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Paulistão deve parar? Especialista defende diálogo entre as partes e avalia que pressão da FPF poderia acabar derrubando medida do Governo

Entidade esportiva se reuniu com o Governo de São Paulo para debater se o campeonato ficará paralisado por 15 dias, ou se os jogos acontecerão em outros Estados

Redação Publicado em 16/03/2021, às 09h20

Bola da final do Campeonato Paulista
Bola da final do Campeonato Paulista - GettyImages

Desde o início do mês de março, os casos e mortes causadas pelo coronavírus tiveram uma alta desenfreada em todo o Brasil.

No entanto, o Estado de São Paulo foi o que mais registrou aumentos nesses números, exigindo assim, que medidas mais restritivas fossem adotadas pelo Governo para conter o avanço da pandemia.

Dentre toque de recolher e de restrição, alteração nos horários de funcionamento de estabelecimentos até mesmo essenciais, a realização de eventos esportivos foi proibida e com ela, a continuidade do Campeonato Paulista.

Foi na última quinta-feira, 11, que João Dória foi a público anunciar a medida que impactaria em toda uma cadeia esportiva, tendo em vista que o Paulistão é um dos principais campeonatos estaduais e além dos clubes da elite, ainda conta com as 32 equipes da Série A2 e A3.

A partir do momento do anúncio, a Federação Paulista de Futebol (FPF) já se posicionou contrária à medida e em primeiro momento, inclusive, cogitou transferir as partidas para outros Estados, com o objetivo de não bagunçar o calendário brasileiro que já é naturalmente complicado.

Alegando que o Paulistão é um torneio seguro, com medidas de segurança rígidas e que dentro de campo não há contaminação, a entidade se colocou à disposição de um diálogo com o Governo Estadual para tentar derrubar essa decisão.

Porém, uma coisa estava certa desde o início: A FPF vai realizar o restante do Campeonato Paulista, seja em São Paulo ou em qualquer outro Estado do Brasil que aceite receber as equipes.

Diante do cenário atual, o SportBuzz conversou com o especialista da OutField Consulting, Marco Sirangelo sobre os impactos causados pela paralisação tanto para os clubes como para os próprios atletas.

Já é de conhecimento de quem acompanha o futebol brasileiro que os clubes que não integram a elite do futebol passam por dificuldades financeiras e contam com o apoio e investimento das federações e patrocinadores.

Nesse caso, uma pausa de 15 dias nas atividades futebolísticas impactaria e muito as equipes, já que sem jogos, não terão transmissão de TV e assim, a arrecadação com esse setor seria nula.

Pensando nas equipes que não possuem uma reserva de emergência, os dirigentes das Séries A2 e A3 temem que essa paralisação ultrapasse os 15 dias inicialmente previstos e que isso impacte nas contas.

No entanto, na visão de Marco Sirangelo o impacto seria maior se tivéssemos com um giro grande de público e bilheteria, que representa grande parte da arrecadação das equipes.

“Eles recebem dinheiro de patrocinadores e de direitos de televisão mesmo na série A2 são valores inferiores, mas é mais ou menos isso que mantém os clubes, então com essa paralisação mesmo que por 15 dias, eu não sei se tem um impacto tão grande no que os clubes estão recebendo de dinheiro por conta da paralisação, tem que ver se os contratos de televisão, se os repasses da federação vão de fato parar. Se esse tipo de repasse parar, aí evidentemente que tem um impacto, mas se de fato estivéssemos com público no estádio, aí sim esses clubes deixariam de ganhar uma quantidade, não sei se na Série A2 é tão significante, mas sim”, disse.

Além disso, o especialista aponta que já que os clubes estão sem receita desde o ano passado, quando os primeiros jogos foram cancelados, eles já não estão contando com esses valores e que se o campeonato fosse cancelado, o problema seria muito maior.

“Eu não enxergo esses 15 dias de paralisação para clubes de Série A2 e A3 como um grande impeditivo porque eles já não têm recebido esses valores, principalmente de bilheteria, então eu não acho que impacta tanto quanto em relação ao risco de o campeonato ser cancelado, aí seria um impacto muito grande. A paralisação de 15 dias na minha opinião não vai afetar esses clubes de Série A2 e Série A3 simplesmente por essa paralisação de 15 dias, eu acho que financeiramente, na minha opinião isso não se sustenta tanto, eu acho que o maior problema é com relação a calendário”, contou.

Com a realização do Campeonato Paulista, mesmo que sem o público, os patrocinadores, que investem grande parte dos valores nas equipes, conseguem uma boa visibilidade a partir das transmissões. 

Porém, sem as partidas no momento da paralisação, eles deixam de aparecer e mostrar suas marcas, o que caso a medida dure mais tempo, poderia resultar em quebra de contratos dependendo da situação.

“Hoje ninguém sabe muito o caminho que isso vai tomar e isso leva que um patrocinador se sinta, de certa maneira, inseguro com o futuro do investimento dele, se não está tendo jogo, não tem visibilidade e pode ser que tenha aí uma brecha para uma quebra de contrato, ou alguma coisa e isso sim significaria um problema importante para os clubes. Mas assim, eu acho que a situação que a gente tem agora em cima da mesa: são 15 dias, né? Em tese seriam quatro jogos no máximo e eu acho que um campeonato de patrocínio, não sei se seria suficiente só por quatro jogos, eu estou chutando quatro nesse período de jogos de duas semanas, que iria fazer com que o patrocinador ficasse bravo e só por causa disso ele quisesse romper o contrato. Pode ser um estopim, vai que o patrocinador já não está satisfeito com o negócio e aí ele usa esse período para justamente romper o acordo, mas eu acho que não vai ser o caso”, opinou.

Um dos pontos que estão sendo indicados pela Federação Paulista para manter o campeonato na ativa é a alegação de que ele é seguro, que os protocolos são seguros. 

No entanto, volta e meia explodem casos nos clubes, como aconteceu com Corinthians e PontePreta, por exemplo, o que coloca a fala da entidade em dúvida, até mesmo porque recentemente tivemos o caso do atacante do Flamengo, Gabigol, em um cassino clandestino, indo contra os protocolos.

“Aí você tem o Gabigol, acho o exemplo do Corinthians muito interessante, o médico do Corinthians pediu demissão agora alegando aparentemente falta de comprometimento dos jogadores em relação a ter cuidados maiores e eu acho que tudo isso faz parte do contexto do futebol, então assim, o Gabigol, claro, de novo ele é um evento isolado, mas ele é interpretado como parte de todo esse contexto e é claro que você vai somando as questões e no fundo é muito fácil uma pessoa interpretar que o futebol é de alguma forma não está contribuindo para as coisas melhorarem, ou pelo menos ele continua jogando um pouco mais de lenha na fogueira, no mínimo não ajuda apaziguar as coisas, embora que a gente tenha que separar as coisas, a atitude lá é uma atitude isolada e tem que ser repreendida e me parece que não vai ser”, disse antes de completar.

“O que a federação decidir os clubes vão ter que cumprir e sem que exista um diálogo maior que envolva os próprios clubes, mas esse exemplo do Gabigol é evidente de que é também o exemplo do Corinthians de que o futebol está totalmente suscetível a esse problemas que a população tem vivido, é exatamente o que eu falei no início, o futebol às vezes acha que ele não faz parte da sociedade, mas ele faz, talvez a gente só vai entender isso quando acontecer um desastre e a gente tem que lembrar que já aconteceu, já morreram treinadores, morreram roupeiros e as coisas continuam acontecendo normalmente, tem uma parte muito triste disso”, concluiu.

Diante disso, caso a Federação continue com a insistência de realizar o campeonato a todo custo, e casos de coronavírus explodam nesse tempo, toda a imagem criada por ela vai por água abaixo, coisa que para Marco Sirangelo, é uma ‘Forçação de barra’ da entidade.

“Eu acho que para mim, isso demonstra principalmente que a federação ela força a barra. Eu acho que tem momentos que o futebol se coloca como alheio à sociedade, tipo assim, não, a gente está vivendo um problema gravíssimo, a gente não precisa nem discutir o quão sério é o momento que a gente tem vivido, mas eu acho que a federação esquece isso só para tentar dizer que o futebol permanece relevante. Ela passa por cima até de questões humanitárias por conta disso, ela quer se manter relevante acima de qualquer questão e eu acho que a gente tem vivido um momento muito difícil”, apontou.

Um dos motivos apontados pelo especialista para a insistência da entidade se dá pelo fato de que a discussão de que o campeonato Estadual não é mais relevante ganha força com o passar dos anos.

Jogos no meio de uma janela que aparentemente não fazem sentido ao mesmo tempo que outros torneios acontecem é um dos principais motivos para que o cancelamento total da competição aconteça.

Porém, na visão de Marco, essa é uma questão complexa, uma vez que os clubes recebem um bom pagamento por isso e somente se algo mais grave acontecer, como patrocinadores ou TV 's perderem o interesse de investir, que a possibilidade de encerrar a competição aconteça.

No entanto, o especialista ainda aponta que acima das federações estaduais ou dos clubes, a CBF teria que se posicionar contrária à continuidade do torneio, o que parece algo muito distante de acontecer.

“É uma discussão que já é antiga e que eu acho que a CBF e as federações não querem endereçar a resolução desse problema, os clubes também acho que também tem uma situação no Campeonato Paulista principalmente, como no Rio de Janeiro que agora rompeu o contrato com a Globo, o Campeonato Paulista é disparado o mais importante do país e é um dinheiro muito relevante, igualmente relevante tanto para os clubes grandes como para os pequenos, não vai partir dos clubes, ou pelo menos deveria, mas não vai partir deles qualquer rompimento, qualquer tentativa de mudança desse calendário e a federação tem que de alguma forma tentar se manter relevante e a forma que ela entende disso é bater na tecla de que o Campeonato Paulista no caso da federação paulista ainda é importante”, indicou antes de finalizar.

“A gente vai ter casos como no ano passado do Palmeiras que jogou quase 80 jogos provavelmente pode acontecer de novo, sem descanso, sem tempo para treinar, isso vai acontecer, agora eu acho que mais que as federações, esse caso seria da CBF dá uma canetada e falar ‘escuta pessoal, eu agradeço as federações, mas de agora em diante não vai ter mais campeonato estadual’ e a gente sabe que isso simplesmente não vai acontecer”, finalizou.


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