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Olímpia redescoberta e a grandiosa obra do Barão de Coubertin

Conheça mais sobre a história do principal responsável pela existência dos Jogos Olímpicos da Era Moderna

Eduardo Colli Publicado em 16/06/2021, às 13h54 - Atualizado às 15h32

Anéis Olímpicos em mármore
Anéis Olímpicos em mármore - Getty Images

Olímpia destruída

Em 395 d.C., o rei Alarico e os godos devastaram Olímpia e em 426, durante um estúpido ataque de cólera, o imperador Teodósio II mandou incendiar os templos.

Nos anos de 522 e 551, fortes terremotos, seguidos de enchentes causadas pelo Rio Alfeu destruíram a cidade.

Fragmentos das colunas de Olímpia:

A redescoberta do santuário

Redescoberta em 1.766, pelo inglês Richard Chander, as primeiras escavações começaram em 1.829, com a “Expédition Scientifique de Morée”, a pioneira na exploração moderna de Olímpia.

De 1.875 a 1.881, a expedição chefiada pelos alemães Ernst Curtius, Friedrich Adler e Dr. Busch encontrou a maior parte das ruínas de Olímpia, uma imensa coleção de inscrições, esculturas e dedicações de todos os tipos.

O Barão de Coubertin e o ideal de restaurar os Jogos Olímpicos

Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin nasceu em Paris no dia 1º de janeiro de 1863, terceiro filho do barão Charles-Louis e Agathe.

Até os dezoitos anos, Pierre frequentou um colégio de jesuítas. Dois anos depois, passou a estudar e admirar o sistema pedagógico e educativo implantado pelo pastor anglicano Thomas Arnold na Escola de Rúgbi, na Inglaterra.

Para implantar na França, o sistema inglês, ele anunciou a criação de uma Liga de Educação Física. Meses depois propôs a criação do Comitê para a Propagação dos Esportes.

Com habilidade, Coubertin se aproximou de políticos, catedráticos e cientistas que apoiavam suas ideias, que culminou com a realização das primeiras competições escolares em 1.889, com a expressiva participação para a época de 800 jovens e se ampliou por toda a França.

Inspirado nas escavações alemãs em Olímpia, baseando-a na restauração dos Jogos Olímpicos, Coubertin ampliou sua ideia da educação esportiva para todo o mundo.

Em 26 de novembro de 1892, na reunião da Associação Francesa de Esportes Atléticos na Universidade de Sorbonne, ele encerrou sua palestra sobre o esporte moderno, com uma bomba: a restauração dos Jogos Olímpicos.

Em 1893, após quatro meses nos Estados Unidos, Coubertin conseguiu um grande aliado para sua causa, o professor William Sloane.

Entre 16 a 23 de junho de 1894, ele promoveu um Congresso para regulamentar o esporte amador, mas conforme suas palavras o principal objetivo era outro: “[...] bruscamente o nome do Congresso mudou e as palavras ‘Congresso para a restauração dos Jogos Olímpicos’ figurou nos convites”.

Com representantes de onze países diferentes, entre eles o rei da Bélgica, o príncipe de Gales, o príncipe herdeiro da Suécia e o duque de Esparta, o sucessor da coroa grega, com 79 congressistas de 49 entidades esportivas, o Congresso foi realizado.

O manifesto olímpico, o discurso de Coubertin em 1894:

Em sua palestra, o Barão habilidosamente destacou: “as escavações alemãs me facilitaram a ideia. A Alemanha reencontrou a luz guardada em Olímpia..., porque não ser a França que restabeleça sua antiga grandeza”. E houve uma grande ovação.

Então, ele lançou os princípios para a restauração dos Jogos:

Celebração de quatro em quatro anos, como na Antiguidade;

Modernização do programa esportivo;

Caráter rotativo dos Jogos entre as principais cidades do mundo;

Exclusão das provas infantis e escolares;

Participação apenas de atletas amadores, nunca profissionais;

Que não houvesse provas femininas;

Criação do primeiro Comitê Olímpico Internacional - COI.

Primeira diretoria do COI, Coubertin sentado à esquerda e Vikelas ao seu lado:

Os Jogos foram marcados para 1.896 em Atenas. Para conseguir apoio dos gregos nomeou o grego Demetrius Vikelas como primeiro presidente do COI, e ele assumiu a secretária geral.

1.500 anos depois, os Jogos Olímpicos renascem em Atenas

Como a situação econômica da Grécia a época, era de quase penúria, apesar das boas palavras protocolares, o governo grego relutava a participar desta aventura e ocultamente queria realizar os Jogos em 1.900, ou seja, as dificuldades eram enormes.

Enquanto isto, o Barão trabalhava com representantes da ginástica, ciclismo, esgrima, e outros esportes para evitar uma olimpíada apenas com o atletismo.

Em Atenas, após de uma reunião com o chefe de estado grego Tricuupis que tentou de todas as maneiras demovê-lo de restaurar os Jogos, Coubertin obteve apoio de Teodoro Delynias, o chefe da oposição e do príncipe regente Constantino.

No dia 12 de novembro de 1.894, patrocinado pelo próprio príncipe, foi criado o Comitê Organizador, definido o período de 5 a 15 de abril de 1.896 para a realização dos Jogos e aprovado o programa proposto por Coubertin.

Em dezembro deste ano, com Delyanis no poder, o Comitê Organizador conseguiu 130.000 dracmas em donativos.

George Averoff, o mecenas olímpico

Lodo depois, com a doação de um milhão de dracmas, feita pelo industrial grego Georges Averoff, o Estádio Panatenaico foi reconstruído, com a parte central em mármore (conforme requeria o orgulho grego) e as laterais de madeira.

Com a receita de várias ações, ergueu-se o velódromo, o pavilhão de tiro e píer para as provas de natação e remo.

Do programa elaborado original, o hipismo por falta de hipódromo e de bons cavalos gregos, o críquete com receio de uma competição apenas com ingleses e a vela pela dificuldade de organização e sem participantes, foram excluídos.

Tudo superado, com a participação de 14 países, 88 atletas estrangeiros (alguns que planejaram passear e acabaram participando) e 123 gregos, com grande sucesso, os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna foram celebrados.

Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1.896:


O criativo e incansável trabalho do Barão no COI

Após os Jogos de 1.896, o Barão de Coubertin assumiu a presidência do COI.

Em 1.912, conseguiu a inclusão do Pentatlo Moderno no programa esportivo e usando os pseudônimos de Georges Hohrod e M. Eschbach com o poema “Ode ao Esporte”, ganhou a medalha de ouro de literatura.

Criou a bandeira olímpica e do juramento olímpico, inseridos nas olimpíadas de 1.920 na cidade de Antuérpia, ano que por sua devoção ao espírito e ideal olímpico, recebeu o prêmio Nobel da Paz.

Em 1.925, muito cansado, passou a presidência do COI para o Conde belga Henri de Baillet-Latour.

E em uma fria manhã de 2 de fevereiro de 1.937, ao caminhar pelo parque Eaux Vives em Genebra, um fulminante ataque cardíaco matou Pierre de Fredi.

Em uma urna, o coração do Barão de Coubertin foi enterrado em Olímpia.

 

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