luta principal do UFC 264. Conhecido por provocar os rivais, o irlandês já deixou claro que quer enfrentar Charles na próxima briga pelo cinturão. 
 
Do Bronx desafiou McGregor por muitas vezes, mas seus pedidos sempre foram ignorados. Agora campeão, ele apenas aguarda a definição do próximo adversário. 
 
“Há um ano eu era o número sete do mundo e sempre pedia a oportunidade para me colocarem entre os cinco primeiros, qualquer um deles. E todos eles, sempre que cogitavam o meu nome, me evitavam. Eu sempre chamei o Conor (McGregor) para lutar, mas ele nunca falou meu nome. Hoje que o Charles é o campeão do mundo, o número um, ele já me citou assim que acabou a luta”, disse Do Bronx.
 
“Para mim não faz diferença nenhuma, ele é um cara falador, mas acho que tem que se preocupar com a luta dele em junho contra o Dustin Poirier. Todo mundo diz que quem vencer essa luta é o próximo desafiante e, se ele tem tanta vontade de lutar contra mim, como eu já pedi essa oportunidade, ele primeiro tem que se preocupar com o Dustin, que é duríssimo. Se ele (Conor) ganhar, pode vir lutar. Se quiser vir para o Brasil também pode. Se não quiser, também pode ser na Irlanda porque em qualquer lugar do mundo eu vou estar pronto”, completou. 
 
O paulista ainda revelou que sempre sonhou com a repercussão em ser um campeão mundial e que o momento vai além do que imaginava.
 
“Eu sonhei muitas vezes com isso, como que seria (depois de um título), mas já passou daquilo que eu sonhei. Está muito bom, estou dando muitas entrevistas. As pessoas vão na porta da minha casa, apertam a campainha e eu abro sem saber quem é. Elas só querem pegar o cinturão e tirar uma foto. Então, está 100%. Eu só quero agradecer a Deus pela oportunidade que ele está me dando de viver esses momentos. Espero que continue durante um bom tempo”, finalizou Charles. 
 
Charles Do Bronx levou quase 11 anos e 28 lutas no octógono para ser campeão do peso-leve, maior tempo que um lutador levou até disputar um cinturão. Ele é recordista de finalizações na história do UFC, com 14, três a mais que Demian Maia, segundo colocado, e quatro a mais que Royce Gracie. Com três nocautes, Charles tem 17 lutas finalizadas no UFC. 
 

Outras respostas

 
Como foi encostar no cinturão pela primeira vez?
 
“São 11 anos de história dentro do UFC, 11 de várias oportunidades de tocar (no cinturão), mas sempre falei: ‘só vou pegar quando for meu’. E, poxa, chegou o tão sonhado dia nesse sábado que passou (15 de maio). É uma sensação que não tem nem como descrever. Eu me emocionei, chorei, corri, abracei como se não quisesse largar. Só dentro do UFC foram 11 anos de muita dedicação e sofrimento, muito suor, muito sangue para poder chegar até um dia tão sonhado”.
 
O que acha da declaração de Michael Chandler de que ‘Do Bronx é mais duro do que imaginavam’?
 
“Isso mostra o quanto nosso esporte cresceu, o quanto que evoluiu, pelo fato que ele (Chandler) falou que o tempo inteiro iria me nocautear, que quando ele me punisse eu ia desistir. Ele foi muito corajoso em cima do octógono para falar que realmente viu o quão forte eu sou. Eu mandei mais uma vez um recado para a divisão. As pessoas podem olhar para mim e falar que sou fraco, mas não, eu sou forte e bato forte. Ele foi verdadeiro por falar isso.
 
Eu agradeci (Chandler) pela oportunidade. Ele foi campeão do Bellator e tem uma história gigantesca. Então, eu agradeci a oportunidade de estar lutando com ele pelo cinturão. Falei que acompanhava a história dele e que campeão é aquele que dá a volta por cima”.
 
Começou a Era ‘Do Bronx’?
 
“Com certeza. Já tiveram vários campeões e começou uma nova fase, a Era Charles Oliveira. Com o pé no chão sempre, humilde e respeitador. Isso aqui vai durar durante um bom tempo”.
 
Por que foi comemorar com Joe Rogan após ser decretado campeão? 
 
“O Joe Rogan é um cara americano que sempre que teve a oportunidade falou que eu devia ter a chance de lutar pelo cinturão. Então, quando pulei a grade (na comemoração), eu tive a oportunidade de agradecer pessoalmente por tudo que ele vem falando. Eu tenho certeza de que ele tem uma parcela dessa luta pelo título por ele ser quem ele é. Joe Rogan é um cara que dispensa comentários”.
 
 
 
 
 
 
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O peso-leve é a categoria mais difícil do UFC?
 
“Com certeza. Eu não era dos leves, era dos penas, e sempre falei que a categoria dos leves era a mais difícil que tem. É o meio onde está a ‘nata’, onde estão os melhores lutadores do mundo. Por isso que falo que é a mais difícil, que sempre devemos treinar e se dedicar bastante para poder estar no topo. Hoje, ser o campeão e número um do mundo numa categoria como essa é muito gratificante”.
 
Pensa em ser campeão em outra categoria?
 
“Se me dessem a oportunidade de lutar direto pelo título eu desceria para a categoria de baixo, do 66 kg (penas), mas eu não vou abandonar a categoria 70 kg. Vou continuar durante um bom tempo nos leves. Mas isso depende do meu empresário e da organização para ver se acontece. Pode ser que eu consiga a oportunidade direta de lutar e ser um dos primeiros brasileiros a ter dois cinturões do UFC”. 
 
Sua ficha já caiu desde a conquista do cinturão?
 
“Às vezes acho que sim, às vezes acho que não. Às vezes choro em casa, escuto coisas boas de pessoas que eu nem conheço. Eu pego meus pais chorando. Minha filha pega o cinturão e fala ‘obrigada, papai’”.
 
“Foi uma responsabilidade gigantesca (trazer o cinturão para a minha filha). Ela pediu e eu prometi que traria. E depois de um mês de muita dedicação, consegui trazer a conquista para casa. É bom realizar não só o meu sonho como de outras pessoas, principalmente da minha filha que só tem quatro anos de idade e sabe da importância desta conquista. Ela queria levar o cinturão para a escola, eu levei e ela voltou para sala correndo para mostrar para a professora. Isso é muito gratificante”. 
 
Como foi a recepção no Brasil?
 
“Desde que cheguemos ao Brasil foi uma loucura. Minha família toda estava ali, a torcida da Gaviões da Fiel e a molecada do Chute Boxe. Chegamos em São Paulo sendo muito bem recebidos. Depois, teve o desfile no caminhão dos Bombeiros no Vicente de Carvalho, no Guarujá. Poder compartilhar um pouco disso com toda a galera que torceu, que vibrou e chorou comigo não tem preço. Eu só tenho gratidão”. 
 
Família de fé
 
“A maioria da minha família não assiste às minhas lutas na hora. Eles sempre estão orando. Tem até uma filmagem que saiu nessa última luta que eu fiz em São Paulo. Eu pensei: ‘poxa, é em São Paulo, minha família tinha que estar aqui assistindo’. Eles estavam todos espalhados no ginásio e a maioria se ajoelhou quando me anunciaram, ficando de costas para o octógono. Não assistiram e ficaram agradecendo a Deus pela oportunidade que estava me dando. Isso mostra o quanto a minha família é uma família de fé. Não é só trancada no quarto, mas dentro de um ginásio onde tinha milhares de pessoas eles fizeram a mesma coisa”. 
 
Qual mensagem passa sendo um novo ídolo do esporte brasileiro?
 
“Eu tenho escutado muito que eu sou o novo Ayrton Senna do Brasil. Eu só tenho gratidão de escutar isso. Todo mundo sabe quem era Senna, um cara sensacional tanto dentro das pistas quanto fora, e as pessoas falam que eu sou assim dentro e fora do octógono. Eu só tenho gratidão. Esse cinturão não é só meu ele é nosso, de todo povo brasileiro e de todo mundo que acredita no sonho”.
 
E o próximo adversário? 
 
“Durante 11 anos eu sonhei com essa oportunidade de ser campeão. Quando eu entrei no UFC, meu pai falou que era fácil chegar, mas eu tinha que me manter. Estou aqui há 11 anos e não importa quem será o próximo, eu estarei pronto”. 
 

Confira a entrevista na íntegra:

 

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