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Colunistas / José Renato / UMA BAITA HISTÓRIA

Um estádio, um jogador e um presidente da república...

Construção de um estádio próprio era a última barreira que ainda impedia o Vasco da Gama de participar da principal liga que comandava o futebol carioca

José Renato Publicado em 26/06/2022, às 10h00

Estádio de São Januário - GettyImages
Estádio de São Januário - GettyImages

Rio de Janeiro, 21 de abril de 1927. Inauguração do estádio de São Januário. A construção de um estádio próprio era a última barreira que ainda impedia o Clube de Regatas Vasco da Gama de participar da principal liga que comandava o futebol carioca, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos).

Anteriormente a equipe cruzmaltina se recusara a excluir 12 jogadores (negros) de seu plantel, por ordem da liga, sob o pretexto de terem “profissões duvidosas”. O Vasco foi forte e em apenas 10 meses, com recursos de seus torcedores, construiu o maior estádio do continente americano. Um motivo de orgulho. O local escolhido foi emblemático.

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O clube adquiriu o terreno da antiga Chacrinha da Marquesa, um presente que a Marquesa de Santos houvera ganhado de Dom Pedro I, e que se localizava na rua Abílio, na Colina de São Januário. A rua São Januário terminava justamente naquela área que era de propriedade de Carlos Kuenerz, e que acertou a negociação em janeiro de 1926. O registro de propriedade daquele terreno foi firmado em junho daquele ano. 

Nota se que nada foi fácil e mais ainda, que os cruzmaltinos foram rápidos em seu proposito.
Durante sua construção, por ordem do próprio presidente de república, Washington Luís, teve proibido o pedido de importação de concreto oriundo da Europa, similar ao já utilizado no Jockey Club da cidade, construído pela mesma empresa responsável pelo projeto do estádio.
Tudo conspirava contra.

Fachada de São Januário, do Vasco da Gama
Fachada de São Januário, do Vasco da Gama, em outubro de 1970  (Crédito: Arquivo Nacional/ Flickr)

Ainda assim, na inauguração entre a equipe cruzmaltina e o alvinegro praiano, o Santos, lá estava Washington Luís para receber os louros da glória. Naquele dia, os paulistas levaram a melhor por 5 a 3. Uma linda festa. Em seu primeiro ano de mandato, Washington Luís, que não tinha qualquer interesse ou gosto pelo futebol, identificou aquilo como algo que poderia ser muito importante para sua popularidade.

Por conta disso, tratou de levar todo o seu ministério para a final do campeonato brasileiro de seleções que aconteceria no estádio do Vasco em 13 de novembro daquele ano. Quase 40 mil pessoas lotaram o estádio de São Januário para assistir novo encontro entre cariocas e paulistas.

A seleção do Distrito Federal, os cariocas, chegou a final após passar por cima pelos gaúchos com uma goleada por 6 a 2. Já os paulistas, naquele mesmo estádio, tinham despachado, de forma convincente, os baianos, por 7 a 1. Não havia favoritos. A partida estava dura e se encaminhava para o seu final, empatada por 1 a 1, com gols de Osvaldo, para os cariocas, e Feitiço, para os paulistas.

O que mais interessava para Washington Luís era o fato do jogo, uma grande chatice para ele, estar chegando ao final. Mas as coisas não acabariam tão facilmente assim para ele. Aos 33 minutos do segundo tempo, o arbitro Ary Amarante marcou um pênalti a favor dos cariocas. Era o início de uma confusão que logo ficou generalizada.

Os paulistas revoltados com a marcação não queriam deixar que a cobrança fosse feita.
Impaciente, Washington Luís, ansioso por ir embora, ordenou a um oficial de seu gabinete que resolvesse a confusão. Chegando ao campo, o oficial se dirigiu aos jogadores paulistas Amílcar e Feitiço e os informou que o Presidente da República queria que o jogo reiniciasse imediatamente.

Mal acabou de falar, precisou ouvir o recado de Feitiço... “pois fale para o Doutor Washington Luís, que lá em cima, na tribuna de honra, manda ele, mas aqui embaixo, no campo, mandamos nós, os jogadores”. Foi o sinal para que os paulistas resolvessem abandonar o campo. Coube a Osvaldo efetuar a cobrança do pênalti para o gol vazio. 

O gol do título dos cariocas. Restou a Washington Luís bufar de “raiva” e decidir que jamais voltaria a colocar os pés em um estádio de futebol. Alguns jogadores paulistas foram suspensos por conta do episódio Feitiço, por exemplo, só foi perdoado no ano seguinte, pelo interesse da CBD (atual CBF), em contar com o atacante no amistoso da seleção brasileira frente a equipe escocesa do Motherwell. A vitória foi brasileira, por 5 a 0, com 4 gols dele. Feitiço estava de volta...


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