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Tiago Splitter quer Seleção Brasileira com experiência internacional

Auxiliar da seleção, Tiago Splitter comenta trabalho com De Conti, fala em experiência no basquete internacional para o Brasil e projeta próximo ciclo olímpico: “Colocar todo mundo nesse mesmo vocabulário”

Gabriela Santos Publicado em 19/12/2021, às 13h00 - Atualizado às 13h02

Tiago Splitter quer seleção com experiência internacional - GettyImages
Tiago Splitter quer seleção com experiência internacional - GettyImages

Atual assistente do Brooklyn Nets, o ex-jogador Tiago Splitter assumiu o cargo de auxiliar na Seleção Brasileira neste ano. Em entrevista exclusiva ao SportBuzz, o campeão da NBA pelo San Antonio Spurs comentou sobre o trabalho na equipe, hoje comandada pelo técnico Gustavo De Conti.

Splitter e De Conti já trabalharam juntos na seleção, quando o ex-ala-pivô defendia o Brasil como jogador e o técnico era auxiliar. Agora, ambos estão do mesmo lado e o ex-jogador está confiante para o novo ciclo da equipe nacional. Tiago destacou a necessidade de encorpar a experiência de basquete internacional nos atletas, principalmente da nova geração.

Estou bastante confiante. A gente tem um desafio enorme. Acho que o basquete mundial hoje em dia é muito equilibrado e qualquer detalhe, qualquer coisinha, faz uma grande diferença”, disse Splitter.

Canal SportBuzz:

“A gente tem vários jogadores novos chegando na seleção. É uma geração que ainda não tem tanta experiência internacional. Alguns jogadores, ainda um pouco mais antigos, como o (Vitor) Benite e até o próprio (Marcelo) Huertas, acho que têm aí alguns anos na seleção. É um desafio, com certeza. É muito legal estar de novo na Seleção Brasileira, representando o meu país, tentando ajudar o basquete brasileiro. É sempre bacana estar nessa posição”, acrescentou o auxiliar da seleção.

Splitter ainda falou do momento em que De Conti assumiu o cargo, em setembro, para substituir o croata Aleksandar Petrovic. O treinador do Flamengo acumula funções e também segue no comando do rubro-negro. Para Tiago, Gustavo sempre estaria preparado para liderar a Seleção Brasileira.

“O Gustavinho é um grande técnico, acho que não existe o momento certo (na seleção). É quando o momento se apresenta. O Gustavo vem há anos fazendo esse trabalho. Se fosse agora, se seria quatro anos atrás ou só daqui a quatro anos não faz diferença. O importante é que ele agora é o técnico da seleção. É um grande técnico, sabe muito de basquete e a gente está do lado para ajudar a fazer o melhor trabalho possível”, avaliou Splitter.

Tiago Splitter quer seleção com experiência internacional (Crédito: GettyImages)

 

Em julho de 2021, a seleção ficou perto de conquistar a vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, mas parou na Alemanha na decisão do pré-olímpico, que garantia vaga apenas ao vencedor. Questionado sobre a projeção do Brasil no ciclo para as Olimpíadas de Paris 2024, Tiago respondeu:

“A primeira coisa que o Gustavo quer mudar ou estipular na Seleção Brasileira é a forma de jogar: qual é a forma de jogar dos brasileiros, qual é a forma de jogar dos jogadores que temos e como podemos ser efetivos no cenário internacional. Acho que isso é mais importante, e também passar isso para os jogadores mais novos que ainda não estão na seleção – para os meninos de 16, 17 e 18 anos que daqui a cinco anos vão estar na seleção”, disse.

“Então, é colocar todo mundo nesse mesmo vocabulário, no mesmo objetivo para quando ele chegar na Seleção Brasileira não ter uma diferença do que eles fazem no clube deles e o que eles fazem na seleção. Isso é importante: criar uma forma de jogar e um estilo brasileiro, e impor isso na seleção e no cenário internacional. Claro, sempre vai ter os jogadores que estão atuando na Europa e que jogam de uma forma e essa mistura é boa trazer estilos do basquete europeu, do brasileiro e do americano. Tudo isso é importante botar na quadra com a Seleção Brasileira”, concluiu.

 
 
 
 
 
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Primeiro brasileiro campeão da NBA, Tiago Splitter iniciou a carreira pelo Ipiranga, em Blumenau. Ainda jovem, aos 15 anos, foi para a Espanha para defender o Baskonia, onde foi campeão e eleito o melhor jogador da liga nacional. Em 2010, se transferiu para o San Antonio Spurs e faturou o título da principal liga de basquete na temporada de 2014. Nos Estados Unidos ainda defendeu o Atlanta Hawks e o Philadelphia 76ers.

 
 
 
 
 
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OUTRAS RESPOSTAS

Relação com Gustavo De Conti

“A minha relação (com o Gustavo) é ótima. A gente se conhece já faz muito tempo, obviamente, ele foi assistente da seleção por anos enquanto eu ainda jogava e sempre achei ele um cara muito muito estudioso e inteligente. É uma pessoa que sabe levar o grupo, que tem um comando e uma voz com poder. Acho que isso é importante na nossa Seleção Brasileira: que ele conheça os nossos jogadores. Esses são os pontos positivos e espero sempre o melhor o melhor para ele”.

Projeção para o estilo de jogo da seleção

“Um jogo de velocidade, de espaços, físico e uma defesa forte. Essas vão ser as características. E obviamente, (trabalhar) as bolas de três. Acho que existe hoje uma tendência mundial a jogar em velocidade, pincipalmente na NBA, mas até o basquete europeu está mudando um pouco isso. Jogar em velocidade, conseguir cestas fáceis e não deixar essa vantagem se perder. Sempre que a gente tem uma boa defesa, a gente corre para o contra-ataque e tenta buscar uma cesta fácil. Ter espaços bem detalhados de onde cada jogador tem que estar. Esse é o baquete moderno e essa é a forma que a gente quer jogar. É como a gente vê a nossa seleção e os nossos jogadores tendo um bom desempenho”.

Tiago Splitter pela Seleção Brasileira, em Londres 2012 (Crédito: GettyImages)

 

Expectativa para o trabalho na seleção

“Estou muito empolgado. É uma nova etapa na minha carreira. Eu já estou há quatro anos em Brooklyn, ajudando o Brooklyn (Nets) com o que eu posso. Faço o desenvolvimento de atletas jovens, com técnica individual, com tática individual e em time também, ajudando no ataque e estudando as defesas do adversário. Eu quero passar isso para a Seleção Brasileira, passar a minha experiência como jogador e também como assistente”.

Avaliação sobre o pré-olímpico da seleção para Tóquio

“É difícil definir o que a seleção errou. Foi um jogo que fez contra a Alemanha, onde não jogou bem e não consertou as bolas de três. Mas isso não quer dizer que foram cestas de três ou arremessos de três de uma forma correta. Não se pode só chegar e chutar por chutar uma bola de três. Tem que entender por que essas bolas não entraram: tiveram arremessos forçados? E aí a gente entra no detalhe. Mas às vezes é um jogo que vai te dar isso (forçar arremessos) e é essa a pressão do basquete internacional. Você não tem uma temporada com 30 jogos ou 80 jogos para você ir se adaptando. Não, você tem um jogo para ganhar. A pressão e a cobrança são imensas, e você tem que saber jogar e se adaptar no meio do jogo ao que o jogo pede. Por exemplo, a Alemanha fez um bom trabalho contra o nosso time. Fez uma grande defesa e a gente não conseguiu achar as cestas”.


 

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