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Bahia: “Não me passou pela cabeça sair”, diz Danilo Fernandes

Goleiro Danilo Fernandes participou de primeira entrevista coletiva pós-ataque ao ônibus do Bahia e reforçou desejo de seguir no Tricolor

Redação Publicado em 01/03/2022, às 18h15

Bahia: “Não me passou pela cabeça sair”, diz Danilo Fernandes - Felipe Oliveira/ EC Bahia/ Flickr
Bahia: “Não me passou pela cabeça sair”, diz Danilo Fernandes - Felipe Oliveira/ EC Bahia/ Flickr

Vítima do ataque ao ônibus do Bahia, o goleiro Danilo Fernandes concedeu uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 1, para relatar sobre o atentado na semana passada. Na conversa com os jornalistas, o jogador de 33 anos destacou o desejo de seguir defendendo o Tricolor de Aço. O contrato com o clube se encerra em dezembro.

Questionado sobre o que pensou após o episódio, o goleiro foi firme em dizer que “não passou pela cabeça sair do clube”. Na noite da última quinta-feira, 24, na chegada para o jogo contra o Sampaio Corrêa, pela Copa do Nordeste, o ônibus do Bahia foi atingido por uma bomba dentro do veículo. Danilo Fernandes ficou ferido e foi levado ao hospital.

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“Não me passou pela cabeça sair”, começou o goleiro. “Eu, minha família, estamos bem adaptados, apaixonados pelo clube, pela cidade e nenhum momento passou isso na minha cabeça. (...) Minha motivação é fazer o que eu mais amo. Não são vândalos que vão mudar isso. O verdadeiro torcedor não faz isso. O verdadeiro torcedor vai ao estádio, mesmo que seja para xingar, para cobrar, mas não faz isso. Minha motivação é fazer o meu melhor, é estar com minha família, com meus companheiros. Estar saudável para fazer o que eu mais amo”, acrescentou.

Com o ataque na chegada na Arena Fonte Nova, Danilo Fernandes foi ferido com estilhaços de vidro no rosto. O arqueiro precisará passar por um procedimento no olho e não tem previsão de retorno aos gramados. O jogador lamentou o rumo que tem tomado o futebol brasileiro, que registou outros casos de violência e racismo contra jogadores na mesma semana.

Danilo Fernandes reforça desejo de permanecer no Bahia
Danilo Fernandes reforça desejo de permanecer no Bahia (Crédito: YouTube/ TV Bahêa)

 

“Acredito que, antes de tudo, é a entrevista mais difícil da minha vida. Falando coisas que não é o que a gente quer falar. A gente quer falar o que acontece dentro do campo. Uma situação chata, no futebol pentacampeão mundial, que tem tudo para ser o mais bonito do mundo e está virando notícias policiais. Num momento em que o mundo vem passando por guerra e adversidades. (... ) Hoje no futebol brasileiro, não só no Bahia, está complicado para jogar. Não só na Bahia, mas no Brasil todo, a paixão está sendo confundida com agressão. A preocupação é com todos envolvidos nessas situações complicadas dentro do campo. A segurança tem que ser a nível nacional”, disse.

Outros trechos da entrevista divulgada pelo Bahia

Como foi o momento do atentado ao ônibus?

“Eles até relataram que eu demorei pra manifestar alguma coisa. Acharam que só tivesse acontecido as explosões. Não tava ouvindo e não percebi o que ocorreu. Senti uma porrada no meu rosto e depois vi alguém gritando que foi uma bomba. Quando me dei por conta, estava pingando um monte de sangue. Pediram para eu ir mais à frente para sair da zona de perigo. Estava aéreo, não sabia o que estava acontecendo. Fica estranho de entender o momento e tudo que aconteceu”.

Apoio

“Tem pessoas mais competentes para cuidar. A gente acredita na polícia, ministérios, todo mundo que está envolvido buscando justiça. A gente fica indignado, os atletas ficam indignados. Recebi muita mensagem legal, o professor me ligou, presidente, vice-presidente. O professor Tite me mandou mensagem de solidariedade. O momento é de se apegar a isso. A gente deixa para as autoridades. Que a justiça seja feita porque isso não é normal. Pessoal invade CT, nos pressiona na rua. Nenhum trabalhador sofre isso na rua. Por que que um jogador tem que ser assim? A gente não entra para perder e nem para fazer gracinha. Ali tem onze adversários querendo ganhar o jogo. Agora quer dizer que somos vagabundos e entramos para perder? A gente precisa de respeito, de segurança para fazer o nosso trabalho”.

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