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Futebol » ESPECIAL MÊS DO ORGULHO!

#PrideMonth: As Ligas LGBT+ no Brasil, seu surgimento e sua importância: "A gente quebrou muito mais o preconceito, da própria comunidade"

Com o surgimento das ligas esportivas voltadas para a população LGBT+, as pessoas da comunidade quebram, aos poucos, as barreiras do preconceito dentro das modalidades

Marcello Sapio Publicado em 26/06/2020, às 17h50

Times LGBT+ surgiram como uma forma de quebrar a homofobia estrutural da comunidade
Times LGBT+ surgiram como uma forma de quebrar a homofobia estrutural da comunidade - Instagram

Celebra-se, no mês de junho, o mês do orgulho e da visibilidade LGBT+. Apesar dos avanços que a comunidade conseguiu nos últimos anos, muito ainda deve ser feito.

No esporte, as coisas andam de uma maneira lenta. A homossexualidade ou qualquer outra opção sexual da comunidade é um paradigma, sendo que poucos atletas conseguem se assumirem durante as carreiras.

Essa opressão estrutural fez com que o esporte profissional, de maneira indireta, virasse quase que um privilégio hétero.

Muitos atletas LGBT+ acabaram desistindo da carreira por medo de sofrerem atos homofóbicos ou até por serem repreendidos por clubes, empresários, etc.

Porém, um movimento que vem se estabelecendo do Brasil são os times esportivos LGBT+. Um dos primeiros a surgirem foi o Unicorns Brazil, sediado em São Paulo.

Um dos criadores do time é Filipe Marquezin, que também é idealizador das principais ligas para a comunidade: A Champions Ligay e a True Colors Cup, sendo essa a maior liga esportiva LGBT+ do Brasil.

Ele conversou com exclusividade ao Sportbuzz sobre como surgiu a ideia de criar o time e as ligas, além sobre a quebra dos preconceitos que elas trazem.

 
 
 
 
 
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Quando perguntado sobre como nasceu o Unicorns Brazil, Filipe contou que teve a ideia junto a amigos: "A ideia do surgimento de Unicorns tem muito a ver comigo mesmo, né com a minha história. Eu sempre fui uma pessoa que curtiu muito futebol, e quando eu notei que não tinham espaços seguros e confortáveis para jogar bola, eu fiquei buscando. Foi nisso que eu conheci um amigo meu, que na época nem era tão amigo, e nós conversávamos sobre isso se tivermos a ideia juntos de criar um time, só que o problema era a gente nessa cidade, nesse país, que quisesse jogar também e naquela conversa, a gente no parque meio aqui do lado, já tinha gente falando ' tem um amigo que quer' e a gente achou que poderia dar certo".

"Reunimos ali 12 pessoas. Foi o primeiro jogo e depois daquilo conforme posta foto, marca amigo, foi crescendo exponencialmente, entendeu? Um chama o outro, que chama outro e de 12 a gente já tinha 50 pessoas querendo jogar. Foi assim que surgiu, foi assim que cresceu inicialmente o time", completou Filipe.

Ao ser perguntado se havia tentado uma carreira no futebol, Filipe negou, mas revelou que conhece casos de jogadores que desistiram por conta da opção sexual: "Nunca nem pensei, entendeu? Eu sou um péssimo jogador e nunca nem tive esse incentivo a jogar, também porque nunca quis, mas conheço jogadores, meninos de outros times, e até do Unicorns também, que já tiveram carreira interrompida em razão disso, entendeu? Quando o empresário, o time descobriu que era gay deu um jeito de dar um 'chega para lá' nele".

Filipe também revelou como teve a ideia de criar a Champions Ligay, o torneio de futebol LGBT+ que reúne times de vários lugares do Brasil: "Quando a gente viu que tinha eclodido o número de times pelo país, rolou aquela curiosidade, né? Como será que são os outros times, e foi nisso que rolou uma interação, uma vontade de conhecer todo mundo e integrar todo mundo e assim acabou surgindo o primeiro campeonato e daquele primeiro campeonato, ele foi o embrião da liga, né? A gente viu que nós vamos muitos e que valia a pena ter uma reunião de todos. Com isso, dado o pontapé, foi uma coisa meio automática. Começaram a surgir mais e mais times, mais e mais times procurando e quando a gente viu, o negócio estava muito grande".

"E hoje assim, o que era um projeto particular, virou uma coisa plural, entendeu? Todo mundo tem voz, todo mundo fala, todo mundo vota e só tende a crescer. Acho que a liga hoje só tende realmente a acabar crescendo. É uma pena que, por hora, tem que ficar restrita a um final de semana, um feriado isso acaba prejudicando o crescimento, mas acho que no futuro a gente vai conseguir fazer algo grande algo estendido", completou ele.

Filipe Marquezin também refletiu sobre a importância da criação das ligas voltadas para o público LGBT+ para a própria comunidade, como uma forma de mostrar que o esporte não é restrito a héteros: "A gente quebrou muito mais paradigma, o preconceito, da própria comunidade do que do mundo hétero. Porque ainda o mundo hétero, como a gente estava falando, é muito voltado para parte do profissional, entendeu? Ir lá eu acho que a gente, acho não, tenho certeza, que a gente ainda não conseguiu quebrar uma barreira. Agora, para o gay, para o trans, esse pessoal todo que faz parte da comunidade, a gente conseguiu mostrar que se pode gostar de outro esporte que não seja aqueles que foram enfiados na cabeça antigamente, como vôlei e queimada, ele pode fazer o que quiser, de futebol a luta, entendeu? Não pode ficar preso naquele mundinho que tentam colocar na nossa cabeça quando descobre que a gente é gay".

Ele também explicou como funciona as respectivas ligas e a diferenças entre a Champions Ligay e a True Colors: "Enquanto a Ligay é realmente uma liga, tem vários times que se escrevem, tem uma fila de times para entrar, todo mundo acaba tendo voto. Já a True Color é um campeonato mesmo, entendeu? Um campeonato que agrega outras modalidades. Em números de times e atletas, é o campeonato LGBT que a gente tem no Brasil. Na primeira edição foram 32 equipes, mais de 600 atletas aí participando, deu quase mil pessoas só de comissão técnica, atletas e tudo mais. Então, movimenta muita gente, fica tudo muito cheio, é bem legal, é porque não é só a parte da competição que acontece, entendeu?".

 
 
 
 
 
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"Tem total da parte de competição, você vai ver tanto na Ligay, quanto na (True) Colors, briga em campo, discussão, óbvio que em um nível muito inferior às competições "héteras" em outras porque o fairplay é predominante. Acaba uma hora subindo a cabeça, o sangue, porque, querendo ou não, é uma competição. Mas voltando especificamente a True Colors, o diferencial dela é essa, de agregar outros esportes. Por enquanto é só vôlei e futebol, mas a ideia e aumentando. Ter um handebol, ter uma luta, ter uma esgrima, ter outras modalidades, que hoje não temos e fazermos um Gay Games brasileiro aqui na True Colors", completou.

A Champions Ligay já teve diversas sedes, como em Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Brasília. Por outro lado, a True Colors, que só teve uma edição até agora, fora disputada em São Paulo. 

Segundo Filipe, a intenção é a de que SP vire uma "sede fixa" para receber a True Colors todo ano: "Até porque a gente tem um facilitador em São Paulo que é o voo. Você pega, por exemplo, Belo Horizonte é difícil para quem está em Porto Alegre. Em Porto Alegre, fica difícil para quem está em Manaus. E São Paulo acaba sendo o centro de tudo isso, acaba tendo uma malha de hotéis muito boa, casa para abrigar um amigo, a malha aérea de São Paulo também é mais fácil. A gente tem a maior parte dos times, entendeu? São Paulo agrega muitos times de futebol, muito time de vôlei, e é mais fácil fazer a coisa aqui do que os levar pra outros lugares, e até de estrutura de quadra, que tem um espaço que tem futebol, vôlei e sabe se lá quantos modalidades a gente vai querer colocar também. Então por todas essas peculiaridades, São Paulo é, por hora, a sede fixa".

Por fim, Filipe revelou como lida em ser um dos pioneiros dos times LGBT+, mas avisa que apesar disso, sempre está disposto a aprender: "É bem gratificante saber. Quando vem alguém que te fala como começou, porque se inspirou e tal. No início você acha que não tem muito valor, que falam só para falar, mas depois de um tempo você percebe que você realmente teve importância sabe? Que é algo de bom você fez da vida. É gratificante. É bom quando você conversa com pessoas que se inspiraram em você e elas te agradecem, vem contar como é, e você também acaba aprendendo bastante. Não é só porque nós somos um dos primeiros que a gente está sempre certo. A gente acaba aprendendo. Tem muito time que veio depois e a gente acabou também tendo exemplos pra abraçar, pra adotar".


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