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A história dos Jogos Olímpicos: Atenas 2004

Os jogos começaram! Então, confira a história das edições passadas para entrar no clima olímpico

Eduardo Colli Publicado em 03/08/2021, às 13h19

Anéis olímpicos em Tóquio - Getty Images
Anéis olímpicos em Tóquio - Getty Images

2004 – XXVIII Jogos Olímpicos – Atenas – Grécia

Abertura: 12.ago.2004 – Encerramento: 28.ago.2004
Abertura Oficial: Presidente Konstantinos Stephanopoulos
Juramento dos Atletas: Zoï Dimoschaki
Juramento dos Árbitros: Lazaros Voreaadis
Acendimento da Pira: Nikolaos Kaklamanakis
Países Participantes: 201
Total de Atletas: 10625 Homens: 6296 – Mulheres: 4329
Brasil (Atletas): 247 Homens: 125 – Mulheres: 122
Esportes: 31 – Eventos: 301

 

Quadro geral de medalhas, os 5 primeiros colocados e o Brasil

Em setembro de 1997, a capital grega derrotou Roma, Cidade do Cabo, Estocolmo e Buenos Aires, e foi escolhida pela segunda vez para sediar os Jogos.

No dia 11 de setembro de 2001, no mais audacioso e bem-sucedido ataque terrorista da história, as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York foram derrubadas por dois aviões controlados por fundamentalista islâmico do grupo Al-Qaeda. Um terceiro avião atingiu o Pentágono, nos arredores de Washington e o quarto avião caiu em um plantação próxima de Shanksville, na Pensilvânia.

Buscando a vingança, em 2002, os Estados Unidos atacou o Afeganistão e invadiram o Iraque. Como geograficamente a península grega é próxima do Oriente Médio, muito se temeu pela segurança grega.

Para compensar os atrasos das obras e para montar um fortíssimo esquema de segurança, o custo dos Jogos alcançou quase 9 bilhões de euros, deste valor, quase 1 bilhão de euros em segurança.

Abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 - Créditos / Getty Images

 

A menos de 200 dias da abertura dos Jogos, as obras ficaram prontas, com destaque para o Estádio Olímpico com capacidade 71 mil espectadores, construído em 1979 e totalmente reformado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Foram construídos o Olympic Indoor Sports Center, para o basquete e ginástica; o Estádio da Paz e da Amizade recebeu o vôlei; o Faliro Sports Pavilion local das disputas de handebol e taekwondo e Centro Olímpico de Tiro Markopoulo.

O centro arqueológico, incluindo o Partenon e o Estádio Panatenaico (local da chegada da maratona) foi restaurado.

A chama olímpica acesa em 25 de março de 2004 (data correspondente ao início dos Jogos Olímpicos de Verão de 1896) nas ruínas da cidade de Olímpia, pela primeira na história visitou todas as cidades-sedes anteriores dos Jogos Olímpicos de Verão, mais o Cairo, a Cidade do Cabo e o Rio de Janeiro. Durante 78 dias, 12.102 pessoas de 27 países conduziram a tocha.

Com o retorno do Afeganistão (banido pelo COI por causa do regime taliban) e a inclusão de Timor-Leste e Kiribati, todos os 201 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) enviaram atletas aos Jogos.

Na cerimônia de abertura, em ordem cronológica, a história grega, desde a Civilização Minoica até os dias atuais, foi contada por carros alegóricos que passaram pelo estádio.

Um grego deu uma volta no estádio rompendo fitas representando as edições dos Jogos  Olímpicos e o velejador Nikolaos Kaklamanakis acendeu a pira olímpica.

Nikolaos Kaklamanakis durante a cerimônia de abertura dos Jogos de 2004 - Créditos / Getty Images

 

Pela primeira vez na história olímpica, os Jogos foram transmitidos pelo internet, mas os atletas foram proibidos de participar da cobertura da imprensa com blogs e sites próprios.

No dia 29 de agosto, após um dos maiores incidentes da história dos Jogos Olímpicos, o ataque do ex padre irlandês Cornelius Horan na prova da maratona, o ponto alto da cerimônia de encerramento foi o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima receber a Medalha Pierre de Coubertin, a maior condecoração de cunho humanitário-esportivo concedida pelo COI.

 

A medalha de 2004

Medalhas olímpica de 2004 em Atenas - Créditos / Getty Images

 

A principal característica das medalhas são os temas gregos exibidos dos dois lados, alterando pela primeira o padrão de medalhas estabelecido desde os Jogos de 1928. Importante mudança, pois a partir desta, todas as medalhas olímpicas vão refletir o caráter grego dos Jogos na sua origem e na sua revitalização.

Frente: a deusa Nike da vitória voa para o estádio levando a vitória para o melhor atleta. O comitê organizador decidiu apresentar o estádio Panatenaico, principal local das provas dos primeiros Jogos da era moderna, quando da restauração das Olimpíadas. O nome do esporte também foi cunhado.

Verso: com a chama eterna que foi acesa em Olímpia e viajou através dos cinco continentes por meio do revezamento da tocha de 2004; as linhas da Abertura da Oitava Ode Olímpica de Píndaro composta em 460 aC para homenagear a vitória de Alcimedon de Egina na luta e o emblema dos Jogos de 2004 em Atenas.

 

Maiores medalhistas

Atleta País Esporte Total Ouro Prata Bronze  
Ian Thorpe Austrália Natação 5 3 2 0  
               
Leontien Zijlaard-Van Moorsel Holanda Ciclismo 4 3 1 0  

 

Destaques

Um ataque absurdo, uma medalha de ouro perdida e a medalha Barão de Coubertin


A maratona masculina, último evento dos Jogos de Atenas foi disputada no dia mais quente de uma maratona, os termômetros marcavam um pouco acima dos 30° C.

Inspirado no trajeto de 1896, da primeira maratona, sem favoritos, os 101 corredores largaram na cidade de Maratona com chegada no mítico Estádio Panatinaico.

No 15º quilômetro, o sul-africano Hendrick Ramaala assumiu a liderança, mas rapidamente foi alcançado pelo pelotão.

Na marca de 20km, o brasileiro Vanderlei de Lima abriu uma pequena vantagem e 10km depois, sua vantagem era de aproximadamente 50 segundos. Aos poucos, os perseguidores começaram a aumentar o ritmo e no km35, a vantagem caiu para 30 segundos, com Vanderlei cerca de 150 metros à frente.

Vanderlei de Lima anos depois - Créditos / Wikimedia Commons

 

No quilômetro 36, aconteceu algo inimaginável e inaceitável, com falhas na segurança e os corredores bastante expostos, o ex padre irlandês Cornelius Horan agrediu e puxou Vanderlei para o meio-fio.  Assustado e ajudado por várias pessoas, Vanderlei voltou a correr, mas havia perdido o ritmo e a concentração.

No km39, foi ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini que com tranquilidade ganhou a prova. O americano Meb Keflezighi, que nasceu na Eritreia também passou por Vanderlei e foi prata.

Vanderlei que nasceu na cidade paranaense de Cruzeiro do Oeste, 4 de julho de 1969, entrou no estádio sorridente e fazendo aviõezinhos cruzou a linha de chegada em terceiro.

O COI negou o apelo que ele dividisse a medalha de ouro com o italiano, mas ele foi premiado com a Medalha Pierre de Coubertin por "excepcional demonstração de esportividade e valores Olímpicos”.

 

O maior campeão olímpico da história – parte 2

Michael Phelps em 2004 - Créditos / Getty Images

 

Já como grande nome da natação mundial, Phelps chegou em Atenas sendo comparado ao compatriota Mark Spitz, que em 1972 conquistou sete medalhas de ouro.

Competindo em oito provas: 200m livre, 100m borboleta, os 200m borboleta, 200m medley, 400m medley, 4x100m livre, 4x200m livre e no 4x100m medley, mas com as terceiras colocações nos 4x100livres e nos 100m livres, Phelps levou para casa 6 medalhas douradas e 2 bronzeadas, no total de oito medalhas, igualando a performance do ginasta russo Alexander Dityatin, em Moscou – 1980.

 

As 6 vitórias de Michael Phelps em 2004:

                Prova                                                                 Tempo                                           Recorde
Revezamento 4 x 200m livre                              7:07.33
100m borboleta                                                              51.25                                        Olímpico
200m borboleta                                                          1:54.04                                        Olímpico
Revezamento 4 x 200m medley                        1:57.14                                        Olímpico
400m medley                                                                4:08.26                               Mundial / Olímpico
Revezamento 4 x 100m medley                         3:30.68                              Mundial / Olímpico

 

Dia 29 de agosto, de manhã: Argentina ouro no futebol

Time da Argentina campeão olímpico de 2004 - Créditos / Getty Images

 

Após 52 anos, a Argentina voltou a conquistar medalhas de ouro, ou melhor dizendo, duas medalhas de ouro no mesmo dia, ambas em esportes coletivos.

As 10 horas da manhã, pela primeira vez na história do futebol olímpico, dois países sul-americanos entraram em campo para decidir a medalha de ouro.

Com gol de Tevez (o artilheiro do torneio com 8 gols) aos 17 minutos de jogo, a Argentina alcançou a sua primeira medalha do dia.

Mesmo derrotado, o Paraguai conquistou a sua primeira medalha olímpica, a de prata.

A campanha da Argentina na medalha de ouro em 2004:

Jogos      Vitórias       Derrotas         Gols a favor           Gols contra
    6                  6                        0                           18                                  0

 

Dia 29 de agosto, de noite: Argentina ouro no basquete

Time de basquete campeão olímpico de 2004 em Atenas - Créditos / Getty Images

 

Derrotada pela Espanha e Itália, a Argentina terminou na 3ª colocação do grupo A do torneio masculino de basquete. A Espanha classificou-se em primeiro.

Baseado na história do esporte, os Estados Unidos eram os favoritos, entretanto o
momento era péssimo, mesmo com os jogadores da NBA, os americanos ficaram na 6ª colocação no mundial de 2002.

Jogando no grupo B, após inéditas duas derrotas (Lituânia e Porto Rico) os americanos terminaram a 1ª. fase na decepcionante 4ª. colocação.

Nas quartas-de-final, os americanos venceram os espanhóis por 102 a 94,
enquanto os argentinos com muita dificuldade, eliminaram os donos da casa por 69 a 64.

Na semifinal, liderados pelos jogadores da NBA Manu Ginóbili, Andrés Nocioni e Walter Herrmann, a Argentina venceu os Estados Unidos por 89 a 81.

A segunda medalha de ouro argentina aconteceu na noite do dia 28 de agosto, no triunfo por 84 a 68 contra a Itália.

 

As romenas remadoras

Com oito medalhas no total, Elisabeta Oleniuc-Lipă é entre homens e mulheres, a pessoa com mais medalhas olímpicas no remo.

Elisabeta que nasceu na cidade de Siret no dia 26 de outubro de 1964, conquistou sua primeira medalha dourada em 1984, na prova do dois sem. Sua longa careira terminou apenas em 2004, com mais um ouro, desta vez no oito com.

 

As cinco medalhas de ouro de Elisabeta Oleniuc-Lipă:

Ano           Prova                   Tempo
1984    Double-skiff        3:26.75
1992    Double-skiff        7:25.54
1996    Oito com               6:19.73 
2000    Oito com               6:06.44 
2004    Oito com               6:17.70

 

Nascida em 14 de abril de 1976 na cidade romena de Botoșani, Georgeta Damian-Andrunache com cinco medalhas de ouro, forma ao lado do britânico Steven Redgrave e de Elisabeta, a trinca de maiores remadores da história olímpica.

Ela é casado com o também remador e medalhista olímpico Valeriu Andrunache.

Georgeta Damian e Viorica Susanu em 2004 - Créditos / Getty Images

 

As cinco medalhas de ouro de Georgeta Damian:

Ano               Prova            Tempo
2000         Dois sem       7:11.00
2000         Oito com       6:06.44
2004         Dois sem       7:06.55
2004         Oito com       6:17.70
2008         Dois sem       7:20.60

 

O cavalo dopado

Rodrigo Pessoa e seu cavalo Baloubet du Rouet nos Jogos Olímpicos de 2004 - Créditos / Getty Images

 

Rodrigo que é filho de Nelson Pessoa, renomado cavaleiro brasileiro, nasceu em
Paris no dia 29 de novembro de 1972.

Integrante das equipes brasileiras de salto do hipismo que ganharam o bronze em 1996 e 2000, Rodrigo era o favorito a medalha de ouro na prova individual de salto em Sydney quando seu cavalo Baloubet du Rouet, refugou três vezes durante o percurso.

Em Atenas, o vencedor da prova individual foi irlandês de Cian O'Connor montando Waterford Crystal. Com Baloubet du Rouet se redimindo, Rodrigo ficou em segundo. Entretanto, em outubro do mesmo ano, o exame antidoping revelou que foram descobertas substâncias ilegais no cavalo.

Cian perdeu a medalha e Rodrigo conquistou a tão sonhada medalha de ouro.

Quatro anos depois, Rodrigo terminou a prova em 5º lugar, mas o exame antidoping do seu cavalo Rufus deu positivo para a substância proibida em animais nonivamida. Ele foi desqualificado da prova, suspenso por 135 dias e multado em 1285 euros.

 

Um gesto grandeza do maior jogador de vôlei de praia

 

Emanuel e Ricardo após vencer o ouro nos Jogos de 2004 - Créditos / Getty Images

 

Após se sagrar campeão olímpico de vôlei de praia ao lado de Ricardo, Emanuel Fernando Scheffer Rego, nasceu em Curitiba ,  15 de abril  de  1973 , ofereceu publicamente sua medalha de ouro para o  maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima , contudo, este agradeceu e recusou o prêmio emocionado.

Emanuel que ainda ganharia o bronze com Ricardo em 2008 e a prata com Alison em 2012, foi escolhido como o Atleta da Última Década do Século em votação realizada pela  Federação Internacional de Voleibol  (FIVB).

É o maior vencedor do Circuito Mundial com dez títulos, o maior vencedor de etapas do Circuito Mundial, com 77 medalhas de ouro, 37 de prata e 41 de bronze.

Ele é o jogador com mais títulos na história do voleibol de praia, 155 e em 2016, foi introduzido no  Hall da Fama do Voleibol  por sua "carreira lendária".

 

Personagem de manga japonês

Ryoko Tani nos Jogos de 2004 em Atenas - Créditos / Getty Images

 

Na infância, Ryoko Tamura-Tani venceu o preconceito dos pais camponeses para praticar o judô.

Sete títulos mundiais e cinco medalhas olímpicas depois, ela virou uma heroína nacional, conhecida como “Tawara” uma personagem de manga japonês.

 

Em sítio olímpico sagrado, 1500 anos depois

Yumileidi Cumbá nos Jogos de 2004 em Atenas - Créditos / Getty Images

 

Mil e quinhentos anos depois da última disputa dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, ao herdar ao herdar a medalha de ouro do arremesso de peso feminino, após a descoberta do doping da russa Irina Korzhanenko, a cubana Yumileidi Cumbá se tornou a primeira mulher campeã olímpica no sítio sagrado de Olímpia.

 

Um casal grego encrencado

Konstadinos Kederis, o vencedor dos 200m em Sydney e sua namorada Ekaterini Thanou, medalha de prata nos 100m na mesma edição.

Os dois se tornaram o centro das atenções, ao não comparecem a um exame antidoping surpresa nas vésperas dos Jogos. Alegaram um mal explicado acidente de moto para não passarem pelo exame.

Em seguida, ficaram alguns dias num hospital de Atenas, evitando imprensa e dirigentes e não competiram. 

Um dos favoritos nos 200m rasos, Kenteris era muito cotado para a acender a pira olímpica na cerimônia de abertura.

 

Mesmo depois de muito tempo, o antidoping flagra os dopados

Durante os Jogos ou muito tempo depois, os casos de doping alteraram o resultado de muitas provas.

Os anfitriões perderam a medalha de bronze de Leonidas Sampanis no levantamento de peso.

A Hungria perdeu dois ouros: Róbert Fazekas no arremesso de disco e com Adrián Annus no arremesso de martelo e uma prata com Ferenc Gyurkovics no levantamento de peso.

No remo, a equipe da Ucrânia perdeu o bronze por conta do doping de Olena Olefirenko.

Como faz parte do protocolo guardar por oito anos as amostra coletadas durante os Jogos, para submeter essas amostras a teste mais precisos, com métodos mais modernos, em 2012, quatro atletas que disputaram provas do atletismo perderam suas medalhas: o ucraniano Yuri Bilonoh, medalhista de ouro no arremesso de peso; a russa Svetlana Krivelyova bronze no arremesso de peso e os bielorrussos

Ivan Tsikhan, prata no lançamento de martelo e Iryna Yatchenko, bronze no arremesso de disco.

Em fevereiro de 2013, por uso de esteroides anabolizantes, o russo Oleg Perepetchenov perdeu o na categoria até 77kg do levantamento de peso.


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