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Tudo que você precisa saber sobre a polêmica Superliga Europeia

Entenda qual era a ideia dos fundadores do torneio que chegou ao fim pouco depois de ser anunciado

Lucas Cesare Publicado em 22/04/2021, às 15h41 - Atualizado às 16h47

Torcedores do Chelsea em protesto contra Superliga antes do jogo contra o Brighton - Getty Images
Torcedores do Chelsea em protesto contra Superliga antes do jogo contra o Brighton - Getty Images

Clubes envolvidos e formato do torneio

A Superliga Europeia, anunciada na noite de domingo, 18, era para ser uma competição, entre os maiores clubes do futebol europeu, que acabaria por substituir a UEFA Champions League.

Fundada por 12 clubes: Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham, da Inglaterra; Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid, da Espanha; e Inter de Milão, Juventus e Milan, da Itália. A entidade informou que ainda aguardava outros três para fechar o grupo de 15 fundadores.

Pelo planejamento inicial, participariam 20 clubes: os 15 fundadores mais outros cinco que se classificariam com base na temporada anterior. A competição teria início em agosto e final nos últimos dias de maio, em estádio neutro. Os 20 times seriam divididos em dois grupos, com jogos dentro e fora de casa dentro da mesma chave, no meio de semana.

Os quatro melhores de cada grupo se classificariam para uma fase de mata-mata, também com partidas de ida e volta. A final seria em confronto único.

 

Afinal, o que era para ser a Superliga Europeia?

A ideia inicial, alegada pelos clubes, era de criar um torneio, onde fosse possível proporcionar “aos torcedores e jogadores amadores um fluxo regular de jogos de destaque que iria alimentar a sua paixão pelo jogo e, ao mesmo tempo, fornecer a eles um modelo atraente".

Os representantes da liga diziam que a competição "proporcionaria um crescimento econômico significantemente maior" do que o atual modelo da Liga dos Campeões. Os clubes fundadores receberiam juntos € 3,5 bilhões na primeira temporada. Além disso, a Superliga diz que contribuiria com € 10 bilhões em "pagamentos de solidariedade".

Ou seja, eles pensaram que fazendo uma competição, onde os maiores clubes do mundo fossem frequentemente jogar entre si, iriam atrair mais os fãs e “alimentar a paixão” dos torcedores. Além de que, estavam visando mais o seu próprio lucro do que qualquer outra coisa, isso foi outro ponto muito criticado, de que seria uma competição “gananciosa” e que os empresários estariam “tomando conta” do esporte.

Logo depois de seu anúncio, o torneio gerou revolta em diversos clubes, jogadores, federações, torcidas e até governos ao redor do planeta.

 

 

 

Revolta da UEFA e da FIFA

Em nota, a UEFA classificou a Superliga como um "projeto cínico, fundado no auto-interesse de poucos clubes, num momento em que a sociedade precisa de solidariedade, mais do que nunca". Já a Fifa afirmou que "só pode desaprovar uma Liga Europeia fechada e dissidente fora das estruturas do futebol".

A posição contrária dessas instituições para com a criação da Superliga acabaria acarretando em graves punições aos clubes envolvidos. O novo torneio também havia sido criticado pelas ligas da Espanha, Inglaterra, França e Alemanha, com os clubes sofrendo o risco de serem banidos de suas competições domésticas e internacionais, além da proibição dos jogadores desses times de defenderem as suas respectivas seleções.

Dessa forma, Chelsea, Manchester City e Real Madrid, que estão classificados para as semifinais da Liga dos Campeões, seriam automaticamente desclassificados e o título acabaria ficando com o Paris Saint-Germain.

 

Manifestações contrárias

Na segunda-feira, 19, dia seguinte ao anúncio da polêmica competição, o Liverpool foi a campo enfrentar o Leeds United pela Premier League. Na ocasião, jogadores da equipe rival foram para o aquecimento usando camisetas com a frase “Football is for te fans” (Futebol é para os fãs).

No dia seguinte, antes da partida entre Chelsea e Brighton, torcedores da equipe londrina, que fazia parte do projeto, se uniram na parte de fora do estádio para expressar sua indignação e pedir que o time saísse da Superliga. O movimento, pacífico, foi exemplo ao redor do mundo e, pouco tempo depois do ocorrido, o time inglês foi um dos primeiros a avisar que estaria juntando os documentos para sair da liga.

Muitos jogadores dos times envolvidos também expressaram suas opiniões dizendo ser contra a competição. Nomes como o de Kevin De Bruyne, Kyle Walker e Raheem Sterling, do Manchester City, Marcus Rashford, Luke Shaw e Bruno Fernandes, do Manchester United, todo o elenco do Liverpool, sob comando do capitão Jordan Henderson e Héctor Bellerín, do Arsenal.

 

Desistência de oito clubes e fim da Superliga

Após muita pressão de todos os lados, ainda na terça-feira, 20, todos os seis times ingleses envolvidos confirmaram sua saída da competição e, com isso, na quarta, 21, foi a vez de Atlético de Madrid, da Espanha e Inter de Milão, da Itália, darem adeus à ideia.

Por fim, sobrando apenas quatro clubes (Barcelona, Real Madrid, Juventus e Milan), o projeto foi suspenso e dificilmente voltará a entrar em pauta, visto toda a revolta que foi gerada por sua causa.

 

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