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Empresário de Felipão revela bastidores do Cruzeiro e lembra: "Chegou a ter falta de alimentação na concentração"

Agente de Felipão contou que o treinador até pagava passagens para os jogadores do Cruzeiro viajarem para as partidas

Redação Publicado em 12/10/2021, às 19h25

Felipão, ex-treinador do Cruzeiro com o uniforme do Grêmio - Lucas Uebel / Grêmio FBPA / Flickr
Felipão, ex-treinador do Cruzeiro com o uniforme do Grêmio - Lucas Uebel / Grêmio FBPA / Flickr

Em uma entrevista à "Rádio Grenal", o empresário Jorge Machado, que cuida da carreira do técnico Felipão, revelou alguns bastidores da situação financeira do Cruzeiro durante a passagem do treinador em 2020.

O agente contou que Felipão sofria emocionalmente enquanto estava comandando o elenco cruzeirense, e ainda contou detalhes de quando acompanhou de perto o complicado quadro financeiro do clube.

O treinador ficou no comando do Cruzeiro entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. De início, a ideia era tirar as chances que o time tinha de cair para a Série C, o que acabou acontecendo, mas para conseguir fazer seu trabalho, o empresário contou que Felipão chegou a pagar as passagens para que os jogadores pudessem participar das partidas.

"O Cruzeiro está totalmente quebrado, não tenho nenhum receio de falar, eles não cumpriram nada, mentiram, foi uma diretoria mentirosa, falaram que bancariam o Felipão e a situação do plantel, mas o clube ficou com salários atrasados, falta de pagamento de funcionários, teve época que o Felipão teve que entregar do próprio bolso para pagar passagens para os jogadores viajarem", contou.

Ainda na conversa, o empresário contou que além dos salários atrasados, a falta de estrutura fez com que chegasse a faltar alimento para os atletas concentrados.

"Salários atrasados, dificuldade financeira, falta de contratação porque impediram o Cruzeiro por falta de pagamentos pelos processos na Fifa. Para você ter uma ideia, chegou a ter falta de alimentação na concentração", disse.

No entanto, os problemas financeiros enfrentados pelo Cruzeiro não afetaram somente o elenco. De acordo com o agente, Felipão também ajudava os funcionários do clube, já que muitos estavam passando dificuldades na família e falavam sobre isso com o técnico.

"Até funcionários do clube, cortadores de grama, cozinheiros, todos reclamavam com Felipão sobre salários atrasados, dificuldades que estavam na família, (e acabaram) recebendo a ajuda do Felipão", lembrou.

Por conta de tudo isso, Machado contou que Felipão pediu para sair do Cruzeiro. O agente citou o cenário político como obstáculo nos bastidores da equipe mineira.

"Pessoas que prometeram no dia da contratação (os patrocinadores) que bancariam o vestiário para que o Felipão não tivesse este problema - e ele teve muito este problema -, as mesmas pessoas que fizeram isso abandonaram o Cruzeiro quatro, cinco rodadas depois. Foi um problema político", disse.

O empresário também lembrou que existiu uma tentativa para que Felipão continuasse à frente do Cruzeiro, mas o técnico não quis. Machado disse que Felipão, quando cumpriu com o seu compromisso inicial, optou por se afastar da possibilidade de treinar o Cruzeiro depois disso.

"Quando ele livrou o Cruzeiro da Terceira Divisão, ele foi chamado para fazer um planejamento para o outro ano, e o Felipão pediu o boné e saiu. (...) O objetivo era livrar o Cruzeiro no primeiro ano, que o time estava horroroso, fez uma campanha para chegar ao G4 e, no segundo ano, subir. Como ele conseguiu escapar da Terceira Divisão muito antes do tempo previsto, as cobranças começaram a vir", apontou.

No entanto, apesar disso, o empresário isentou o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, de qualquer responsabilidade em relação ao momento que o clube enfrenta. Para ele, todos esses problemas são frutos de diretorias anteriores à gestão atual.

"O atual presidente não tem culpa disso. As pessoas deixaram o Cruzeiro desta forma. (...) É uma pessoa que trabalha muito, tenta e não consegue. Ele deve estar fazendo uma palestra (em Portugal) de como não se deve fazer, porque foi o que deixaram para ele. Ele é um cara do bem, que não tinha experiência e jogaram a bomba nele e ele pegou", finalizou.


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