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Jogadoras da Venezuela escrevem carta aberta denunciando ex-treinador da seleção por abuso sexual

O relato, publicado pelas jogadoras da Venezuela nas redes sociais, conta com o caso de uma atleta que teria sido abusada desde os 14 anos

Redação Publicado em 06/10/2021, às 07h36

Jogadoras da Venezuela denunciam abuso sexual de treinador da seleção - GettyImages
Jogadoras da Venezuela denunciam abuso sexual de treinador da seleção - GettyImages

Nesta terça-feira, 5, 24 jogadoras da Seleção Venezuelana de futebol feminino divulgaram uma carta aberta nas redes sociais denunciando, e acusando o treinador panamenho Kenneth Zseremeta, de abuso físico, psicológico e sexual.

Ele comandou a equipe da Venezuela em diversas categorias entre 2008 e 2017, e teria cometido os crimes não somente com as atletas adultas, mas também com as menores de idade.

De acordo com o relato divulgado, que foi assinado entre outras, pela atacante Deyna Castellanos, do Atlético de Madrid, existe pelo menos um caso relatado de abuso sexual, feito por uma atleta que decidiu permanecer anônima.

"Ano passado (2020), uma de nossas companheiras nos confessou que havia sido abusada sexualmente desde os 14 anos (2014) pelo treinador Kenneth Zseremeta. Este abuso durou até que ele foi despedido. Seu cúmplice em todo isso foi Williams Pino. Esta foi uma notícia que para todas nós foi muito difícil de assimilar, já que muitas de nós nos sentimos culpadas por ter estado tão perto de tudo isso e não termos nos dado conta de algo tão grave e punível. Ao mesmo tempo, a confissão não nos surpreendeu, pois esse era o tipo de ambiente que o treinador cultivava dia a dia", informa um trecho do comunicado.

Kenneth Zseremeta treinou a seleção principal da Venezuela na Copa América de 2014, e também a equipe Sub-17 do país nos Mundiais da categoria em 2014 e 2016.

Depois que deixou o cargo em 2017, o técnico de 55 anos trabalhou no Deportivo Táchira e nas seleções femininas da República Dominicana e Panamá.

A carta publicada pelas jogadoras da Venezuela, conta ainda que entre 2013 e 2017 "surgiram numerosos incidentes ao redor da figura do treinador Zseremeta, os mais comuns sendo o abuso físico e psicológico durante os treinamentos".

Segundo o relato das atletas, era normal que Zseremeta desse sua opinião, comentasse e perguntasse às atletas sobre sua orientação sexuais e intimidades, até mesmo para as menores de idade.

"As jogadoras da comunidade LGTBI eram constantemente questionadas por sua orientação sexual e o assédio às jogadoras heterossexuais era constante", completa o relato. "As insinuações sexuais era temas do dia a dia assim como os comentários até o atrativo físico de muitas de nossas jogadoras", continua um dos trechos.

Por isso, as jogadoras venezuelanas dizem que estão buscando soluções para fazer uma demanda legal, "mas por diferentes motivos, tem sido muito difícil", e por conta disso elas decidiram omitir o nome da jogadora que relatou o abuso.

Assim, elas encerram a carta pedindo "a todas as pessoas pertinentes", como Fifa, confederações, federações e ligas, que "não permitam que esse 'treinador' siga fazendo sua vida dentro do futebol feminino".

No fim, as profissionais dizem que, "como jogadoras, não nos calaremos mais, no entanto sabemos que precisamos de apoio de todas essas instituições para proteger às jogadoras de futebol a nível global, e criar uma cultura onde podemos estar a salvo".


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