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A história dos Jogos Olímpicos: Amsterdã 1928

Para entrar no clima de Tokyo, conheça um pouco da história de edições passadas das Olimpíadas

Eduardo Colli Publicado em 19/07/2021, às 07h43

Anéis olímpicos - Getty Images
Anéis olímpicos - Getty Images

1928 – IX Jogos Olímpicos – Amsterdã – Holanda

Abertura: 17.mai.1928 – Encerramento: 12.ago.1928

Abertura Oficial: Príncipe Hendrik

Juramento dos Atletas: Henri Denis

Países Participantes: 46

Total de Atletas: 2883 Homens: 2606 – Mulheres: 277

Brasil (Atletas): não participou

Esportes: 17 - Eventos: 109

Quadro geral de medalhas, os 5 primeiros colocados e o Brasil

Em 1925, o conde belga Henri de Baillet-Latour foi eleito o novo presidente do COI e o Barão nomeado presidente vitalício de honra. Enquanto isto na Holanda, a população através de um plebiscito e de doações, ajudou o Comitê Organizador a vencer o propagado caráter “pagão” dos Jogos, alardeado pela Igreja.

Dessa forma, as instalações esportivas foram construídas contando com: o Estádio Olímpico para 40.000 pessoas, um velódromo com pista de 500 metros, um pavilhão para o Boxe e a Luta, com capacidade para 4.500 espectadores e um parque aquático para abrigar um público de 6.000 pessoas.

Estádio Olímpico em Amsterdã - Créditos / Wikimedia Commons

 

Apenas a Vila Olímpica, por seu elevado custo não saiu do papel.

As novidades do programa foram a exclusão do Boxe, do Tiro Esportivo e do Tênis e a inclusão das mulheres - a contragosto do Barão de Coubertin -, nas provas de Atletismo.

No dia 17 de maio, com a presença da rainha Guilhermina e do novo presidente do COI, com 46 delegações – pela primeira vez com uma delegação asiática, a japonesa, e com a delegação do país sede, a Holanda, desfilando por último –, 3.014 atletas, sendo 290 mulheres, mais que o dobro dos Jogos de Paris, iniciaram-se os Jogos.

Provocados por um holandês à porta do Estádio, os franceses não desfilaram.

A Alemanha, após duas edições de fora, não apenas voltou como ficou em segundo lugar na classificação geral no quadro de medalhas.

Em grave crise econômica, a delegação brasileira ficou de fora dos Jogos, ao passo que os nossos vizinhos foram muito bem. O Uruguai sagrou-se campeão no Futebol e a Argentina, além da prata no Futebol, voltou para casa com três medalhas de ouro.

A nona edição das Olimpíadas da Era Moderna encerrou-se no dia 12 de agosto.

Durante todos os dias de competição, pela primeira vez, inspirado nas Olimpíadas da Grécia Antiga, o fogo olímpico queimou na pira instalada no Estádio Olímpico.

A medalha de 1928

Medalhas olímpicas de 1928 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Frente: Nike a deusa da vitória segura uma palma na mão esquerda e uma coroa de vencedor em sua direita. O projeto da medalha usado desde 1928 foi criado pelo artista italiano Giuseppe Cassioli e escolhido em um concurso organizado pelo Comitê Olímpico Internacional.

Para estes jogos, a figura de vitória é acompanhada pela inscrição específica: "IXe Olympiade AMSTERDAM 1928" (´IX Olimpíadas AMSTERDÃ 1928´).

Verso: a multidão carrega em triunfo um campeão olímpico, com o estádio olímpico ao fundo.

 

Maiores medalhistas

Ano Atleta País Esporte Total Ouro Prata Bronze
1928 Georges Miez Suíça Ginástica 4 3 1 0
               
  Martha Norelius Estados Unidos Natação 2 2 0 0
  Albina Osipowich Estados Unidos Natação 2 2 0 0
                 

Destaques

"Betty" Robinson, a primeira medalha de ouro nos 100 metros

Betty Robinson em 1928 - Créditos / Wikimedia Commons

 

Elizabeth "Betty" Robinson nasceu no dia 23 de agosto de 1911. Em Amsterdã,

Mesmo cruzando a linha exatamente junto com a canadense Fanny Rosenfeld, foi considerada vencedora, a primeira campeã olímpica dos 100 metros rasos feminino.

Em 1931, vítima de um sério acidente aéreo, ficou dois meses em coma com sequelas cerebrais, quadril e uma perna fraturados.

Com muita força de vontade e esforço, Betty competiu em 1936, levando o ouro no revezamento 4 x 100m.

 

A prova da agonia

O maior problema da competição ocorreu exatamente na polêmica prova dos 800 metros feminino, quando uma série de desmaios nas eliminatórias fez com que o COI a retirasse do programa olímpico por 32 anos.

Na final, vitória da alemã Lina Radke quebrando o recorde mundial. A japonesa Kinue Hitomi, que ficou em segundo, morreu em 1931 de tuberculose, de forma prematura aos 23 anos de idade.

 

Índia, começa uma dinastia

O primeiro clube de Hóquei sobre a Grama da Índia foi criado em 1885 na cidade de Calcutá. Em 1926 a Índia jogou suas primeiras partidas internacionais contra a Nova Zelândia e nos Jogos de Amsterdã iniciou seu domínio no esporte, que durou muito anos.

Nesta edição os indianos venceram todas as cinco partidas, marcaram 29 gols e não sofreram nenhum. Seu principal jogador foi Dhyan Chand, de 22 anos, nascido em Uttar, província de Pradesh. Posteriormente ele se tornou capitão do exército de seu país e, após o tricampeonato em 1936, passou a ser o treinador da seleção.

 

O primeiro africano muito resistente e campeão

Boughèra El Ouafi - Créditos / Wikimedia Commons

Na Maratona, o argelino Boughèra El Ouafi competindo pela França, ficou atrás do japonês Kanematsu Yamada poupando forças até o quilômetro 38, quando arrancou e conquistou a medalha de ouro com 35 segundos sobre o chileno Miguel Plaza Reyes.

El Ouafi após combater a guerrilha de Ab-El-Krim como mensageiro militar, trabalhou na Renault, tornou-se corredor profissional sem êxito, acabou desempregado e na miséria.

Voltou a ser notícia em 1952, quando Alain Mimoun ganhou a maratona olímpica e morreu assassinado por argelinos que tentavam cobrar o imposto revolucionário de um parente seu.


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