Mesmo depois de ter sido anunciado como o novo jogador doGrêmio, a negociação do Flamengo pela contratação de Rafinha permanece cercada de dúvidas até hoje e se torna assunto recorrente.
 
Apontado como um dos dirigentes que não desejavam a contratação do atleta, o nome de LuizEduardo Baptista, vice-presidente de Relações Externas do Flamengo sempre é citado de alguma forma.
 
No entanto, em entrevista ao site "O Dia", o dirigente Rubro-Negro negou novamente que tenha sido contra o retorno do jogador campeão da Libertadores em 2019. Ele ainda contou que o financeiro do clube afirmou que o jogador só poderia ser contratado no segundo semestre.
 
"Todo torcedor do Flamengo gostaria de contratar o Rafinha. Só que o financeiro afirmou que só poderíamos contratar quando desonerasse a folha em R$ 1 milhão. Isso só seria possível em julho ou agosto desse ano. Se o atleta pudesse esperar, ótimo. Se não pudesse infelizmente não havia o que fazer", disse.
 
Depois de anunciado que o Flamengo havia desistido da contratação de Rafinha, o jogador afirmou em entrevistas que não chegou a discutir valores com o Rubro-Negro, e que estava disposto a fazer um esforço já que o atual momento financeiro do clube não era positivo.
 
Apesar disso, LuizEduardoBaptista afirmou que de qualquer forma a contratação do lateral traria um maior gasto ao Flamengo, que naquele momento não queria arriscar por conta da pandemia de coronavírus.
 
"Nenhum rubro-negro em sã consciência não gostaria de ter o Rafinha. Mas nós não podemos tomar uma decisão que comprometa o nosso orçamento. Mesmo que digam: 'Você pode me pagar ano que vem, não precisa pagar esse ano'. É dívida do mesmo modo. O Rafinha foi uma unanimidade na avaliação técnica, no conselho do futebol", afirmou.
 
Quando falou das negociações com Rafinha, o dirigente afirmou que quando o Flamengo o procurou para iniciar as conversas, a previsão que os dirigentes tinham eram que de a pandemia estaria no fim e que o impacto econômico negativo dela diminuiria em pouco tempo.
 
"Quando iniciamos as conversas com ele, a gente achava que o público voltaria em março, que a pandemia estava distante. Hoje, em sã consciência, a gente não pode saber quando volta. Esse ano a gente a gente tem além do prejuízo do ano passado, mais R$ 80 milhões na conta desse ano. A gente não pode colocar em risco a permanência de um Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro por causa de um capricho da gente, que não tínhamos condições de pagar", revelou.
 
O dirigente ainda afirmou que entende a insatisfação do jogador, mas lembrou que foi Rafinha que escolheu deixar o Flamengo no meio da última temporada. O jogador, de 35 anos, acertou com o Olympiacos, da Grécia e após pouco tempo no futebol europeu decidiu voltar ao Brasil.
 
"Eu entendo o lado do atleta, mas a gente precisa pensar no nosso lado. E eu digo assim: o Rafinha escolheu ir embora. Ele tinha uma cláusula contratual que quando ele disse que ele ia embora por causa de dinheiro, isso estava escrito no contrato. Ninguém queria perder o Rafinha, mas ele escolheu o caminho dele e quis ir embora", analisou.
 
Por fim, LuizEduardoBaptista também citou a contratação de MauricioIsla e a necessidade de outros investimentos no elenco, em posições consideradas mais carentes.
 
"Para o lugar dele nós contratamos um jogador que merece o respeito, que tem seu valor e sua história. Se nós trouxéssemos ele de volta, nós ficaríamos com cinco laterais. Aí o Rogério Ceni pede um meia e a gente faz o que? Escala o Rafinha no meio-campo? Nós precisamos gerenciar a escassez. Estamos em um momento delicado", finalizou.