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EXCLUSIVO: Augusto César, ex-Chapecoense, comenta sobre questões raciais: “Queria que tivesse mais igualdade”

Volante, que atualmente joga no Matsumoto Yamaga, do Japão, ainda revelou detalhes sobre seus processos de adaptação nos países que atuou, além do Brasil

Pedro Ungheria Publicado em 08/06/2020, às 13h18

Craque brasileiro vive um novo desafio no Japão
Craque brasileiro vive um novo desafio no Japão - Divulgação/Mastumoto Yamaga

Dono de uma carreira prestigiosa, Augusto César deixou o Brasil logo após aparições importantes pelo Internacional, Chapecoense e Sport, tudo isso em um breve intervalo de 2 anos. Até que em um retorno para o sul do país, enquanto atuava pelo Joinville, ele teve a chance de despontar longe do Brasil.

Desde então, o craque, que completará 28 anos em menos de dois meses, tem mostrado um pouco do futebol brasileiro para os mais variados povos. A primeira experiência fora aconteceu no Tractor Club, no Irã, ainda no ano de 2015. Por lá, o craque caiu nas graças da torcida e atingiu a média de um gol a cada duas partidas.

Porém, a adaptação não foi simples! Em uma entrevista exclusiva para o SportBuzz, Augusto deu detalhes de como foram suas estadias nos mais diferentes países que já jogou, comentou sobre sonhos e pretensões que têm na carreira e ainda dissertou sobre a atual situação do mundo, diante de milhares de manifestações contra o racismo!

Augusto César (Divulgação/Mastumoto Yamaga)

 

Logo de cara, o craque relembrou a chegada no Oriente Médio. Por lá, além de histórias divertidas, o jogador colecionou algumas dificuldades para devido a cultura diferente

“Eu nunca tinha saído para fora do Brasil. Para mim foi tudo muito novo e quando recebi a proposta fiquei muito feliz. Foi minha primeira experiência fora do Brasil.  Aprendi muita coisa, o mais difícil foi aprender a língua persa. Hoje em dia é mais fácil, tem tradutor, telefone, o que tornou mais tranquilo. Outra coisa foi a adaptação com comida, jeito de jogar, cultura. A primeira vez que a gente sai do país e bem complicado, mas foi um grande aprendizado e experiência, fiquei muito feliz”, disse ele.

Ainda sobre a chegada no local, o brasileiro relembrou seu primeiro contato com a neve.

“Quando cheguei, lembro que estava muito frio e nunca tinha visto neve. Eu estava dormindo e estava muito frio. Quando levantei e olhei para rua, estava nevando. Tomei um banho, saí para rua e fui ver a neve. Depois de uma semana não queria mais neve”, recordou, aos risos.

Depois do destaque no Irã, o craque foi negociado com os Emirates Club, nos Emirados Árabes, mas logo voltou para o Irã, onde jogou pelo Sanat Naft. Por lá, ele atingiu seu maior número de gols, até que foi negociado com o Querétaro, do México. Em solos norte-americanos, o brasileiro estreou com o pé direito ao marcar em sua estreia com a camisa do clube mexicano.

Depois disso, Augusto chegou a voltar para a Chape, onde não ficou muito tempo, até que acertou seu novo contrato com o Matsumoto Yamaga, do Japão, onde está atualmente. 

“Com a experiência que tive nos outros países e com essa que estou tendo no Japão, eu procuro me adaptar o mais rápido possível para me adequar aos costumes, culturas e hábitos. O começo aqui foi bem complicadinho e ainda está sendo em algumas coisas, mas quanto mais rápido eu me adaptar, melhor para mim e para o clube”, contou ele.

Tendo em vista a quantidade surpreendente de países que passou em um intervalo não tão grande de tempo, conversamos com Augusto sobre a forma com que cada um lida com o preconceito e racismo, justamente pelo fato de que o assunto está em alta, devido as mais recentes manifestações que estão tomando conta dos Estados Unidos, após a morte de George Floyd.

“Ao todo são cinco países, contando com o Brasil, que eu tenho rodado, fora os que visitei. Esta questão racial é bem complicada, como sou um jogador negro, até complicado eu falar, pois posso sair como vítima. Nunca sofri nenhum tipo de racismo, graças a Deus, porque eu não sei como é essa sensação, mas imagino que deve ser horrível. Dou todo apoio para que isso mude o quanto antes e ficaria muito feliz se tivesse mais igualdade no mundo”, declarou.

Augusto César (Divulgação/Mastumoto Yamaga)

 

“Queria que tivesse mais igualdade entre o preto e o branco, porque a gente vê assim só quem é negro que vê a dificuldade de enfrentar tudo isso. É bem complicado. Aqui no Japão eles não dão muita importância, pelo menos no que vejo. Eu acompanho o que está acontecendo nos EUA, mas acredito que isso vai passar logo e as coisas tendem a mudar daqui em diante”, concluiu. 

Deixando uma mensagem para os que abraçam a causa, Augusto recordou uma frase que ouviu de um amigo anos atrás: “Eu tinha um amigo que falava assim para mim: "Nada na vida vai ser fácil, Augusto". Isso a muito tempo atrás, nós negros temos que fazer duas vezes mais. Espero que hoje em dia eu não leve esse pensamento mais, pois eu acredito que as coisas irão mudar. O que eu espero é que logo tudo mude e que as pessoas tenham mais fé em Deus para abrir o coração e ver a igualdade no mundo”, enfatizou.

Por fim, o volante deu detalhes sobre o que almeja conquistar ainda na carreira. Mesmo ciente da dificuldade que pode enfrentar, Augusto afirmou que a Seleção Brasileira ainda é vista como um sonho para ele. 

“Como todo jogador, eu sonho, sei que é muito complicado para mim, mas nada é impossível. Acredito em jogar na Seleção Brasileira. Sei que nas minhas condições atuais é muito difícil, mas nada é impossível. trabalhando, se esforçando e focado no que quero, isso é um sonho, então sonhos se realizam, a gente tem que sonhar alto. Esse é meu grande sonho”, revelou.

Por mais que seu foco esteja totalmente no Campeonato Japonês, em sua despedida, o brasileiro ainda afirmou que pretende retornar ao Brasil antes de pendurar as chuteiras, afinal, acredita que tem um pouco mais de futebol para mostrar, seja lá onde for.

“Sim, pretendo voltar a jogar no Brasil, com certeza. Estou nessa rotina de exterior e Brasil (vai e volta), mas pretendo sim, quero mostrar meu futebol ainda”, finalizou o jogador.

Augusto César (Divulgação/Mastumoto Yamaga)

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