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Técnico do Irã se revolta com pergunta e abandona coletiva

Questionado sobre a violação dos direitos das mulheres no Irã, o técnico da seleção iraniana abandonou a entrevista coletiva e indagou se seria pago pela resposta

Redação Publicado em 16/11/2022, às 13h59

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Técnico do Irã se revolta com pergunta e abandona coletiva - GettyImages
Técnico do Irã se revolta com pergunta e abandona coletiva - GettyImages

Carlos Queiroz, técnico da seleção iraniana, abandonou uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, 16, ao ser questionado sobre as violações dos direitos das mulheres no país. Pouco antes do fim da conversa com os jornalistas, prevista para durar apenas 15 minutos, o treinador não gostou da pergunta feita e se levantou.

“Para qual canal você trabalha? Quanto vai me pagar para responder a essa pergunta? Vocês são uma empresa privada, quanto vão me pagar? Fale com o seu chefe e no final da Copa posso te dar uma resposta se me fizer uma boa oferta. Para responder a essa pergunta, não coloque palavras que eu não disse na minha boca, eu estou perguntando à sua companhia quanto vão me pagar para responder”, disse Carlos Queiroz.

Acho que devia pensar também sobre o que acontece com os imigrantes na Inglaterra, como são tratados”, continuou o técnico, mas já longe dos microfones.

Queiroz comenta sobre possibilidade de protestos a favor das mulheres iranianas:
O treinador ainda comentou sobre possíveis manifestações de jogadores da seleção em favor das mulheres iranianas. Ele destacou que seus atletas são livres para se posicionar, mas dentro dos moldes e regras da Copa do Mundo.

Carlos Queiroz, técnico do Irã
Carlos Queiroz, técnico do Irã (Crédito: GettyImages) 

“O Irã é exatamente como o seu país. Segue o espírito do jogo e as regras da Fifa. É assim que você se expressa no futebol. Todos têm o direito de se expressar. Vocês se ajoelham nos jogos. Algumas pessoas concordam, outras não, e no Irã é exatamente o mesmo. Mas esse tipo de assunto não está em questão na seleção nacional, os jogadores só têm uma coisa na cabeça que é lutar pelo sonho de passar da fase de grupos”, disse.

Pela primeira vez em mais de 40 anos, as mulheres iranianas puderam acompanhar um jogo da primeira divisão nacional, em agosto deste ano. Em janeiro, foram permitidas a assistir das arquibancadas uma partida da seleção nas Eliminatórias depois de três anos.

Em setembro, uma outra carta foi enviada à Fifa, pelo grupo ativista Open Stadium, pedindo para que o presidente Gianni Infantino excluísse o Irã da Copa do Mundo pela não garantia de que as mulheres poderão frequentar estádios de futebol após a disputa do Mundial.

Morte de Mahsa Amini

Em setembro, a jovem Mahsa Amini, de apenas 22 anos, foi morta após ser presa pela polícia da moral iraniana. Ela foi acusada de violar o código de vestimenta feminina da República Islâmica. O episódio abriu uma onda de protestos nas ruas do Irã, que alega que a morte se deu por doença cerebral e não por espancamento.