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Presidente do Vasco abre o jogo sobre sua gestão e faz denúncia séria: "Roubavam dinheiro da bilheteria"

Alexandre Campello publicou uma carta aberto para todos os torcedores cruzmaltinos

Redação Publicado em 17/11/2020, às 15h14 - Atualizado às 16h08

Alexandre Campello em ação pelo Vasco
Alexandre Campello em ação pelo Vasco - Transmissão Vasco TV

O mandato de Alexandre Campello no Vasco chega ao fim daqui dois meses e o presidente cruzmaltino aproveitou seus últimos momentos no clube para fazer sérias denúncias. Em uma carta aberta, ele enumerou alguns casos de corrupção, porém não citou nomes. 

Em alguns trechos da carta, o mandatário também dá algumas indiretas para alguns rivais políticos, que estão presentes nos bastidores vascaínos. Nomes como o de Julio Brant, Sérgio Frias e Leven Siano não foram citados, porém receberam um recado direto de Campello. 

Além disso, o atual presidente do Vasco também comparou sua trajetória com o filme "Tropa de Elite" e fez alusão ao seu crescimento dentro da instituição carioca. No entanto, o que mais chamou a atenção em sua declaração foi a existência de um esquema de roubo de bilheteria. 

 "Ainda no início da gestão, desmantelei um esquema dentro da Operação de Jogos. Não vou usar de meias palavras: funcionários, com a conivência — ou melhor — a cumplicidade de dirigentes, roubavam dinheiro da bilheteria em todas as partidas. Não satisfeitos, essa quadrilha ainda apresentava recibos fajutos para inflar as despesas de jogo, em conluio com prestadores de serviço. Cortamos esse mal pelo raiz", escreveu no documento. 

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA! 

"Nasci e cresci em Nilópolis, em uma família com poucos meios, mas muitos princípios.

O que nos faltava em posses sobrava em exemplos de vida.

Meus pais deram muito duro para que eu e meus irmãos tivéssemos o essencial e pudéssemos estudar. Devo a eles tudo o que sou.

Não posso reclamar da vida. Sou um privilegiado. Logo aos 24 anos, consegui unir a minha atividade profissional à paixão de infância. Em 1984, entrei no Vasco para trabalhar no Departamento Médico da categoria juniors. Pouco depois, estava entre os profissionais, fazendo parte de uma das épocas mais gloriosas da história do Clube.

A atividade de cirurgião não permite trabalhos pela metade. Na minha vida, sempre encarei os desafios de forma plena e com muita intensidade. Gerir o Club de Regatas Vasco da Gama, uma paixão orgulhosamente transferida para meu filho e minha filha, foi sem dúvida uma dos maiores e mais estimulantes missões a que me entreguei.

Entre os tantos milhões de torcedores por todo o Brasil, quantos têm a oportunidade de se sentar na cadeira de presidente e verdadeiramente contribuir para o engrandecimento do Vasco? Pouquíssimos. Eu tive.

Mas, acreditem: cumprir essa missão cobra um preço alto. E eu estou pagando o meu.

Há três anos, deixei de ser exclusivamente Campello ou Alexandre, para ser os inúmeros nomes e adjetivos com que passei a ser chamado. Faz parte do jogo.

Durante o processo eleitoral, ouvimos muitas vezes a palavra ruptura, uma dessas expressões que de tão batidas, tão vulgarizadas acaba perdendo seu real significado. Pois eu vou dizer a você, vascaíno e vascaína, o que de fato é romper com o que precisa ser rompido.

Em três anos de mandato, não fiz outra coisa todos os dias se não detonar o sistema. Soa familiar, não? Já ouvimos a expressão no cinema, mas, posso dizer, com conhecimento de causa, que a realidade é ainda mais cruel. No Vasco da Gama, o sistema entrega a mão para salvar o braço.

Muitos acreditam ainda hoje que fiz uma espécie de pacto para receber, no Conselho Deliberativo, os votos que me conduziram à presidência da Diretoria Administrativa. Pois foi exatamente o oposto: minha candidatura foi a consequência da quebra de um pacto, do descumprimento de acordos.

Fui espancado por todos os lados. Não guardo mágoas. Humildemente prefiro reconhecer que se, até hoje, alguns vascaínos não entenderam ou entendem os meus atos é porque eu não tive a capacidade de explicar minhas intenções. Em certos momentos, é preciso admitir, talvez por temperamento, talvez pelo calor das circunstâncias, eu contribuí para nos afastarmos. Peço desculpas a todos.

O fato é que jamais me escondi ou fugi das minhas responsabilidades. Desde o primeiro dia de gestão, eu me preparei, como diz a linguagem dos boleiros, para carregar o piano. Ou em português mais claro: fazer o “trabalho sujo”, uma expressão curiosa, de sinal trocado. Fazer o “trabalho sujo” significava limpar o Clube das mais práticas mais danosas, muitas delas encrustadas nas paredes de São Januário há décadas. Quem dera os esquemas do futebol fossem apenas táticos.

Eu tive a coragem de mexer nos piores vespeiros. E o sistema, meus amigos, tal qual um vírus, percebe quando está sendo atacado. E reage. Reage duro.

O Vasco da Gama tem muitos colaboradores. A maioria com muitos anos de casa. São trabalhadores honestos, dedicados, competentes e, o mais importante, apaixonados pelo Clube. Mas, lamentavelmente, como em qualquer lugar, também há as exceções à regra. São poucos, mas têm o poder de contaminar o trabalho do todo. Desde o primeiro dia, lutamos para fazer vale a regra e acabar com as exceções.

Para mexer no sistema, não basta uma cirurgia plástica. É preciso cavoucar fundo, arrancar vísceras, transplantar órgãos. Quero dividir aqui com os vascaínos alguns dos casos em que tivemos de abrir o corpo e extirpar pedaços necrosados do Clube. Quase sempre sem anestesia.

Tão logo assumi, mudei parte da equipe do então Departamento Pessoal. Acreditem: nem sempre é por falta de recursos que um Clube deve encargos trabalhistas. Cortamos esse mal pela raiz.

Ainda no início da gestão, desmantelei um esquema dentro da Operação de Jogos. Não vou usar de meias palavras: funcionários, com a conivência — ou melhor — a cumplicidade de dirigentes, roubavam dinheiro da bilheteria em todas as partidas. Não satisfeitos, essa quadrilha ainda apresentava recibos fajutos para inflar as despesas de jogo, em conluio com prestadores de serviço. Cortamos esse mal pelo raiz.

Também quando assumi, determinei uma drástica redução do número de ingressos de cortesias. O Vasco tem um importante e inegável papel junto à comunidade da Barreira. Da mesma forma, precisamos enaltecer a dedicação de nossos torcedores organizados. Mas a capacidade de o Clube acolhê-los não pode ser sinônimo de prejuízo financeiro. E muito menos de falcatrua. Identificamos e eliminamos um esquema de venda de ingressos de cortesias. Agimos duramente e cortamos esse mal pela raiz.

Ainda em 2018, afastei um antigo funcionário da área de Cobrança, entre outras missões responsável pelo recolhimento do pagamento das mensalidades dos sócios. Sua fama extrapolava os portões de São Januário. E era ainda maior em ano de eleições. Não por acaso, por uma questão de segurança, suspendemos o pagamento das mensalidades em dinheiro dentro das dependências do Clube. Em nossa gestão, o sócio passou a quitar sua mensalidade exclusivamente por meio eletrônico, ou no cartão de crédito ou por boleto. Cortamos o mal pela raiz, não sem resistências: os vascaínos vão se lembrar que um dos candidatos às eleições deste ano chegou a convocar uma reunião de CD para questionar a administração sobre a suspensão do pagamento em dinheiro na Secretaria. Um fato me marcou: naquela mesma noite nosso rival jogava as oitavas de final da Libertadores no Maracanã. E o Vasco? Estava reunido para discutir, em pleno século XXI, porque nosso sócio não podia pagar sua mensalidade em espécie dentro do Clube. Que fria!

Fiz o que se esperava de um Presidente: detectei as sacanagens e arranquei do Clube uma por uma. Fiz inimizades, fui ameaçado, passei a ser achincalhado por ex-funcionários nas redes sociais. Conheço o rosto e a voz de cada um desses inimigos. Não arredei um milímetro do meu propósito.

Mas as raízes têm vida própria. Elas insistem em voltar a crescer. O sistema, companheiro, se reorganiza, se regenera, articula novos interesses, cria novas lideranças. Quem perde a boquinha logo identifica e gruda naquele que pode devolvê-la.

As eleições do dia 7 de novembro mostraram claramente como os parasitas sempre buscam um novo hospedeiro. Ao longo daquele sábado, identifiquei na campanha de um dos candidatos vários dos funcionários que demiti, pessoas que passavam por mim exalando desejo de vingança em seu suor. Eles querem um emprego, um trabalho honesto para sustentar suas famílias? Não. Eles querem voltar a sangrar o Vasco. Os vermes estão à espreita. Para essa gente, o Vasco será sempre uma vaca leiteira.

O sistema, meus amigos, é muito maior do que a gente pensa. E não tem vergonha de se revelar. De um dos candidatos, ouvi, aos gritos, que fui otário por não ter “usado a máquina” para me reeleger. Em três anos, foi o maior elogio que eu e meus companheiros de gestão recebemos. Obrigado, candidato! Não só pelo reconhecimento que cumpri minha missão, mas por escancarar ao vascaíno sua natureza e dos muitos que o cercam.

Gostaria de ter feito mais. Não foi possível.

Ao assumir a presidência do Vasco da Gama, me expus, desde o início, a um plebiscito entre os que aprovam e os que não aprovam minha gestão. Os sócios fizeram sua escolha, e eu respeito.

Tenho certeza de que, com o tempo, desarmados os espíritos, as realizações desta Administração, que não são poucas, serão devidamente avaliadas e reconhecidas. Não há pressa.

Mas lembrem-se: as aves de rapina estão sempre de tocaia. Onde nós enxergamos paixão e razão de viver, elas enxergam apenas uma carniça para saciar sua fome.

Precisamos manter essa gente longe do Vasco.

O sistema é foda, parceiro!

Alexandre Campello da Silveira"


 

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