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Futebol » TRAGÉDIA DO NINHO

Casagrande repreende dirigentes do Flamengo: "Deram a responsabilidade de cuidar dos filhos e receberam os filhos no caixão"

Tragédia no Ninho, que matou dez jogadores da base, completa um ano neste sábado, 8 de fevereiro

Gabriela Santos Publicado em 07/02/2020, às 15h14

Casagrande repreende dirigentes do Flamengo diante da tragédia do Ninho do Urubu
Casagrande repreende dirigentes do Flamengo diante da tragédia do Ninho do Urubu - Reprodução/ SporTV

Neste sábado, 8, a tragédia no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, completa um ano. Durante o programa Seleção SporTV, do canal por assinatura da Rede Globo, o comentarista Walter Casagrande não aprovou o comportamento dos dirigentes e do presidente do clube, Rodolfo Landim, diante dos familiares das vítimas.

“As famílias deram para o Flamengo a responsabilidade de cuidar dos filhos deles e receberam os filhos dentro de um caixão. Depois disso, você não é recebido pelo presidente? Você não é recebido por nenhum dirigente? Onde está a compreensão da dor? Onde está o respeito da dor?”, repreendeu Casagrande.

A tragédia no Ninho do Urubu

No dia 8 de fevereiro, um incêndio no Ninho do Urubu culminou na morte de 10 jogadores da base do Flamengo. O incêndio atingiu o setor mais velho do CT, que servia de alojamento para as categorias de base e abrigava jogadores de 14 a 17 anos de idade. As vítimas estavam dormindo no momento do incêndio, o que teria contribuído para o pior da tragédia. 

As 10 vítimas do incêndio foram: os goleiros Christian Esmério, 15 anos, e Bernardo Pisetta, 14 anos; dos zagueiros Pablo Henrique da Silva, 15 anos, e Arthur Viníciusde Barros Silva Freitas, 14 anos; do lateral-direito Samuel Thomas de Souza Rosa, 15 anos; dos volantes Jorge Eduardo dos Santos, 15 anos, e Rykelmo de Souza Viana, 16 anos; do meio-campista Gedson Santos, 14 anos; e dos atacantes Vitor Isaías, 15 anos, e Athila Paixão, 14 anos.

Dirigentes do Flamengo faltam à Alerj, e CPI ordena condução coercitiva

Em novembro do ano passado, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi criada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para apurar o incêndio no Ninho do Urubu. Nesta sexta-feira, personagens envolvidos na tragédia do centro de treinamento foram convocados e dirigentes da atual e da anterior gestão do Flamengo não compareceram. O clube rubro-negro informou que enviou apenas representantes, o diretor jurídico Antonio Cesar Dias Panza e o advogado William de Oliveira.

Após a ausência, o presidente da CPI ordenou o despacho do pedido de condução coercitiva para Rodolfo Landim (presidente do Flamengo), Rodrigo Dunshee (vice jurídico do clube) e Marcos Braz (vice de futebol). Segundo informado pela assessoria da presidência da Comissão, o pedido deve ser protocolado antes de valer. Portanto, a condução só poderá acontecer em uma próxima sessão, ainda sem data definida.

Mãe de Christian Esmério fala da saudade do filho

A ESPN fez um especial com entrevistas com os pais de algumas das vítimas falando um pouco de como estão lidando com a tragédia que tirou a vida de seus filhos. Relembrando a carreira de Christian Esmério, sua mãe Andreia disse que ainda não encontrou recursos ou saídas para lidar com a dor da perda do herdeiro. Por mais que a saudade seja algo recorrente desde a tragédia, a ferida de não ter mais um filho perto em seu ponto se vista ‘se renova’ a cada dia que passa.

“A saudade parece que está tendo há muito tempo, mas, a dor é como se a ferida tivesse sido aberta hoje. É uma sensação difícil de explicar, ele era craque de verdade! Um adolescente com responsabilidades de adulto”, disse ela.

“A espera ainda não acabou, eu ainda espero a sexta-feira como se ele fosse chegar, subir as escadas gritando que chegou. Eu fico esperando ele jogar a bolsa para sair e falar com a tia, com os tios, essa espera ainda não passou”, finalizou.

Pai de Bernardo Pisetta desabafa sobre dificuldades psicológicas

No mesmo especial produzido pela ESPN, Darlei Pisetta, pai do goleiro Bernardo Pisetta, fez seu desabafo. Ele disse que ficou extremamente honrado pela quantidade de homenagens que o filho recebeu, mas também falou sobre lidar com o trauma. 

“Não é nada fácil, passamos por diversas fases. Na primeira fase, a ficha não caiu, nos quatro primeiros meses... Aí depois a ficha começa a cair, as coisas entram na realidade, a gente começa a sentir a falta, a saudade”, desabafou ele.

“Teve um momento que nós precisamos buscar ajuda psicológica, tivemos ajuda da psicóloga do Flamengo. Não estávamos conseguindo tocar, recorremos aos medicamentos e estamos fazendo uso até hoje para tentar segurar a onda”, finalizou.

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