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Futebol » MELHOR DO MUNDO

Megan Rapinoe cita iraniana que ateou fogo no próprio corpo: "Estas histórias me inspiram e me entristecem"

Eleita a Melhor Jogadora do Mundo pela Fifa, Rapinoe fez discurso tocante e lembrou da torcedora que tirou a própria vida

SportBuzz DIGITAL Publicado em 23/09/2019, às 17h23

Megan Rapinoe discursando
Megan Rapinoe discursando - Getty Images

Nesta segunda-feira, 23, aconteceu a cerimônia de premiação The Best da Fifa, que elegeu os Melhores do Mundo da temporada 2018/19, em Milão, na Itália. A norte-americana Megan Rapinoe, de 34 anos, foi eleita a melhor jogadora feminina do ano, vencendo a compatriota Alex Morgan e a inglesa Lucy Bronze.

A atacante também esteve entre as melhores da Seleção do Ano da Fifa. 

Ativista e assumidamente homossexual, Megan é conhecida por seus discursos marcantes sobre o combate à homofobia, racismo e sexismo, além de ser destaque por elevar a voz contra o governo dos Estados Unidos, de Donald Trump.

Ao receber a Bola de Ouro, a jogadora lembrou o trágico episódio da torcedora iraniana Sahar Khodayari, que ateou fogo contra o próprio corpo após ser condenada por ter tentado entrar em uma partida do seu time, em março deste ano. "Estas histórias me inspiram e me entristecem", afirmou Rapinoe. 

Na sentença, a mulher de 30 anos poderia cumprir uma pena de seis meses de reclusão depois de se passar por um homem para entrar no estádio, vestindo uma peruca azul e um casaco longo. Na ocasião, a polícia a deteve e ela ficou três dias na prisão.

"Uma das histórias que me inspirou neste ano foi de Raheem Sterling, que fez grandes coisas em campo, mas a maneira como discutiu o racismo foi muito importante. A torcedora iraniana que colocou fogo no próprio corpo porque foi assistir a um jogo. As incontáveis jogadoras LGBT que lutam todos os dias para estar neste jogo que amamos, mas, principalmente, lutando contra a homofobia. Estas histórias me inspiram e me entristecem", afirmou ela. 

Em seu discurso, Rapinoe também cobrou mudanças de todas as partes e, principalmente, dos atletas profissionais. 

"Se realmente queremos mudanças significativas, seria excelente se todo mundo se posicionasse contra o racismo e a homofobia como todas estas pessoas se manifestaram. Se todos se posicionassem a favor da igualdade salarial [entre gêneros], isto seria muito importante. Temos uma grande oportunidade como atletas profissionais. Temos muito sucesso financeiro e, de outros modos, temos grandes plataformas", completou. 

A jogadora do Reign FC é a atual campeã da Copa do Mundo feminina com os Estados Unidos, além de ter sido chuteira de ouro, artilheira e melhor jogadora do torneio. 

Confira o discurso completo: 

Estou sem palavras, e não acreditaria se alguém tivesse dito que isso aconteceria comigo. Preciso agradecer à minha família e à minha namorada, que não pôde estar aqui. Muito obrigada por todo o apoio que vocês me deram em todos estes anos. Todos os meus treinadores. Jill Ellis [técnica campeã mundial com os EUA em 2019], que nos colocou em uma grande posição de sucesso. Todas as minhas colegas de equipe, que sempre compartilharam tudo comigo.

Muito obrigada a todas as jogadoras com as quais eu joguei no passado. Foi um ano incrível para o futebol feminino. Para vocês que estão um pouco atrasados à festa, vou perdoá-los. Está apenas começando, mas foi realmente incrível. A Federação Francesa e a Fifa fizeram uma grande Copa do Mundo, e fazer parte disto foi indescritível. O público, o entusiasmo, o clima no estádio. Foi tudo incrível.

O Infantino [presidente da Fifa] falou um pouco sobre tudo o que eu falaria. Uma das histórias que me inspirou neste ano foi de Raheem Sterling, que fez grandes coisas em campo, mas a maneira como discutiu o racismo foi muito importante. A torcedora iraniana que colocou fogo no próprio corpo porque foi assistir a um jogo. As incontáveis jogadoras LGBT que lutam todos os dias para estar neste jogo que amamos, mas, principalmente, lutando contra a homofobia. Estas histórias me inspiram e me entristecem.

Se todo mundo se posicionasse contra o racismo como todas essas pessoas se posicionaram, se todos se posicionassem contra a homofobia como as jogadoras LGBT fazem para jogar futebol. Se realmente queremos mudanças, precisamos de todo mundo se posicionando contra o racismo, contra a homofobia, pela igualdade de pagamentos. Temos grandes oportunidades, temos grande sucesso, uma grande plataforma. Temos a oportunidade de usar esse jogo lindo para realmente mudar esse mundo para melhor. Temos um poder incrível nesta sala 

Eu acho que todos aqui temos oportunidade e este palanque para levantar as pessoas. Compartilhem o sucesso, temos a oportunidade no futebol de usar este lindo jogo para realmente mudar o mundo para melhor. É isto que eu peço para todos, levem isto para seus corações. Temos um poder incrível nesta sala. Muito obrigada, é uma grande honra.

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