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A história dos Jogos Olímpicos: Montreal 1976

Os Jogos de Tóquio começaram! Então, confira a história das edições passadas para entrar no clima olímpico

Eduardo Colli Publicado em 23/07/2021, às 10h44

Anéis olímpicos - Getty Images
Anéis olímpicos - Getty Images

1976 – XXI Jogos Olímpicos – Montreal - Canadá

                                                             

Abertura: 17.jul.1976 – Encerramento: 01.ago.1976

Abertura Oficial: Rainha Elizabeth II

Juramento dos Atletas: Pierre Saint-Jean

Juramento dos Árbitros: Maurice Forget

Acendimento da Pira: Sandra Henderson e Stéphane Préfontaine

Participantes: 92

Total de Atletas: 6084 Homens: 4824 – Mulheres: 1260

Brasil (Atletas): 93 Homens: 86 – Mulheres: 7

Esportes: 23 – Eventos: 198

 

Quadro geral de medalhas, os 5 primeiros colocados e o Brasil

Após a festa ao ser escolhida sede olímpica em 1970, derrotando Moscou e Los Angeles, a cidade de Montreal começou a enfrentar vários problemas.

Primeiro foi o governo federal e em seguida o governo da província de Quebec que decidiram não ajudar financeiramente. Coube então ao prefeito Claude Drapeau, através de selos comemorativos, moedas, loteria, jogos de aposta e doações, tentar obter o dinheiro necessário.

Como não foi possível cobrir todos os gastos, os impostos municipais foram triplicados e muitos anos depois, seus moradores ainda pagaram pelos Jogos.

Mesmo com as dificuldades financeiras, o projeto do arquiteto francês Taibillert transformou os 204 hectares do parque Maisonneme.

 

Foram construídos o Estádio Olímpico com capacidade para 70.000 espectadores, o parque aquático e o velódromo, todos unidos por uma inacabada ponte.

 

Para agradar as cidades de Toronto, Otawa e Quebec, o Comitê Organizador decidiu realizar nestas cidades algumas competições, entre elas o Futebol.

 

A Vila Olímpica, composta por quatro pirâmides de 19 andares e cerca de mil apartamentos, era tão completa que tinha até duas discotecas.

 

Por motivos óbvios, foi montado um fantástico aparato policial - talvez o maior de todos os tempos - com 15.000 policiais. Os cálculos apontam que para cada atleta foram gastos 8.000 dólares em segurança.

 

Um mês antes dos Jogos, o primeiro-ministro Pierre Trudeau anunciou que o Comitê Organizador não deixaria entrar a delegação de Taiwan, e mesmo com a intervenção do COI, seu governo não aceitou as condições impostas e a única China a disputar os Jogos foi a comunista de Mao Tse Tung, que voltava após ter-se retirado de Melbourne.

Os problemas políticos continuaram. Usando o argumento de que a seleção de Rúgbi da Nova Zelândia tinha disputado uma partida contra a África do Sul, o ditador Idi Amin retirou a delegação de Uganda dos Jogos, exemplo seguido inicialmente por Zâmbia e Tanzânia e depois por todos os países do continente, acompanhados pelo Iraque.

No dia 17 de julho, com a presença de Senegal e da Costa do Marfim que não aderiram ao boicote, a rainha Elizabeth II da Inglaterra em inglês e francês - para agradar as duas partes da população canadense - declarou abertos os Jogos.

Tocha olímpica de 1976 - Créditos / Getty Images

 

Sem grandes atrativos, o melhor momento da cerimônia de abertura ocorreu quando dois adolescentes, Sandra Henderson e Steve Prefontaine, compartilhando a tocha olímpica, acenderam a pira.

Com um grande espetáculo de folclore indígena com mais de 400 figurantes e com o cômico protesto de um rapaz totalmente nu correndo pelo estádio, os Jogos terminaram no dia primeiro de agosto.

 

A medalha de 1976

Medalha olímpica de 1976 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Frente: idêntica à medalha de 1928, exceto pela inscrição: "XXIe Olympiade Montréal 1976” (´XXI Olimpíadas Montréal 1976´).

Verso: uma estilizada coroa de louros, símbolo da vitória desde os Jogos da Antiguidade e o emblema dos Jogos de 1976 em Montreal.

 

Maiores medalhistas

Atleta País Esporte Total Ouro Prata Bronze  
Nikolai Andrianov  União Soviética Ginástica 7 4 2 1  
               
Kornelia Ender  Alemanha Oriental Natação 5 4 1 0  

 

Destaques

A Rainha de todos os Jogos: Nadia Comaneci

Nadia Comaneci nos Jogos Olímpicos de Montreal 1976 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Nadia Elena Comaneci nasceu na cidade fabril de Onești na Romênia no dia 12 de novembro de 1961, seu nome é derivado do diminutivo russo para “Nadiejda” e significa esperança.

Ela início cedo na ginástica na escola e aos seis anos, passou no teste para treina com o revolucionário Béla Károlyi. Era a primeira a chegar, aquecer, praticar e aprimorar intensamente os mesmos movimentos nos seis treinos semanais com quatro horas de duração cada.

Aos quatorze anos, na fase classificatória nas paralelas assimétricas, ela executou uma rotina arrojada, executada com grande técnica que levantou o público no ginásio. Após o julgamento dos juízes, a nota exibida foi “1.00”, se fez um absoluto silêncio, ninguém entendeu a nota, mas rapidamente todos perceberam a deficiência do placar, a nota dez nunca havia sido atribuída antes. Pela primeira vez na história da ginástica, uma ginasta recebi o “dez perfeito”.

Nos dias seguintes, ela conseguiu mais seis notas dez perfeitas e se tornou a maior ginasta de todos os tempos, uma das maiores atletas da história.

Em 1980, Comaneci despediu-se dos Jogos Olímpicos com mais dois ouros na trave e no solo.

Após encerrar a carreira, um filme em sua homenagem chamado “Nadia” em 1984 foi lançado, com a ginasta americana e campeã mundial das barras assimétricas, Marcia Frederick interpretando-a.

Nadia emigrou para os Canadá em 1989 e atualmente vive nos Estados Unidos.

 

As 5 vitórias da romena Nadia Comaneci nos Jogos Olímpicos de 1976 e 1980:

Ano                      Prova                                 Pontuação

1976           Individual Geral                     79.275

1976         Barras Assimétricas               20.00

1976                  Trave                                      19.95

1980                  Trave                                      19.80

1980                   Solo                                        19.875

 

Alemanha Oriental, a máquina do doping

Em Munique, as nadadoras da Alemanha Oriental não ganharam nenhuma medalha de ouro, mas passados quatro anos, das treze provas elas venceram onze, extraordinária transformação que começou no mundial de 1973 em Belgrado, na Iugoslávia, quando introduziram o maiô de lycra ultracompacto e leve.

Após vários protestos descobriu-se que estas peças foram criadas e produzidas na Alemanha Ocidental. Outra acusação feita pelos americanos era o fato de que as alemãs orientais seriam muito musculosas e masculinas devido ao uso de esteroides anabolizantes.

A verdade é que a evolução da Alemanha Oriental em vários esportes foi fruto do investimento na pesquisa científica da fisiologia dos atletas em condições de competição, com a introdução dos testes sanguíneos, checagem dos níveis de oxigenação e testes nutricionais.

Durante anos seus cientistas estudaram o comportamento do ácido láctico e outros componentes químicos responsáveis pela fadiga.

Contra a acusação do uso de esteroides os dirigentes responderam que o sério programa de halterofilismo proporcionava aquela massa muscular. Tudo mentira. Em 1988, com as confissões de Joerg Hoffmann - campeão mundial nos 400 e 1.500m livres em 1991 -, Carola Nitscke - recordista mundial dos 100m peito em 1976 - e Christiane Knacke-Sommer - bronze nos 100m borboleta em 1980 - foi confirmado o uso de substâncias proibidas na extinta Alemanha Oriental, em investigação realizada pela Alemanha.

Os treinadores Berndt Christochowitz e Klaus Klemenz foram condenados por doparem dezessete nadadoras entre 1979 e 1989.

 

Kornelia Ende 1976 - Créditos / Wikimedia Commons

Depois da prata em 1972, em Montreal, a alemã oriental Kornelia Ender ganhou 4 medalhas de ouro e uma de prata.

 

O Cavalo: Alberto Juantorena

Alberto Juantorena - Créditos / Getty Images

 

A principal sensação do atletismo de Montreal foi o cubano Alberto Juantorena Danger, estudante de Economia - devoto de Fidel Castro -, vencedor dos 400 e 800 metros.

Na verdade, ele havia sido inscrito inicialmente apenas nos 400 metros, batendo, entre outros, os capitalistas americanos Frederick Newhouse e Herman Frazier.

Depois de insistir com a chefia da delegação, Alberto, que tinha o apelido de “El Caballo” (O Cavalo), participou dos 800 metros realizando uma prova memorável. Estabeleceu o novo recorde mundial e levou para casa sua medalha de ouro.

 

Outro finlandês voador

Lasse Viren em 1976 - Créditos / Getty Images

 

Nas provas de fundo, novamente duplas vitórias de Lasse Viren que passou, desta forma, a fazer parte da galeria de bicampeões olímpicos destas provas, em companhia de Hannes Kolehmainen, Emil Zátopek e Vladimir Kuts.

Entretanto, nem tudo foram flores para Viren. Entre suas duas vitórias ele foi acusado de usar o chamado “doping sanguíneo”, que consiste em retirar, poucas

semanas antes de competição importante, um quarto ou mais de sangue do atleta, congelá-lo para poucos dias antes da prova, descongelá-lo e reinjeitá-lo.

Como o corpo do atleta, neste intervalo, já supriu a deficiência sanguínea, o resultado é uma considerável elevação da taxa de hemoglobina, e com isto maior resistência.

Após negar veementemente essa prática, Viren disse que seu treinamento foi realizado nas montanhas do Quênia e da Colômbia, fato que aumentou naturalmente sua resistência para competições em cidades como Montreal, de baixa altitude.

 

Viktor Saneyev tri do triplo

O soviético Viktor Saneyev ganhou sua primeira medalha de ouro do Salto Triplo no México, onde os cinco primeiros colocados estabeleceram marcas superiores ao antigo recorde mundial e o brasileiro Nelson Prudêncio foi prata.

Em Munique, Saneyev sagrou-se bicampeão com Nelson na terceira posição. Confirmou sua superioridade em Montreal onde conquistou o tricampeonato, igualando-se a Ray Ewry, John Flanagan e Al Oerter, que venceram três ou mais vezes consecutivamente o mesmo evento olímpico. Na final ele bateu o brasileiro João Carlos de Oliveira, o “João do Pulo” que, em 15 de outubro de 1975, estabeleceu nos Jogos Pan-Americanos do México o recorde mundial com a incrível marca de 1789 metros.

Aparentemente, era mais um recorde para virar o século, mas foi quebrado pelo britânico, Jonathan Edwards com 18,29 metros no mundial de Gotenburbo, na Suécia, em 1995.

 

Tricampeonato do soviético Viktor Saneyev no Salto Triplo

Ano                         Distância                           Recorde

1968                        17,39 m                 Mundial / Olímpico

1972                        17,35 m

1976                        17,29 m

 

O Trambiqueiro: Boris Onischenko

Boris Onischenko - Créditos / Wikimedia Commons

 

No segundo dia da competição por equipes do pentatlo moderno, quando a favorita União Soviética enfrentava a Grã-Bretanha. Os britânicos protestaram alegando que havia algo estranho com a espada de Boris Onischenko.

No combate contra Adrian Parker o placar sinalizou um toque sem que a espada do soviético de fato houvesse atingido o oponente. No combate seguinte, de Boris contra o veterano Jeremy Fox, o placar novamente acusara um toque falso, ficando óbvio que realmente havia algo estranho na arma de Onischenko.

Ao examinar a espada o Júri de Apelação encontrou um mecanismo que, acionado pelo soviético, automaticamente registrava um toque a seu favor no placar. Imediatamente a equipe da União Soviética foi eliminada e Onischenko banido para sempre das competições internacionais.

No entanto, uma dúvida ficou no ar: há quanto tempo ele usava este artifício ilegal? Verificando-se os escores dos combates de Esgrima que Onischenko participara em competições anteriores descobriu-se que, já a partir de 1970, eles sempre foram altos.

Seguindo na competição, a Grã-Bretanha que era a segunda colocada após quatro provas, com 547 pontos atrás da Tchecoslováquia, conseguiu de forma inesperada a medalha de ouro, graças, principalmente, à atuação de Parker no cross, que correu os 4 mil metros em 12 minutos e 9 segundos - recorde desta prova nas competições do Pentatlo Moderno -, além das boas marcas de Fox e Robert Nightingale.

 

Sugar Ray Leonard o bailarino

Um dos maiores fenômenos do boxe mundial, nascido em Palmer Park,Maryland nos Estados Unidos, apelidado de “Sugar Ray”, lutando com a foto da namorada e do filho de 2 anos nas botas, o grande Ray Leonard conquistou a medalha de ouro na categoria meio-médio-ligeiro.

Em 1979, ganhou o título mundial dos meio-médios, perdeu-o em 1980 para Robert Duran, para no ano seguinte reconquistá-lo.

Por problemas de visão retirou-se dos ringues em 1982, retornou em 1987 vencendo Marvin Hagler para conquistar o título mundial dos médios.

 

Uma inovação e a Polônia é campeã no vôlei masculino

Antes da final as trajetórias de poloneses e soviéticos foram totalmente diferentes. Enquanto a União Soviética venceu todas as cinco partidas por 3 a 0.

A Polônia, em três dos cinco jogos, venceu por 3 a 2, incluindo a tensa partida contra Cuba, com parciais de 13-15, 10-15, 15-6, 15-9 e 20-18.

A vantagem dos poloneses em todos os jogos foi o preparo físico, pois nos treinos diários eles saltavam 392 vezes uma altura de 1 metro e 36 centímetros com pesos de 9 a 13 quilos no corpo.

Na final, com o placar no quarto set apontando 15 a 14 para a União Soviética - que já havia vencido dois sets - o polonês Tomasz Wójtowicz, pela primeira vez, bateu uma bola da linha de três metros e salvou o seu time da derrota.

O placar final apontou 3 a 2 para a Polônia que na única vez na história do voleibol olímpico, até hoje, conquistou a medalha de ouro.


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